Episódios de Comentaristas

Copom reduz taxa Selic em 0,25 ponto e juros caem para 14,25% ao ano; nos EUA, Fed mantém juros entre 3,5% e 3,75%

18 de junho de 20266min
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Míriam Leitão comenta as decisões do Banco Central brasileiro, ao reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, bem como a do Federal Reserve, dos EUA, que manteve os juros diante das pressões inflacionárias agravadas pela guerra entre EUA e Irã. Confira.

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Participantes neste episódio3
M

Miriam Leitão

HostJornalista
B

Beatriz Pacheco

Co-hostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Léo Dias e ameaças à Seleção BrasileiraRedução da Selic no Brasil · Manutenção dos juros nos EUA · Comunicação do Copom · Inflação no Brasil · Horizonte relevante de inflação · Estímulos do governo brasileiro · Comunicação do Federal Reserve · Possível alta de juros nos EUA
  • Boletim Focus do Banco CentralCoponês · Hieróglifos · Forward guidance
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MLMiriam Leitão

Dia a dia da economia com Miriam Leitão. Bom dia para você, Miriam Leitão.

MLMiriam Leitão

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.

?Voz D

Bom dia, Miriam.

MLMiriam Leitão

Míriam, aqui no Brasil o Comitê de Política Monetária reduziu taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, agora estamos com 14,25% ao ano. Lá nos Estados Unidos o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 13,5% e 13,75% ao ano. Alguma das duas decisões saiu do padrão que se esperava?

MLMiriam Leitão

Não saiu do padrão, eu já tinha contado aqui, Milton e Cássia e ouvintes, que haveria isso, né, que seria manutenção lá e aqui cair 0,25. Isso não é uma surpresa para ninguém, mas o que todo mundo olha no caso do Banco Central aqui e lá é o que que eles emitem de comunicado, né, que eles emitem de sinais. Você sabe, Milton e Cássia, que tem um dialeto falado no Banco Central que chama "componentes". É o Copom, Coponês, e é um dialeto do economês.

Eu chamei na minha coluna de sânscrito, mas o Vinícius Torres Freire na Folha de São Paulo chamou de hieroglifos. Então eles falam por essas linguagens e eu queria explicar essa linguagem. A primeira coisa que falou é o seguinte: olha, manutenção, ok, mas o que que vai fazer em seguida? Muita gente no mercado achava que ele ia parar de subir juros, ia dar um sinal sobre isso. Ele não deu esse sinal, portanto ele não parou ainda de subir juros, mas também não se compromete a continuar mantendo esse ciclo.

Ele também não disse explicitamente, mas ele fez uma, no comunicado ele falou de primeiro semestre de 2028. Aí todo mundo olhou isso aí com surpresa, porque o que a gente fala assim, como é que tá a inflação, né? Se você me perguntar, eu vou responder para você, tá 4,7% nos últimos 12 meses terminado em maio, na última, índice do IBGE. Ou eu posso falar, a inflação tá em 5,3, que a previsão do mercado financeiro no Boletim Focus, que é divulgado toda semana pelo Banco Central.

Então, mas eles não olham esse, ele fala sobre esse número, mas ele não olha esse número. Ele tem que olhar 18 meses à frente, que ele chama de horizonte relevante. É para essa inflação que o Banco Central tá olhando. E nessa inflação do horizonte relevante, né, ficou em 3,7, ou seja, tá indo para meta. Só que ele se referiu ao começo de 2028. É o mercado falou: nossa, mas isso aí é uma mudança, porque ele tá olhando além do horizonte relevante.

É que no próximo, na próxima reunião, é para onde ele estará olhando. E ele falou que nesse ponto, quando ele olha para o começo de 2028, a inflação está na meta, indo para meta, tem chance de estar na meta. Então isso significa que, isso pode significar que ele nesse caso então ele se permitirá reduzir taxa de juros, continuar reduzindo taxa de juros. Tem um outro, um recado lá, Cássia, para o governo, que ele criticou o excesso de estímulos da economia.

E o governo tem dado estímulos, e um dos estímulos é um estímulo de crédito. Por exemplo, quando ele cria linha de crédito subsidiada para motorista de aplicativos, por exemplo, ele tá colocando dinheiro na economia, é um crédito subsidiado, aumentando o crédito subsidiado. Ele falou que isso atrapalha. Então, para resumir aqui o que eu li nessa nessa língua deles, é que, olha, seguinte, estamos muito preocupados porque o cenário é difícil de a gente antecipar, por causa da guerra, por causa do El Niño, né?

E deu esse recado também: o governo tá estimulando a economia, isso atrapalha a minha vida. Mas eu, olhando por aqui, até onde eu quero olhar, para onde eu estaria olhando na próxima reunião, a inflação tá indo para meta, ou seja, eu posso continuar reduzindo taxa de juros. Então é isso, em resumo, o que foi falado em sânscrito no comunicado do Copom. Mas Banco Central dos Estados Unidos também teve recado diferente do que se esperava, Cássia.

?Voz D

Ah, também quero ouvir a sua tradução simultânea sobre a decisão dos juros lá nos Estados Unidos, Miriam.

MLMiriam Leitão

Pois é, todo mundo achava assim, o Kevin Walsh, né, que que vai, que que ele vai fazer? Ele não decide sozinho, mas ele é uma liderança importante, que é o presidente do Banco Central, agora nomeado pelo Trump com a missão de reduzir taxa de juros. Bom, não reduziu taxa de juros, né? E além disso, teve um recado da maioria dos integrantes, uma grande parte dos integrantes, de que pode ter alta de juros ao longo desse ano. E isso surpreendeu, isso surpreendeu, derrubou bolsa por causa desse recado.

Olha, gente, pode ser que a gente tem que subir taxa de juros ao longo do ano. Isso é claro, porque a inflação tá fora da meta, bem fora da meta. A meta deles é 2. Tá em 4. Então tem esse recado. Mas o que que fez o Kevin Walsh? Tirou o sofá da sala. Ele disse que não vai ter mais o que ele chama de forward guidance, ou seja, não vai ter mais uma indicação sobre qual vai ser o movimento futuro. O Banco Central há muito tempo tem feito isso.

Ele fala, o Banco Central Americano fala o que ele fez e o que ele fará na próxima reunião. Então ele agora disse que não terá mais essa indicação futura da decisão do Fed, Banco Central americano. Então teve novidades, apesar de ficar tudo no que tava previsto. Teve novidade nas comunicações.

MLMiriam Leitão

Muito obrigado, Miriam, e um bom dia. Até mais.

MLMiriam Leitão

Bom dia. Até mais.

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