‘Comitê de Política Monetária cumpriu tabela’
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- Corte de Juros no BrasilTaxa de juros alta · Impasse e divergência de políticas
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Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia para você, Sardenberg.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, Carlos Alberto. Bom dia, ouvintes.
Copom reduziu taxa de juros 0,25 ponto percentual, agora está em 14,25% ao ano. O que que você analisa não só dessa medida, que já era esperada, como também das informações que saem dessa reunião?
Pois é, Milton, já que estamos em clima de Copa do Mundo, a gente poderia dizer que o Comitê de Política Monetária cumpriu tabela, né? Quando a gente diz no futebol que um time vai cumprir tabela, é o seguinte: vai para o jogo que ele já está classificado ou já está desclassificado, enfim, o jogo que não tem uma importância imediata, direta, né? E é mais ou menos isso, era esperado, estava mais ou menos contratado, como diz o mercado, que o Banco Central reduziria mais um pouco a taxa básica de juros, 14,25 agora, mas você veja que o clima, o ambiente assim de instabilidade, tanto externo quanto interno, fez com que houvesse alguma mudança interessante, né, que é o seguinte: o Banco Central, ele, quando ele calcula as projeções de inflação para ver se a inflação vai para meta, sempre lembrando, a meta é 3%, ele sempre considera o que ele chama de horizonte relevante.
Quer dizer, você faz a taxa de juros hoje e quando que ela vai produzir efeito? Em geral, é lá para frente. Então, por exemplo, o horizonte relevante dessa essa reunião do Banco Central de ontem era o quarto trimestre de 2027, quer dizer, o quarto trimestre do ano que vem. Mas o Banco Central faz uma referência dizendo que nesse período, inflação no último trimestre de 2027, que a inflação não tá na meta, tá acima da meta, tá em 3,7% na projeção do próprio Banco Central.
Ora, regime de A inflação é assim: se a inflação tá acima da meta, se a projeção tá acima da meta, a taxa de juros não pode cair. Mas o Banco Central disse que no trimestre seguinte, que é o primeiro de 2028, a inflação tá na meta. Então tudo bem reduzir a taxa de juros agora. Então você veja, o Banco Central tem seguidamente adiado, né, o prazo em que ele vai cumprir a meta de inflação de 3%. E isso tem uma explicação, é que é uma incompatibilidade contradição entre a política monetária de restrição, né, de juros altos para restringir a atividade econômica, e a política econômica do próprio governo, que é uma política de estimular a atividade econômica.
O governo tá despejando um caminhão de dinheiro na economia nesse ano eleitoral, já vinha antes. O governo sistematicamente gasta mais do que arrecada desde o seu primeiro ano e continua gastando mais do que arrecada. Isso vai aumentando a dívida pública, o que aumenta a taxa de juros. Então há contradição entre a política econômica e a política que a gente chama de política fiscal, que é a política de controle das contas públicas, que está sendo feita uma política de não controle das contas públicas, isto é, o déficit aumenta sempre, a dívida aumenta.
Quanto maior a dívida, maior a taxa de juros. Então, o Banco Central fica numa situação muito difícil, porque ele tem que usar os instrumentos que tem, que é balizar a taxa de juros, mas o governo Governo tá botando fogo na economia, tá acelerando. É aquele velho, aquela velha imagem, né? O Banco Central tá botando o pé no brake da economia e o governo tá botando o pé no acelerador. E aí não dá certo mesmo, não tem como você atingir a meta de inflação e não tem como reduzir substancialmente a taxa básica de juros, porque mesmo com essa queda de, para 14,25%, ela continua sendo muito alta.
Então, enquanto não resolver essa impasse, essa divergência de políticas, a taxa de juros no Brasil continua alta e continua muito alta. Esse é o resultado final de toda essa história. Taxa de juros vai continuar alta e muito alta, Milton e Cássio.
Muito obrigado, Sardenberg. Até logo mais, no meio-dia.
Até mais.
Até.
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