Os muitos nomes da Alemanha e do Japão na língua portuguesa
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Professor Pasquale
Fernando
Nadedja
- Nomes da Alemanha em portuguêsAlemanha · Germânia · Teutônia · Teutônico · Germânico · Germano · Tedesco
- Nomes do Japão em portuguêsJapão · Nippon · Nipônico · Nipo-brasileiro
- Filosofar em alemãoFilosofia · Alemão · Martin Heidegger · Caetano Veloso
- Poeta japonês Ba Shō e haicaiBa Shō · Haikai · Japão · Paulo Leminski
- Hinos sem letraEspanha · Bósnia · San Marino · Giosuè Carducci
- O Inferno da GuerraBlitz · Guerra relâmpago · Alemão
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A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.
Professor Pasquale, boa tarde.
Boa tarde, Fernando. Boa tarde, Nadedja. Boa tarde, Ouvintes, boa tarde, professor. Hoje com o terceiro capítulo, a mensagem, viram a mensagem que eu mandei para vocês aí?
Sim, sim, da Espanha, que também o hino não tem letra, né? Ouvintes também mandaram, obrigado, não sabia. Então Bósnia e Espanha, países que estão na Copa, hinos que não tem letra.
E há um país também, um minúsculo país da Europa chamado San Marino, República de San Marino, que fica dentro da Itália. Esse país tem um hino que tem letra, só que a letra nunca foi adotada. A letra é, por sinal, de um poeta italiano clássico chamado Carducci, Giosuè Carducci, mas o Estado de San Marino nunca adotou a letra. Então, quando se toca o hino de San Marino, é só melodia.
Muito bem. E a gente vai seguir falando sobre curiosidades, né, envolvendo países da Copa do Mundo, gentílicos, e outras coisas.
Sim, sim, sim, sim, vamos lá. Um país que não foi mencionado ainda é um país que vai aparecer indiretamente na letra de uma canção. Fernando, você tava com saudade de Língua de Caetano Veloso?
Tem sempre saudade. Vamos tocá-la, vamos lá.
Nós vamos pegar um pedaço que eu acho que nunca peguei, porque a canção é grande e ela tem uma letra longa. Eu vou pegar um trecho. Quem canta é o Caetano junto com a Elza Soares. É antológica essa gravação, disco Velo de 1984. Vai haver uma frase aí muito interessante e muito polêmica. Vamos lá.
O que quero que pode é Dani One!
Onde o laço sambou do amor, nos América Latina e fora.
O que quero que pode é Dani One!
Incrível! É melhor fazer uma canção. Está provado que só é possível filosofar em alemão. Se você tem uma ideia incrível, é melhor fazer uma canção. Está provado que só é possível Impossível filosofar em alemão. Blitz quer dizer corisco. Hollywood quer dizer ACV. E o recôncavo, e o recôncavo, e o recôncavo, meu medo. A língua é minha pátria e eu não tenho pátria, tenho mátria e quero prática.
A língua é minha pátria e eu não tenho pátria, tenho mátria e quero prática.
Bota maravilha nisso. Quando ele diz blitz quer dizer corisco, blitz quer dizer corisco, viu, exatamente isso. Uma Blitz lá do alemão, né, que é a redução de uma palavra imensa que eu não vou me atrever a pronunciar. Ontem eu já tentei pronunciar aqui Áustria em alemão, né, os alemães que ouviram o programa devem ter dado muita risada. E é o Blitz, uma palavra imensa que é reduzida para Blitz, que hoje em dia virou sinônimo de batida policial e tal, mas isso vem de— a palavra inteira quer dizer guerra relâmpago, né, e daí blitz, que é essa coisa do— mas em suma, a letra do Caetano diz assim: Incrível, é melhor fazer uma canção.
Está provado que só é possível filosofar em alemão. Se você tem uma ideia incrível, é melhor fazer uma canção. Está provado que só é possível filosofar em alemão. O Caetano aí está sendo extremamente irônico, ele está falando da língua, da nossa língua, ele faz uma viagem antropológica, social, histórica maravilhosa sobre a nossa língua, e aí ele cita uma frase de um filósofo alemão, Martin Heidegger, do qual o Caetano é leitor, não nos esqueçamos de que Caetano Veloso estudou filosofia na Universidade Federal da Bahia, E ele, o Heidegger, diz, dizia, né, que só o grego e o alemão podiam se prestar à filosofia e tal.
