PF aponta apartamento de R$ 2,5 milhões e pagamentos a enteada de Jaques Wagner como propina
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Milton
Cássia
Malu Gaspar
- Aquisição de Bens e Comprovação de RendaJaques Wagner · Daniel Vorcaro · Polícia Federal · Operação Compliance Zero · Master (empresa) · Boni Bonilla · Salvador
- Relações de Daniel Vorcaro com políticosDaniel Vorcaro · Hugo Motta · Ciro Nogueira · Gilmar Mendes · Augusto Lima · Cláudio Castro · Fundo Garantidor de Crédito (FGC)
- Modus operandi de pagamentos a familiares de políticosPagamentos indiretos · Empresas de familiares · Jaques Wagner · Hugo Motta
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Conversa de bastidor com Malu Gaspar. Muito bom dia para você, Malu Gaspar.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia para os nossos ouvintes.
Bom dia, Malu.
Que que você já apurou em relação a essa nona fase da Operação Compliance Zero?
Pois é, a gente já sabe que essa operação tá mirando o senador Jax Wagner, né? Mas o que eu apurei, gente, é que é o seguinte: há uma série de elementos recolhidos pela Polícia Federal no celular do Daniel Volcaro e também no material apreendido com o sócio dele, Augusto Lima, a respeito dessa relação antiga que o senador Jax Wagner tem com o Master, né, que começou lá atrás quando ele era governador e privatizou a Cesta do Povo, que era um supermercado estatal, que acabou depois dando origem ao Crédito Cesta, que se tornou um produto muito importante para os negócios do Master, que faz basicamente crédito consignado e cartão de benefícios, se espalhou por todos os estados, já foi inclusive alvo de investigação aqui no Rio de janeiro também.
E o que essas mensagens e todo o material apreendido pela PF mostram, Milton e Cássia, é que o senador Jacques Wagner não só recebeu o que a própria Polícia Federal classifica como propina por meio de pagamentos à empresa da sua enteada, Boni Bonilla, que teve contratos com o Master, mas também viajava com frequência nos jatos do Master, do Daniel Volcaro, mais um na Volcaro Airlines, né, e recebeu um apartamento de presente em Salvador avaliado em R$2,5 milhões.
Esses são os indícios que a Polícia Federal tá apontando na representação feita ao ministro André Mendonça e que levaram essa ação, que além do Jacques Wagner tá também buscando, fazendo buscas e tentando apreensões, né, em locais ligados aos operadores financeiros deles. Muitos desses pagamentos não eram diretos, eram feitos por empresas ligadas ligadas àquele ecossistema do Master, que a gente sabe que era bem ramificado, tinha uma teia muito grande de empresas, né? Então esse é o alvo da operação de hoje, é o que a gente sabe por enquanto.
Bom, Malu, e o que nós temos aí é aparentemente um modus operandi que vem se repetindo. Tô dizendo isso porque você tava falando da situação desses recursos que eram encaminhados não diretamente ao Jax Wagner, né, mas a um familiar. E a gente estava falando mais cedo a respeito daquelas mensagens no celular do Daniel Vorcari encontradas pela Polícia Federal, em que o presidente da Câmara pede um empréstimo para a empresa da cunhada. Também não era uma coisa diretamente encaminhada para o Hugo Motta.
Exatamente, Cássia. Aos poucos a gente vai vendo, primeiro constatando que a gente já sabia que o Vorcari, ele tinha conexões em todos os partidos, não era uma coisa ideológica. Era o negócio dele, era pragmático. Então ele atendia os políticos que o interessavam, né? Nesse caso do Hugo Motta, já é um indício a mais da sua mano na situação em que a gente vê ali ele reservando voo e hotel para Hugo Motta e Ciro Nogueira irem lá para o Gilmar Palooza, aquele evento promovido pelo ministro Gilmar Mendes em Lisboa.
Quer dizer, você vê que tá tudo conectado, né, Cássia? E aparentemente, no caso do Master, virou um mega banco para atender político também, né? E isso tem sempre contrapartida. Importante que a gente veja que, por exemplo, o presidente da Câmara, o Gomoto, disse: ah, não tem nenhum problema em viajar no avião do Master, que não tem nada a ver, não tem, não é ilegal. Não é ilegal quando você, se você quiser dizer, se você quiser, se você quiser se considerar, ou se para quem acha que é válido, é um empresário dar alguma coisa para um político.
Mas assim, sempre tem contrapartida. Repartida, não existe o almoço grátis, né. No caso do Ciro Nogueira, que viajou junto com Hugo Motta e foi alvo da última operação, que mostrou uma série de pagamentos, mesada, é uma série de benefícios, viagens e tudo, o retorno foi, por exemplo, havia vários retornos, mas um dos retornos era apresentação da chamada emenda master, né, que aumentava a cobertura do FGC do Fundo Garantidor de Crédito para Investimentos, em CDBs, de R$250 mil para R$1 milhão.
E aí, Cássia, é importante dizer que a apuração da PF de hoje sobre o Jacques Wagner também constatou que o Jacques Wagner ajudou o Master no lobby pela aprovação dessa Emenda Master. Então você vai vendo que o negócio ali não era um negócio partidário, era um negócio pragmático para atendimento dos interesses do Master. E todo mundo orbitava em torno dele, independentemente do partido, né. A gente sabe que essa ordem do ministro André Mendonça tá para ser liberada para o público, né, vai ser retirado sigilo.
A gente vai poder ver mais detalhes, mas até onde eu consegui saber são esses os principais indícios. E tem mais uma coisa que eu acho que é importante chamar atenção, o caso, que é o seguinte: o, até agora a gente vinha falando muito de Daniel Boccato, né, que é o centro todo da apuração, é banqueiro e tal. Mas tem esse personagem chamado Augusto Lima, que era o sócio do Rôcaro, que não é um personagem desimportante, pelo contrário, é um personagem muito relevante, porque tudo que a gente ouve aí de quem conhecia bem o funcionamento do Master e dos investigadores hoje é que é o seguinte: havia uma espécie de divisão entre os dois no trato com o sistema político.
Um cuidava mais do executivo e de autoridades do Judiciário, por exemplo, e um ou outro figurão da política, como por exemplo Ciro Nogueira, que era meio amigo do Vaccaro. Mas o outro, que era o Augusto Lima, lidava mais diretamente com políticos em geral, com governadores, né. Ali na operação sobre o Rio Previdência do Rio de Janeiro, a gente vê que algumas pessoas falavam direto com Augusto Lima. Tinha um executivo ligado ao Augusto Lima na Bahia que lidava com os lobistas ali do Cláudio Castro.
Então você vê que tem sim uma organização com atribuições divididas, exatamente como se costuma caracterizar legalmente a organização criminosa. Então, a essa altura, um político como Hugo Mota dizer que não vê nada demais em pegar um avião do Voo Caro para ir num evento em Lisboa promovido pelo ministro Gilmar Mendes, ou que não tem problema ganhar uma passagem de hotel, É querer tapar o sol com a peneira, né? Quero saber quem é que vai acreditar numa coisa dessas.
Muito obrigado, Malu, pelas suas informações aqui de uma operação que está em andamento nesse momento, se trazendo esses principais personagens desta nova fase em andamento. Lembrando que o Augusto Lima já havia sido preso anteriormente, hoje usa tornozeleira eletrônica, é alvo de busca e apreensão, não é alvo de prisão neste instante. Muito obrigado, bom dia para você.
Um, abraço, gente. Bom trabalho.
Até mais, Malu.
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