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‘Comitê de Política Monetária cumpriu tabela’

18 de junho de 20265min
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Carlos Alberto Sardenberg faz uma análise da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. Sardenberg cita a contradição entre a política econômica e a política fiscal. ‘Enquanto não resolver essa divergência de políticas, a taxa de juros no Brasil continua alta e continua muito alta’. Ouça.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Milton

Co-hostJornalista
Assuntos3
  • Política Monetária e Dívida PúblicaPolítica econômica · Política fiscal · Dívida pública · Estímulo à atividade econômica · Contas públicas
  • Decisão do Copom e SelicRedução da taxa básica de juros · Comitê de Política Monetária · Banco Central · Projeções de inflação · Meta de inflação
  • Corte de Juros no BrasilTaxa de juros alta · Impasse e divergência de políticas
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CACarlos Alberto Sardenberg

Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia para você, Sardenberg.

?Voz C

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, Carlos Alberto. Bom dia, ouvintes.

CACarlos Alberto Sardenberg

Copom reduziu taxa de juros 0,25 ponto percentual, agora está em 14,25% ao ano. O que que você analisa não só dessa medida, que já era esperada, como também das informações que saem dessa reunião?

?Voz C

Pois é, Milton, já que estamos em clima de Copa do Mundo, a gente poderia dizer que o Comitê de Política Monetária cumpriu tabela, né? Quando a gente diz no futebol que um time vai cumprir tabela, é o seguinte: vai para o jogo que ele já está classificado ou já está desclassificado, enfim, o jogo que não tem uma importância imediata, direta, né? E é mais ou menos isso, era esperado, estava mais ou menos contratado, como diz o mercado, que o Banco Central reduziria mais um pouco a taxa básica de juros, 14,25 agora, mas você veja que o clima, o ambiente assim de instabilidade, tanto externo quanto interno, fez com que houvesse alguma mudança interessante, né, que é o seguinte: o Banco Central, ele, quando ele calcula as projeções de inflação para ver se a inflação vai para meta, sempre lembrando, a meta é 3%, ele sempre considera o que ele chama de horizonte relevante.

Quer dizer, você faz a taxa de juros hoje e quando que ela vai produzir efeito? Em geral, é lá para frente. Então, por exemplo, o horizonte relevante dessa essa reunião do Banco Central de ontem era o quarto trimestre de 2027, quer dizer, o quarto trimestre do ano que vem. Mas o Banco Central faz uma referência dizendo que nesse período, inflação no último trimestre de 2027, que a inflação não tá na meta, tá acima da meta, tá em 3,7% na projeção do próprio Banco Central.

Ora, regime de A inflação é assim: se a inflação tá acima da meta, se a projeção tá acima da meta, a taxa de juros não pode cair. Mas o Banco Central disse que no trimestre seguinte, que é o primeiro de 2028, a inflação tá na meta. Então tudo bem reduzir a taxa de juros agora. Então você veja, o Banco Central tem seguidamente adiado, né, o prazo em que ele vai cumprir a meta de inflação de 3%. E isso tem uma explicação, é que é uma incompatibilidade contradição entre a política monetária de restrição, né, de juros altos para restringir a atividade econômica, e a política econômica do próprio governo, que é uma política de estimular a atividade econômica.

O governo tá despejando um caminhão de dinheiro na economia nesse ano eleitoral, já vinha antes. O governo sistematicamente gasta mais do que arrecada desde o seu primeiro ano e continua gastando mais do que arrecada. Isso vai aumentando a dívida pública, o que aumenta a taxa de juros. Então há contradição entre a política econômica e a política que a gente chama de política fiscal, que é a política de controle das contas públicas, que está sendo feita uma política de não controle das contas públicas, isto é, o déficit aumenta sempre, a dívida aumenta.

Quanto maior a dívida, maior a taxa de juros. Então, o Banco Central fica numa situação muito difícil, porque ele tem que usar os instrumentos que tem, que é balizar a taxa de juros, mas o governo Governo tá botando fogo na economia, tá acelerando. É aquele velho, aquela velha imagem, né? O Banco Central tá botando o pé no brake da economia e o governo tá botando o pé no acelerador. E aí não dá certo mesmo, não tem como você atingir a meta de inflação e não tem como reduzir substancialmente a taxa básica de juros, porque mesmo com essa queda de, para 14,25%, ela continua sendo muito alta.

Então, enquanto não resolver essa impasse, essa divergência de políticas, a taxa de juros no Brasil continua alta e continua muito alta. Esse é o resultado final de toda essa história. Taxa de juros vai continuar alta e muito alta, Milton e Cássio.

CACarlos Alberto Sardenberg

Muito obrigado, Sardenberg. Até logo mais, no meio-dia.

?Voz C

Até mais.

?Voz A

Até.

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