Messi ocupa lugar acima de Maradona no imaginário dos argentinos, afirma Ariel Palacios
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Beatriz Pacheco
Ariel Palacios
- Comparativo Histórico: Maradona vs. MessiMessi como principal ídolo do futebol argentino · Lionel Messi · Maradona · Gol de Maradona contra Inglaterra em 86
- Situação Econômica ArgentinaImpacto da crise econômica no entusiasmo da torcida · Preferência pela melhora da economia em detrimento da Copa · Crise econômica argentina · Compra de camisetas falsificadas
- Anedotário popular do futebolConteúdo do livro sobre futebol · Ditaduras e futebol · Religião e futebol · Precursores do futebol · Escritores e futebol
- História do Futebol Argentino: Lanuestra e AntifutebolCopa de 86 e a relação com a Guerra das Malvinas · Copa de 78 e a ditadura militar · Missão de Messi em 2022 · Possibilidade de bicampeonato consecutivo
- Lionel Messi e o futuro da ArgentinaDependência da equipe em relação a Messi · Preocupação com a saúde e estado emocional de Messi · Messi dependência
- Argentina e reformas de MileiVoto em salvadores da pátria · Líderes populistas · Ação emocional e passional na política
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E olha só que coincidência, o lado B da bola, né, quadro do programa, vai receber aquele que escreveu Futebol Lado B. Aí tá com a gente Ariel Palacios de Buenos Aires. Tudo bem, amigo? Seja bem-vindo mais uma vez.
Como está? Bom dia, tudo bem? Como estão ouvintes? Todo mundo tudo bem? Bom domingo a todos.
Vamos falar sobre esse livro aqui daqui a pouquinho, hein? Futebol Lado B. Entre deuses, dribles, ditadores e delírios. O absurdo improvável e o genial do esporte mais amado do mundo. Muito bacana esse livro. Mas antes, me fale sobre o entusiasmo dos argentinos e esse tal de Messi. Eu não me canso de agradecer. Obrigado, Messi! Obrigado!
É muito interessante como é que está o clima em Buenos Aires. É bastante peculiar, digamos assim. Vamos fazer um pequeno histórico. Depois da vitória da Copa em 86, os argentinos ficaram efusivos, tal, acharam que iam ganhar a Copa de 90, perderam, não é? Foram vices. A partir dali, toda uma sequência de Copas onde eles iam sendo derrotados acabou gerando um certo ceticismo, aquele ufanismo do passado Foi se esvaindo. E aí a gente via um cenário— eu tô aqui há 30 anos, né, desde 31 quase, desde agosto de 95.
Então todas as Copas que eu vi para cá, ou seja, 98 para frente, né, você via que havia um certo entusiasmo, mas não era nada ufanista, não era nada aquela coisa assim, agora vai e tal, né. Então isso foi permanecendo até a Copa de 2022, quando Messi e seus rapazes conquistaram a Copa no Catar. Havia um dado muito interessante: quando tem Copa no Brasil, Brasil, e quando tem jogo do Brasil na Copa, você pode deitar numa avenida de uma metrópole brasileira e não te passa um carro em cima, não há movimento algum de automóveis, ou não é?
Continua sendo assim, não é? Bom, na Argentina não. Em Buenos Aires, um terço do trânsito, isso em todas as Copas, pelo menos desde a Copa do Japão-Coreia do Sul de 2022 até a do Catar, basicamente 30, 33% do trânsito de automóveis na cidade de Buenos Aires continuava sendo o mesmo, segundo a Polícia Federal de Buenos Aires. Então você A gente dizia, olha, por mais que exista um entusiasmo, uma parte que não é pequena, um terço dos porteios pelo menos, continuava em movimento.
Você via pessoas passando com cachorrinho nas ruas, lojas abertas, coisa e tal. Bom, temos que ver agora como é que fica nesta Copa, porque aí a situação mudou. No entanto, olha só, há uma pesquisa feita pela consultoria Jacobi, que é uma das principais consultorias de opinião pública. Por um lado, sim, indica que 71,5% dos entrevistados acham que a seleção argentina vencerá esta Copa. Mas quando a pergunta da consultoria foi: você prefere que a economia melhore?
Recordando que a economia argentina há 50 anos vai de mal a pior, né? Há 50 anos a Argentina tem, desde 75, há 51 anos para ser mais rigoroso, mais exato, vive de crise em crise. A cada 8 anos tem uma grave crise econômica. E de novo, a Argentina tá faz vários anos numa complicadíssima uma crise econômica. Bom, então quando a pergunta foi dessa consultoria: você prefere que a economia do país melhore ou que a Argentina conquiste o troféu?
Você tem que escolher entre duas. A realidade cotidiana ultrapassou o fanatismo do futebol. A maioria optou pela melhora da economia e ficar sem a Copa. 48,8% falaram: não, melhor que a economia melhore, não é, acabar com essa crise intermitente, e adeus para Copa. Outros 44,2%, uma quantidade um pouco menor, falaram não, que preferiam continuar com a pindaíba, com a economia em péssimo estado, mas com uma vitória na Copa, né? Então olha só como é que é a diferença e olha como a economia vai afetando.