O Caetano tá sendo irônico aí para dizer que não é assim, que é possível filosofar em qualquer língua, no português ou na língua que for, e não só em alemão. Alemão é uma das formas que a gente tem em português, sem dúvida nenhuma a mais usada, né, para que se faça referência a um país chamado Alemanha. Chamado Alemanha em português. Como é que se chama Alemanha em italiano, querida Nadedja?
Germania.
Ecco, Germania, né. Embora exista a palavra correspondente à Alemanha em italiano, ninguém usa. É Germania, Então prestem atenção nessa letra que eu fui cavar, né? Eu e minhas maluquices aqui de pesquisas e tal. Vocês vão ouvir agora uma canção chamada Na Casa do Seu Tomás. Essa gravação é de 1938, composição de Antônio Nácera e J. Cascata. Quem canta pra gente é Dircinha Batista, com direito aquele arranjo típico daquela época.
São muitos anos, né, 88 anos. Vamos ouvir e vai haver uma palavra aí, e uma, duas na verdade, né, uma ligada a outra. Uma delas tem a ver com isso que a nossa Nadete acabou de dizer. Vamos ouvir.
Take it back, man, da mar. E a garotada quando é hora do almoço não tem um osso ainda, quer comer demais. E a garotada quando é hora do almoço não tem um osso ainda, quer comer demais. Tem dois casais na casa do seu Tomás, o primeiro é Ariana, o outro seu Bigermano, e são uns flagens danados, vivem só querendo brigar, só pensa na barriga, mas acaba tudo E aí, professor? Teuto e Germana.
É verdade, é Teuto e Germana, é música de carnaval, viu? Carnaval de 1938, vê se pode. Dois casais, o primeiro é Aritana, eu pesquisei tudo que pude sobre isso, não achei nada, né? O outro, Teuto e Germana. Sabe por que Teuto e Germana? Se o Brasil e a Alemanha fizerem um extratado, extratado vai ser teuto-brasileiro. Teuto, porque teuto se refere à Teutônia, que tem a ver com a Alemanha, não é? E germana, a mesma coisa, né? Tanto que a gente pode dizer em português, claro que ninguém diz, não é uso, mas isso tem registro, tem vida, né?
Teutônico germânico, germano, alemão. E também a gente pode dizer uma coisa, como é que é alemão em italiano, querida Nadédia?
Tedesco.
Exatamente, que por sinal é sobrenome de muita gente aqui no Brasil e na Itália, Tedesco, que quer dizer alemão, né? E existe em português, pode procurar aí, Fernando, se o dicionário estiver aberto, tedesco, né, você vai encontrar como sinônimo de alemão.
Tá, vou abrir aqui.
Achou?
Não, não, não tava com ele aberto, professor.
Tá, enquanto você procura, a gente vai— bom, tá resolvida a questão da Alemanha, tá? Então tudo isso, o acordo, Tratado Teuto-Brasileiro, é um tratado entre Alemanha e Brasil. E a Alemanha tem todas essas versões, né? Alemão, teuto, teutônico, germano, germânico, tedesco, tudo isso, tá? Bom, e como é que tá o nosso tempo? Eu posso ouvir outro? Um minutinho? Então esse minutinho, vamos lá, vamos ouvir uma canção de Zeca Baleiro, do maranhense Zeca Baleiro, cantada pela maranhense Rosa Reis.
Uma canção chamada Ba Xô. Se não der para comentar tudo, fica para amanhã. Amanhã nós vamos falar do Haiti, né, por razões óbvias. Vamos lá.
O samurai não cai nem cai, o samurai não vai nem vem. O samurai não cai nem cai, o samurai só tem foco, foco, atenção e relaxo. Passos e saltos, altos e baixos. No reino eletrônico ou no jardim nipônico, o poema é o que se quer.
Ba Shō, como é que foi, né? Poeta japonês, Ba Shō, foi ele que criou o haikai, haikai, né, que é uma forma poética tipicamente japonesa que depois no Brasil ganhou uma nova roupagem. E o nosso querido poeta lá de Curitiba, o Paulo Leminski, fazia muitos Ai, Raikaze, e o Zé Cabaleiro homenageia o Leminski nessa canção chamada Bachô. Então, nessa canção nós vimos japonês e vimos nipônico, né? Apareceram essas duas palavras na letra.
E nipônico tem a ver com o nome do Japão em japonês, né, que é Nippon, né? Jippon, Nippon. E daí, nipônico, por isso nipo-brasileiro, diz respeito a algo que une o Japão e o Brasil. O acordo nipo-brasileiro é um acordo entre o Japão e o Brasil. É isso.
Obrigado, professor, e até amanhã.
Amanhã vamos falar do Haiti. Beijo para vocês.
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