As lições de comunicação e liderança da franquia de O Diabo Veste Prada
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- Crônica "Marca Diabo"Liderança autocrática vs. moderna · Humanização das relações corporativas · Vulnerabilidade do líder moderno · Importância do reconhecimento · Proatividade do liderado · Fim da liderança tóxica · Comunicação aberta e transparente · Proximidade e menos hierarquia
- Desenvolvimento de LiderancaMudanças no jornalismo e moda · Impacto da internet e redes sociais · Crise de imagem e cancelamento
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Leny Quirilhos já está conosco. Boa tarde para você, Leny.
Boa tarde, Cássia. Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde para todos.
Leny, hoje nós vamos trazer aqui a dúvida do nosso ouvinte Antônio de São Paulo. E o Antônio, ele foi assistir O Diabo Veste Prada 2 e ele ficou bem impactado. E aí ele te pergunta: Leny, me ajude a entender as lições de comunicação e liderança para um filme como esse.
E tem muitas, né? Nossa, aliás, esses dois filmes, gente, o número 1 e o número 2, eles mostram diferenças muito impactantes nesses processos. Claro que eu fui tentar rever o primeiro, né? Porque 20 anos de diferença, nem imaginava que era tanto. Primeiro filme foi, aconteceu em 2006 e agora 2026, 20 anos depois. Então vamos lá, no primeiro, Cassia Sardenberg, a gente via a Meryl Streep maravilhosa no papel da Miranda como editora-chefe de uma revista mega prestigiada de moda, a Runway.
E aquela figura que mostrava pra gente de uma maneira muito clara o líder lá de trás, que é o famoso "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Numa liderança autocrática caracterizada pela grosseria, pelo assédio. Ela era a rainha da cocada preta. Tem uma cena daquele filme que ela chega pra trabalhar e as pessoas ficam sabendo que ela tá pegando elevador, todo mundo sai correndo. Tira o sapato que tava usando, coloca um sapato de salto alto, corre pra pegar o café do jeito que ela gosta.
Então imaginem o nível de stress, de tensão. E ela pedia coisas que não tinham muita lógica. Por exemplo, você deve lembrar, Cássia, o manuscrito do Harry Potter, a filha que queria ver antes de ser publicado. Nesse outro momento, a gente observa uma mudança muito grande, tanto no jornalismo como no modo, no mundo da moda, quero dizer. Então assim, Houve uma questão importante, internet bombando, trazendo modificações nesse processo.
E na época, a Miranda tinha dado uma bola fora numa entrevista que ficou muito mal para revista. Revista perdeu seguidores, foi cancelada, teve uma série de coisas aí. E é chamada então para salvar a pátria a Andy, que era uma jornalista estagiária no primeiro, mega desrespeitada pela Miranda. Que agora é um destaque na área de trabalho sobre crise, condução de momentos de crise, por aí vai. Bom, então o que chama atenção? E eu quero mostrar para o Antônio e para os nossos outros ouvintes.
Primeiro, gente, uma ideia muito forte de humanização das relações. Uma coisa que me chamou muito a atenção: aparece uma cena da Miranda com a Andy e outras pessoas num convento em Milão, onde tem Sardenberg o quadro da Santa Ceia. E ela faz referência ao quadro dizendo que aquele é o único quadro do Leonardo da Vinci onde Jesus não está com a auréola. E ela fala assim: tá vendo? É, eles estão querendo humanizar a figura. E é isso na prática.
Nesse segundo momento, a líder, ela, para dar conta do recado, ela já tem que se colocar de uma forma mais humana. Tem uma outra cena onde ela, desesperada pela situação— eu vou tomar cuidado aqui para a gente não dar spoiler, né— ela aparece com lágrima no olho, chateada com algo que aconteceu lá, uma mudança, mostrando mais uma vez essa vulnerabilidade do líder moderno, que se coloca numa condição de mais proximidade com os liderados.
E me chamou atenção o fato da Andy, já uma mulher adulta consagrada, que não tinha mais a insegurança essa daquele tempo, se sentir extremamente motivada a colaborar espontaneamente com a Miranda. Ela faz de tudo e ainda consegue reverter uma situação que tava difícil e complicada para Miranda. Então, a dedicação, o empenho, ele vem muito dessa motivação de você perceber o líder como uma pessoa como você, humanizada. Que respeita, que toma cuidado.
Aliás, tem uma cena da nova secretária dela, que era o papel da Andy, atrás dela que nem doida, tomando cuidado para não falar palavras. Isso ela fala toda hora, não pode, isso não pode, isso não pode. Exatamente, no politicamente correto, evitando aí a questão do assédio. E uma outra cena que me chamou atenção para essa evolução foi quando a Andy fala com a Miranda sobre o reconhecimento do valor do papel daquele braço direito e esquerdo dela, que é o Engel, né?
E aí ela vai falar assim: puxa, Engel, você é— nossa, você sabe que você é muito importante para mim. Ou seja, ela demonstra o reconhecimento pelo valor e pela importância dele. Nós sabemos, gente, a ciência mostra isso muito claramente, que o maior preditor, o melhor mobilizador de motivação entre os funcionários É o reconhecimento. O reconhecimento vale muito mais do que você dar um bilhete para a pessoa viajar, você dá uma remuneração.
Essas coisas materiais, elas, óbvio que são legais, a pessoa gosta, mas a motivação não se sustenta muito tempo. O que mais motiva, o que mais faz com que o funcionário queira trabalhar com boa vontade é o reconhecimento, especialmente o reconhecimento público. Na frente dos outros. Agora, olhando essa cena, minha sobrinha tava comigo, ela é psicóloga, trabalha com pessoal de RH em banco, com treinamento. Ela falou assim: Madra, mas também tem uma coisa aqui.
Ela me chamou atenção. Ela não reconheceu, mas o Engel foi muito passivo. Ele nunca demonstrou, ele nunca foi proativo em busca de mostrar o que ele precisava.
Ele gostaria, por exemplo, de fazer algumas aberturas dos eventos, nunca manifestou isso para ela. E a Andy percebeu, perguntou para ele se ele queria e foi comunicar isso para Miranda, né?
Exatamente. E ele se saiu bem, não é, Cássia? Quando ele teve o papel de fazer, ele entregou muito bem, resolveu o problema dela, porque ela precisava sair para resolver algumas coisas, não é? E foi importante. Então a gente tá chamando atenção aqui para o papel do líder Mas também temos que considerar que o liderado tem que assumir um papel proativo. Tá resumindo, gente, o fim da liderança tóxica, não rola mais, não funciona mais.
A importância da comunicação aberta e transparente, a necessidade de proação, de posicionamento estratégico do liderado, o relacionamento trazendo negócios e vínculos. Tem a solução no final da história, né, de uma perrenga que aconteceu por conta do bom relacionamento e do vínculo que elas estabeleceram com uma pessoa bem marcante. E a ideia da maior proximidade, de menos hierarquia, dos ambientes mais próximos, com mais acessibilidade. Muitas lições para a gente refletir.
Tá certo.
Leny Quirilhos, muitíssimo obrigado, Leny. É, agora poderia os chefes fazer o reconhecimento e dar, né, a viagem junto. Aí é o melhor dos mundos.
As coisas não são excludentes.
Gostei, gostei também. Ótimo, maravilha! Obrigada, gente. Ótimo restinho de semana aí para vocês, para todos. Até mais, até mais!
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