Mas essa consciência política, essa consciência político-social é uma característica do povo argentino, não?
Sim, sim e não, porque depois os caras sempre acabam votando no salvadores da pátria, né? Isso é uma única nos últimos 80 anos, né? A crise vem há 51 anos, de crise em crise, né? A mania de votar em salvadores da pátria de qualquer ponto do leque ideológico, peronistas ou antiperonistas, é uma obsessão nacional. Então os caras sempre votam no cara que diz: vou fazer um milagre, salvar a pátria, como se fosse assim uma coisa celestial.
Abrem-se as nuvens, desce aquele político, promete resolver tudo, as pessoas acreditam. Depois as pessoas quebram a cara e acabam votando contra, seja lá quem for que estava no poder Isso é um clássico daqui, né? Então eu diria que são politizados, falam sobre política, mas agem em relação à política de uma forma bastante emocional, sentimental, passional. Tanto é que o país sempre tem líderes populistas. O que que é populista?
Populista é aquele que apela aos sentimentos, às emoções, não à razão, né, das pessoas. E aí você acaba tendo líderes populistas de um partido ou de outro, seja direita, não seja de direita, seja lá o que for. O fato é que a recessão tá afetando a torcida. 73% afirmam que não puderam comprar nova camiseta da seleção. 18%, quase 19%, admitem que compraram, mas a versão falsificada, ou seja, mais barato somente. E quase 8% admitem que sim, compraram a versão original.
Então Temos que esperar para ver o que acontece nesses próximos jogos, para ver se a coisa vira e mais pessoas dizem: "Não, quero ganhar a Copa embora a economia continue péssima", ou se continua tal como essa pesquisa dizia, que era: "Prefiro a economia melhor e perder a Copa". Isso evidentemente é uma espécie de jogo, uma espécie de jogo ali que a pesquisa fez. Mas é muito interessante como foi mutando o sentimento dos argentinos em relação a Copa.
E pode ser que mude de novo, né? Pode ser que mude de novo. Até o próprio Maradona perdeu o seu posto de melhor jogador do país no imaginário coletivo dos argentinos, porque 73% dizem que Messi é o melhor jogador da história da Argentina, deixando Maradona com 22,8%. Então vê como a coisa também mudou nesse aspecto. Evidentemente, novas gerações, essa é uma mutação também, essa é uma mutação.
Porque eu lembro que até o Messi conquistar o primeiro título dele mundial, que aconteceu na última Copa, existia muito um sentimento entre os argentinos que temos um gênio que não é tão argentino assim, falta algo maradoniano em Lionel Messi, né? E a gente vê até o Messi em campo hoje até mais com traços de Maradona, né? Aquela questão discutindo inclusive na estreia se ele mereceu ou não o cartão vermelho, daquela chegadinha ali, tá brigando mais, tá falando mais.
É um Messi com mais traços maradonianos. Então é um Messi que ocupou de vez o coração do argentino?
Eu acho que sim, acho que o Messi agora deslocou Maradona mesmo. Por um lado, talvez gerações. Por muitas pessoas também, quando você pergunta comparação entre Messi e Maradona, muitas pessoas sim resgatam: Maradona era um gênio, olha só o segundo gol que Maradona fez contra os ingleses em 86. Não, o gol com a mão, não é? Que aliás, amanhã completa 40 anos, né?
O gol vai ter festa, vai ter festa.
É uma efeméride que as pessoas vão comentar, sem dúvida. A questão é qual gol as pessoas ressaltam mais, o feito com a mão ou feito brilhantemente com o pé? Porque aquele gol com o pé, né, foi uma coisa impressionante. O Maradona foi numa linha reta, praticamente reta, se for atrás, 95% reta. Aí não é nem driblando, é indo em linha reta, porque os ingleses achavam que ele ia esquivar, fazer o zigzag Maradona no clássico, e Maradona fez o que ninguém esperava, foi em linha reta, então pegou todo mundo totalmente desprevenido.
Por isso a FIFA o considerou o gol do século, né? Isso segundo a opinião da FIFA. Então, com certeza, os dois gols feitos na mesma ocasião, na Copa do México contra Inglaterra, terão o seu momento efeméride amanhã.
Amanhã pode ser o dia também que Messi pode alcançar a marca histórica de maior artilheiro de todos os tempos em Copas do Mundo. Só precisa de um gol contra a Áustria. É amanhã, tudo amanhã, hein? Eu tô imaginando como é que vai ser Buenos Aires amanhã, hein, Alphalácio?
Vamos ver, vamos ver. É um horário complexo, né, tarde de noite, né? Mas vamos ver como é que vai ser a reação da torcida nesta segunda-feira à noite. É todo um cenário muito interessante, né, bastante diferente. Porque também tem outro detalhe interessante, Éboli. Aqui os analistas comentam que qual que seria a missão desta Copa. Missão entre aspas. Em 78, eles eram anfitriões na Copa de 78 feita na Argentina, conquistaram a Copa naquela ocasião derrotando a seleção da Holanda ali no Monumental de Nunes, não é?
