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Selic cai, mas por que os juros dos empréstimos continuam altos?

18 de junho de 20269min
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Ana Leoni e Nathália Larghi falam sobre a queda da Selic, os juros cobrados nos empréstimos e o impacto do recorde de inadimplência no acesso ao crédito.

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Participantes neste episódio2
A

Ana Leoni

Co-hostJornalista
N

Nathália Larghi

Convidado
Assuntos3
  • Empréstimos ConsignadosQueda da Selic · Juros de empréstimos · Risco de inadimplência · Cheque especial · Crédito pessoal não consignado · Crédito consignado · Cartão de crédito parcelado
  • Inadimplência e EndividamentoRecorde de inadimplência · Desenrola Brasil · 83 milhões de pessoas negativadas · Cautela dos bancos · Expectativas econômicas futuras
  • Planejamento FinanceiroPesquisar taxas de crédito · Comparar instituições financeiras · Evitar modalidades instantâneas e caras · Planejamento antes de se endividar
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?Voz A

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?Voz D

No fim das contas.

?Voz C

Hoje com Ana Leone, Natália Largue.

ALAna Leoni

Oi, Ana e Natália, tudo bem?

?Voz F

Bom, vamos lá.

?Voz C

A taxa Selic caiu novamente, chegou agora a 14,25% ao ano. E se os juros básicos da economia estão caindo, o custo de tomar um empréstimo tem que estar mais barato, ou teria que estar mais barato também, mas não é isso que a gente tá vendo. Por que, Natália?

ALAna Leoni

Então, Fernanda, é uma dúvida muito comum e ela faz todo sentido, né? Porque, como você falou, a Selic é a taxa básica de juros da economia, né? Então ela influencia o custo do dinheiro no país. Só que ela é só uma pequena parte da conta que os bancos fazem quando eles vão definir quanto que eles vão cobrar por um empréstimo. Então assim, para a gente tentar traduzir isso para o dia a dia, né? Imagina o preço do pão. Se a farinha fica mais barata, claro, isso ajuda, né?

Só que no final das contas, o preço do pão também é influenciado por várias outras coisas: o aluguel da padaria, o salário dos padeiros, a energia elétrica, enfim, vários outros custos, né? E aí, com os empréstimos acontece uma coisa parecida. Os dados mais recentes mostram isso bem claramente, né? A gente fez um levantamento lá no Valor Invest e a gente mostrou que, apesar da Selic ter caído para 14,25%, 5% ao ano, depois de ter ficado quase um ano ali nos 15%, algumas das linhas de crédito mais usadas pelos brasileiros ficaram até mais caras nesse último ano.

Então, por exemplo, cheque especial passou de uma taxa de 144% ao ano para mais de 151% ao ano. E não, vocês não ouviram errado, tá? Essa taxa anual mesmo, bem alta. O crédito pessoal não consignado, né, ou seja, aquele que não tá atrelado ao seu salário, pensão, saiu de cerca de 75% ao ano para mais de 87% ao ano. E isso aconteceu justamente porque os bancos não olham só para Selic, né? Eles consideram, por exemplo, o risco de não receber o dinheiro de volta, os custos operacionais de cada linha de crédito, porque cada uma tem um custo diferente para o banco, os impostos, né?

Também as expectativas para economia nos próximos meses. Além disso, quando a gente está falando, por exemplo, de cheque especial, crédito pessoal não consignado, são modalidades consideradas mais arriscadas, né? Porque normalmente não tem garantia. É diferente, por exemplo, de um financiamento de um veículo ou de um empréstimo consignado, né, que o banco tem um pouco mais de proteção ali caso o cliente não consiga pagar. Por isso, então, quando a Selic começa a cair, nem sempre as taxas cobradas do consumidor vão acompanhar esse movimento na mesma velocidade.

Em alguns casos elas podem até subir, como aconteceu com essas duas. Mas assim, antes de eu finalizar aqui, eu vou trazer um fio de esperança. Nem tudo tá perdido, porque teve empréstimo que barateou, aquisição de outros bens, por exemplo, saiu de uma taxa de 41% para 37,5% ao ano. E o cartão de crédito parcelado, que assim como cheque especial e o crédito pessoal não consignado, também tá ali entre as linhas mais caras, também barateou, mas barateou um pouquinho, saiu de 168% ao ano para 164% ao ano.

E aí outras linhas, como por exemplo consignado do setor privado, consignado dos funcionários públicos, consignado do INSS, ficaram ali mais ou menos no mesmo patamar de um ano para cá. Mesmo com a Selic um pouquinho menor.

NLNathália Larghi

E a gente viu muita gente falando sobre isso no momento ali da divulgação do Desenrola, né? Inclusive, acho que vale a gente explicar, né, Ana? Porque a gente viu recorde no número de brasileiros com dívidas em atraso. Então, qual que é a relação entre inadimplência e os juros gerais, né? Os juros que todo mundo paga.

