Episódios de Comentaristas

'Não teve surpresa na decisão do Copom, teve surpresa na comunicação'

18 de junho de 20266min
0:00 / 6:18
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e representa o terceiro corte consecutivo da Selic. Ouça a análise de Miriam Leitão.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

ConvidadoJornalista
M

Miriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos3
  • Desenvolvimento da comunicação em criançasSurpresa na comunicação · Incertezas sobre o futuro da taxa de juros · Crítica a estímulos do governo · Previsão de inflação para 2027/2028
  • Decisão do Copom e SelicRedução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual · Terceiro corte consecutivo da Selic
  • Banco Central dos Estados Unidos· EconomiaIndicação de possível aumento de juros · Impacto global de aumento de juros nos EUA · Kevin Walsh · Donald Trump
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MLMiriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Miriam, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Boa tarde, Miriam.

?Voz C

Bom, Miriam, conforme o esperado, o Comitê de Política O Conselho Monetário do Banco Central reduziu ontem a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. Mas o que que você viu no comunicado, que enfim é o comunicado que tem ali as informações mais importantes, Miriam?

MLMiriam Leitão

Pois é, Sardenberg, não teve nenhuma surpresa nem aqui nem nos Estados Unidos, e ao mesmo tempo surpreendeu. O mercado inclusive hoje está reagindo às surpresas. Então isso é que é curioso, não teve surpresa na decisão, teve surpresa na comunicação aqui e lá, né? E começando com nosso próprio país, que é o mais importante para nós, é a comunicação não deixou claro que muitas casas, muitas casas bancárias estavam achando que ia ser uma comunicação clara dizendo: acabou, não vou mais descer taxa de juros, porque há muita incerteza e algumas críticas ao governo.

Então isso realmente, ele disse que há muitas incertezas e falou especificamente do Oriente Médio, falou da dúvida sobre se esse acordo de paz vai ser bem-sucedido ou não, em questão, a questão do preço do petróleo para cima e para baixo, as dúvidas em geral. E fez uma crítica ao governo sobre estímulos à economia, né? Ele tá fazendo o que que ele faz quando ele sobe taxa de juros? Ele tenta esfriar a economia para sim controlar a inflação, levar a inflação para meta.

Essa é a função do Banco Central. Aí o governo, ele tem estimulado para evitar a queda da economia, a redução forte do crescimento, tem estimulado, estimulado com medidas como, por exemplo, empréstimos subsidiados a motorista de aplicativos para comprar um novo carro, ou outras medidas que o governo tem tomado até reduzindo o impacto da— para reduzir o impacto da guerra na inflação, ele tem aumentado o gasto. Então isso tudo é estímulo na economia.

?Voz C

Opa, perdemos o contato com a Miriam Leitão e vamos tentar refazer.

?Voz D

Caiu, a gente voltou e caiu bem no momento que a Miriam tava falando, né? O que que são esses estímulos à economia que foram criticados aí nesse documento, nesse comunicado divulgado pelo Banco Central do Brasil.

?Voz C

Voltou a Miriam Leitão.

?Voz D

Miriam, você tava falando dos estímulos, né?

MLMiriam Leitão

E além disso, quer dizer, o Banco Central, ele fez uma coisa que o mercado ficou meio com a pulga atrás da orelha, porque para o Banco Central o importante não é inflação de agora, que a inflação de agora já passou, é caso já feito, ou inflação desse ano já tá dado. Ele olha para diante, ele quando atua, ele tá mirando a inflação no que chama de horizonte relevante, que é o final de 2027. E lá ele tá prevendo uma inflação de 3,7, ou seja, inflação vai cair, mas não ainda estará no centro da meta.

Mas ele acha que isso é possível acontecer no primeiro trimestre de 2028. Então ele foi além do horizonte relevante. O que o mercado diz é o seguinte: é porque ele já tá olhando qual será o horizonte relevante quando ele fizer a próxima reunião. Mas isso aí que não era esperado, né? E então o que no mercado se achou é que ele foi mais dovish, né, que ele foi mais suave na análise da economia, não foi tão duro como se esperava que fosse, porque a inflação tá subindo.

Então isso foi a surpresa. Em relação aos Estados Unidos, a surpresa foi a indicação de que talvez os juros tenham que subir esse ano. E já tinha essa ideia, mas a partir da declaração de ontem, tem gente prevendo uma antecipação do aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. E se os Estados Unidos sobem taxa de juros, aí sobe taxa de juros no mundo inteiro, afeta o mundo inteiro. É por isso que eu disse, Sardenberg, que não teve surpresa nas decisões.

Manter a inflação, manter os juros lá, e aqui cair 0,25. Ponto percentual. Mas aqui se esperava que o Banco Central fosse mais duro na análise e ele não foi. Disse que é possível que, né, deixou entreaberta, não disse exatamente em redução, mas deixou entreaberta a porta para novas reduções. E lá nos Estados Unidos, o cara que foi nomeado pelo Trump para reduzir juros talvez tem que entregar um aumento de taxa de juros no curto prazo, no ano eleitoral.

Isso é bem amargo para Donald Trump. Kevin Walsh na presidência do Fed entregando má notícia a Donald Trump.

?Voz C

Obrigado, Miriam. Até amanhã.

MLMiriam Leitão

Até amanhã.