‘Falta de tempo virou a desculpa mais sofisticada da nossa era’
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Escassez e valor do tempoFalta de tempo como desculpa sofisticada · Produtividade versus vulnerabilidade · Tempo para celular e séries versus família e autocuidado · Agenda cheia como armadura para evitar perguntas difíceis · Pressa como barulho para não escutar perguntas verdadeiras · Silêncio como lugar de perguntas verdadeiras · Parar como coragem, não preguiça · Falta de coragem de encarar o tempo livre
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Refletir para viver, com Rosandro Klinger.
Eu desconfio que a falta de tempo virou a desculpa mais sofisticada da nossa era. Ninguém diz mais: "Estou com medo", "estou cansado", "não quero encarar". Diz: "Estou sem tempo". Fica mais bonito, ninguém questiona. Produtividade tem status, vulnerabilidade não. Só que tempo a gente tem? O sujeito não tem tempo de ligar para mãe, mas tem 3 horas de rolagem no celular. Sem tempo para o filho, mas maratona a série inteira no fim de semana.
Não acha espaço na agenda para cuidar de si mesmo, Mas encontra tempo para tudo que distrai de si mesmo. O relógio leva a culpa que não tem. No consultório, eu vi a gente apavorada com o silêncio. Marcavam a vida inteira de compromisso para não sobrar uma brecha. Reunião, academia, compromisso, entrega, mais uma reunião. Agenda cheia como armadura. Porque na brecha vem a pergunta que ninguém quer ouvir: E aí, você está feliz com isso tudo?
"A pressa é o barulho que a gente liga pra não escutar essa pergunta. Vivemos correndo não porque temos muito a fazer, porque temos muito a evitar. Precisamos lembrar que o silêncio não é vazio, mas sim um lugar onde as perguntas verdadeiras moram. E perguntas verdadeiras exigem respostas verdadeiras. Isso assusta mais do que qualquer agenda lotada." Parar não é preguiça, é coragem, a mais rara que existe num tempo que confunde movimento com vida.
Você não está sem tempo, está sem coragem de encarar o que aparece quando ele sobra.