Ia Genberg, uma das autoras mais interessantes da ficção nórdica atual
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José Godoy
Fernando
Nadéjia
- Detalhes da excelênciaIa Genberg · Detalhes · Ficção nórdica · International Booker Prize · Função da literatura · Atenção aos detalhes na ficção · Relações íntimas e profundas
- Contexto internacionalViagem cultural através da leitura · Ficção nórdica · Impacto do ambiente na vida · Marginalidade social em Estocolmo · Estado de bem-estar social
- Indicação de livro técnicoIa Genberg · Detalhes · Fernanda Axson · Editora Fósforo
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Clube do Livro, Clube do Livro CBN, com José Godói.
Boa tarde, José Godói, tudo bem?
Oi, Fernando, boa tarde, boa tarde, Nadéjia, boa tarde aos ouvintes.
Boa tarde.
Hoje vamos falar sobre uma ficção da sueca Ia Nyberg. O nome do livro se chama Detalles, foi finalista do International Booker Prize e saiu agora no Brasil.
Vamos lá. Sim, acabou de sair aqui no Brasil, Fernando, o primeiro livro da Ghenberg aqui. A Ghenberg acho que é uma das autoras mais interessantes da ficção nórdica atual. Eu fiquei muito impactado com o livro. Esse é um livro assim, a literatura não precisa servir para nada, né? Assim, a literatura não faz parte do mundo prático, não resolve não auxilia, não facilita a vida de ninguém. Por outro lado, ela te traz uma riqueza, uma abertura ao inesperado, que a gente às vezes não tem noção dessa possibilidade fora desse contato com o contexto literário.
Nós já começamos bem, hein? Quando você fala que ficou muito impactado e descreve desse jeito é porque o negócio é bom.
Pois é, aí acho que ela tem uma sensibilidade muito grande de capturar essa Não essa função, mas essa forma da ficção enquadrar o mundo e o modo como esse enquadramento é capaz de alcançar espaços que não são comuns no nosso dia a dia. O "Detalhes", na verdade, esse livro que eu falo hoje, acho que ele é muito sobre o cerne do trabalho ficcional. O que faz a riqueza da ficção é justamente essa atenção aos detalhes. Você, Nadede, nossos ouvintes vão se recordar quando leem, quando estão lendo ou já leram um texto ficcional, provavelmente os momentos mais fortes nesse contato com essas obras vai se dar por uma sensibilidade muito rara do escritor de capturar detalhes de alguns personagens.
É nesse momento que o personagem ganha uma materialidade que faz a gente Imaginar esses habitantes de papel e tinta que vivem dentro dos livros como pessoas de verdade, como pessoas que existem no nosso mundo e cria essa conexão. O detalhe, essa sensibilidade rara ao detalhe é o que captura, é o que faz a gente ter esse contato mais profundo com as obras. A Ia faz isso muito bem aqui ao contar Ela conta a história dessa narradora, é uma espécie de autobiografia, de certo modo é uma autobiografia, só que por meio das relações, de algumas das relações mais importantes que essa narradora teve na vida dela.
Então você imagina alguém que está contando a própria vida pelo meio dos grandes encontros que ela teve na vida com algumas pessoas. São 4 grandes encontros, que são 4 grandes personagens que ela está relatando aqui, dois amores, uma amiga e a mãe. E conforme ela vai contando as histórias dessas relações em diferentes momentos da vida dela, a gente vai entendendo a própria trajetória dessa narradora, quem ela é, como ela foi se formando até amadurecer, e de que modo essas relações, que acabam em algum momento da vida delas, dela, permanecem por toda a vida, mesmo que tenham sido relações há muito terminadas, elas resistem dentro dessa narradora, como acho que muitos de nós somos ainda ocupados, habitados por relações que há muito encerradas nas nossas vidas, e de certa forma essas relações vão constituindo a nossa própria formação como sujeito.
Então é um livro muito sobre essa capacidade rara de capturar essas relações muito íntimas, profundas que alguém pode ter numa vida e como você, por meio de aspectos muito sutis que são capturados pela escrita, você vai revelando algo tão profundo como essas relações de uma forma muito impactante para quem está lendo. Então é um livro muito surpreendente, muito engenhoso na forma, no modo como ela estrutura essas histórias. E é um prato cheio assim para quem gosta de ficção, para quem se interessa por ficção. Um livro curto e intenso, Fernando.
Gostei.
E acho que a gente subestima muitas vezes, né, Zé, o poder que tem a gente ler livros de países que a gente não conhece a cultura, o cotidiano, cenário muito a fundo, né? A gente acaba viajando um pouco.
Muito. Eu acho que esse é um dos aspectos mais interessantes, né, Dede? Eu acho, eu adoro ler ficção de lugares que eu nunca fui, conheço muito pouco. Hoje mesmo eu estava lendo um livro sobre uma região insular da Colômbia e ali eu me confrontava com a minha profunda, meu profundo desconhecimento com aquele lugar no mundo, né. E aí você vai, é incrível essa possibilidade, né, que ainda mais textos ficcionais vão revelando aqueles lugares para gente, né.
E essa ficção nórdica que hoje é muito forte, né, a gente tem grandes escritores suecos, dinamarqueses, noruegueses, traduzidos para o português hoje, a gente tem a possibilidade não só de ter contato com esses lugares físicos, de entender essa vivência num lugar mais frio, essas paisagens totalmente diferentes da nossa, mas tem o impacto da paisagem interior mesmo desses personagens, porque não tem muito como a gente escapar disso, desse impacto do ambiente nas nossas próprias trajetórias, escolhas de vida, onde você vive, o contato que você tem com a natureza ou não, com que tipo de natureza, os modos de viver, Como é uma casa num lugar como esse, por exemplo, ou como é a vivência numa sociedade tão mais desenvolvida como a nossa, como é a sueca.
E a gente vê, por exemplo, nesse livro, uma série de personagens que habitam uma certa marginalidade em Estocolmo. Marginalidade não no sentido do crime, mas de gente que consegue viver com muito pouco dinheiro e fazer uma vida, porque todas as outras questões estão resolvidas pelo Estado. E isso acho que revela essa realidade social, às vezes é muito instigante para a gente tentar imaginar como são vidas tão diferentes das nossas aqui, da nossa vida social no Brasil também, né?
Perfeito, Zé Godoy, vamos lá. O livro, a editora, ah, temos aí também o tradutor?
Temos até tradutor.
Vamos lá, diga lá.
Estamos faltando só quem fez o trabalho gráfico, vai ser a próxima parte aqui, tá?
Ah, legal.
Capistas, né? Vou dar uma ficha enorme daqui a pouco aqui no Clube do Livro. Mas ó, falei hoje da sueca Ia Genberg, De Tales, né, o nome do livro dela, traduzido diretamente do sueco, muito boa tradução da Fernanda Axson. Espero que eu tenha acertado o nome, porque aquele A com aquela bolinha em cima que eu nunca sei como que é foneticamente, mas algum sueco que tem nomes com bolinha em cima do A vai me corrigir se eu tiver errado. —e ensaio pela editora Fósforo aqui no Brasil.
Zé Godoy, obrigado.
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