?Voz D

É, Nadede, acho que esse é um ponto interessante, né? E tem, acho que, aquela máxima, né? Que os juros sobem de elevador. Quer dizer, os empréstimos, o preço dos empréstimos, juros dos empréstimos sobe de elevador, mas eles quando caem, eles caem de escada, a gente descendo de joelho, porque demora muito pra gente sentir no bolso essa diminuição. E por isso que essa relação que você traz, ela acaba sendo direta. Quando as pessoas deixam de pagar suas dívidas, os bancos precisam se proteger dessas perdas ou desse potencial de perda para aqueles inadimplentes ou aqueles endividados que ainda não se tornaram inadimplentes.

E uma das formas de fazer isso é aumentando o valor dos juros que são cobrados nesses novos empréstimos, porque é uma forma, a rigor, deles ficarem menos acessíveis. Essa que é a lógica. Ou eles ficarem mais caros e esse encarecimento ele protege mais o banco desse cenário que a Nath descreveu. Então é aquela lógica que muitas vezes as pessoas sentem no bolso, mas elas acabam nem percebendo, porque mesmo quem paga tudo em dia, ele está sendo impactado por esse aumento de inadimplência geral.

Então, como você mesmo colocou aí, a gente tem falado bastante sobre os programas de melhoria desse endividamento, entre elas o Desenrola, os próprios feirões do Serasa, mas hoje no Brasil a gente tem 83 milhões de pessoas negativadas segundo dados mais recentes aí do Serasa. Então significa, Nadedja, que os bancos, eles enxergam um ambiente de mais risco, porque está crescendo o número de pessoas que estão perdendo a sua capacidade de pagar de volta o dinheiro que elas pegaram emprestado.

E aí as instituições acabam ficando mais cautelosas na hora de fazer a concessão de novos empréstimos. E um outro ponto que é importante é que os bancos, eles trabalham olhando para o futuro, eles olham para o para-brisa e não muito para o retrovisor. Então, quando eles concedem um empréstimo, eles não avaliam só o cenário de hoje, mas qual também é esse potencial e o que pode acontecer nos próximos meses e próximos anos. Então, se existe uma incerteza sobre a inflação, sobre o crescimento econômico ou a capacidade das famílias de honrarem essas dívidas, as instituições tendem a manter os juros elevados e essas linhas de crédito cara justamente para conter um pouco isso.

Então por isso que a gente vê que na hora que a Selic cai, ela cai de um degrau para o outro, né, e a notícia é positiva, mas o consumidor demora para ver esse alívio no bolso, porque historicamente o crédito ele é um dos últimos setores que vão sentir os efeitos da queda de juros, porque o corte ou a manutenção da Selic que a gente já falou aqui, é um instrumento de política econômica, ela leva em consideração esse conceito. Então, se não está caindo na velocidade que poderia, é porque a inflação está pressionada, é porque outras coisas estão sendo olhadas.

E se o custo do dinheiro no bolso das pessoas está mais caro, a gente tende a ver uma diminuição de consumo, mas não é muito o que a gente tem percebido. Então, a mensagem na prática, aqui para encerrar, É que a gente precisa pesquisar bastante antes de contratar uma nova linha de crédito. Então, mesmo que a gente tenha essa notícia da redução da Selic, não necessariamente esses créditos vão baratear de imediato. Comparar taxas entre diferentes instituições e sempre que possível evitar essas modalidades que são as mais instantâneas e as mais caras, porque elas continuam prejudicando bastante a organização das pessoas.

Então, meu conselho é: vamos se planejar antes de se endividar mais. O crédito, ele pode ser um recurso para ajudar o nosso dia a dia financeiro, mas ele não precisa ser nem o único e nem o primeiro, porque quando a gente quer afrouxar um pouquinho, né, a nossa condição, a gente vai buscar mais uma linha de crédito. Pode dar um alívio no curto prazo, mas se não for bem planejado, isso pode ser um problema mais ali na frente, principalmente para taxas que são mais caras.

?Voz C

Tá certo. Ana Leone, Ana, obrigado. Obrigado, Natália. E até a Terça-feira que vem.

?Voz D

Terça-feira.

?Voz C

Agora, se quiserem mandar e-mail para cá, Natália, para tirar dúvidas, ter sugestões, como é que faz?

ALAna Leoni

Podem mandar, é só escrever para a gente em nofindascontas@cbn.com.br. Podem seguir a gente nas redes também, nós somos o @nofindascontas.

?Voz C

Obrigado, gente, um beijo, até semana que vem.

ALAna Leoni

Até, um beijo, pessoal, até terça.

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