Mas havia uma pressão imensa do regime militar sobre os jogadores, havia um ufanismo descontrolado, tanto é que era época da ditadura, as pessoas nem davam bola para as denúncias de torturas terríveis que estavam acontecendo, 30 mil desaparecidos naquele momento durante o regime militar. Então uma Copa que bastante controvertida, que os argentinos recordam como uma vitória, ainda mais tem aquele controvertido jogo contra o Peru.
Então é uma Copa que gera memórias controversas. Mas enfim, era uma Copa que a missão era conquistar o título porque os jogadores estavam pressionados pela ditadura militar e pela opinião pública, não é? Naquela época você não podia falar nada, nenhuma crítica contra a seleção, não é? Que você podia ser espancado em via pública. Era uma, era um nacionalismo totalmente violento, descontrolado naquele momento. Então os jogadores sentiam essa pressão.
Em 86 era uma espécie de vendeta, de vingança contra a Guerra das Malvinas. O país precisava de alguma espécie de vitória, não no campo bélico, onde haviam sido derrotados em 82, mas uma vitória simbólica dentro do futebol. E um jogo que não era o da final. Muitas vezes as pessoas pensam que a final era contra a Inglaterra. Não, a final foi contra a Alemanha, né? Mas uma vitória simbólica mesmo antes do fim da Copa contra a Inglaterra.
E aí a Copa de 2022, E era muito interessante quando você conversava com as pessoas, inclusive os locutores esportivos, os analistas e as pesquisas. Quando as pessoas perguntavam por que que a Argentina tem que ganhar a Copa, não é, as pessoas respondiam: Messi precisa vencer a sua primeira Copa, Messi não pode se aposentar sem sua Copa. Aí, olha só a nuance, não é? E os jogadores abraçaram isso. Messi precisa da Copa.
A seleção argentina abraçou isso, jogadores abraçaram isso. É meio que numa cumplicidade, né, numa fidelidade ao ídolo, é uma reverência constante ao ídolo em campo e companheiro. Então precisamos dar, parece que essa é a última Copa dele, precisamos dar essa Copa ali ao Messi, né.
Mas e agora, qual que é a missão redentora?
É, já teve a sua Copa, é garantir uma despedida em alto nível do Messi.
É isso. É isso. É, como assim? Bom, Messi encerra, não é, se torna, num cenário totalmente hipotético, digamos, não é, Messi se tornaria bicampeão, coisa que Maradona não fez, não é, então seria bom. Há pouquíssimos casos na história da FIFA, da Copa do Mundo de Futebol Masculino da FIFA, onde você tem dois títulos consecutivos. Existem apenas dois casos prévios. Isso, digamos, no caso hipotético que a Argentina conquistasse de novo, hipotético, né? 34, 38, Copa da Itália, Copa da França, seleção italiana do Mussolini que teve as duas Copas com o mesmo técnico, que agora não lembro o nome dele, mas era o mesmo técnico, e depois o Brasil, 58, 62, nunca mais aconteceu, com dois técnicos diferentes, né?
Um dos dois era o Feola, não me lembro agora qual que era no outro, qual que foi, qual que era o técnico. Mas você tem esses dois casos apenas, nenhum outro caso de seleções que venceram duas Copas consecutivas.
E a questão também de um capitão, mesmo capitão, levantar duas vezes a taça, né?
Exatamente, isso também.
Acho que não tivemos isso em Copa nenhuma, em nenhuma, em um, para nenhuma seleção. Um capitão ter a oportunidade de levantar duas Copas do Mundo, né? O Messi tem essa possibilidade aí se engatar 2026. Então eu percebo que há um otimismo grande que talvez passe até por essa estreia, que eu acho que teve, Ariel, e aí você pode passar melhor o sentimento aqui. Houve alguma coisa de surpresa? Olha, a gente não A estreia do jeito que foi, a estreia do jeito que foi para o Messi.
Eu há pouco conversei com Antônio Carlos Duarte, que é correspondente do jornal Record de Portugal, a gente falando sobre a pressão que existe em torno de Portugal para uma geração, né, apresentar um futebol melhor. E também em torno dessa última dança do Cristiano Ronaldo, ele teve uma estreia decepcionante. Muitos falam sobre essa última dança do Messi, talvez até cobrando muito menos do Messi. E justamente por cobrar menos, a estreia do jeito que foi causou um impacto maior do que o esperado?
O impacto que teve foi aquela afirmação de Messi venceu o jogo, e todo mundo ressaltou a dependência enorme que o resto da equipe tem em relação ao Messi. Por isso até houve uma grande preocupação, mas que foi muito breve, quando surgiu um rumor, uma fake news divulgada por uma ex-atriz barra mais ou menos jornalista, que num programa divulgou a fake news que o pai de Messi havia acabado de falecer. Isso foi imediatamente desmentido, mas a primeira coisa que muitas outras pessoas comentaram naquele momento, dias atrás, Foi então que isso quer dizer que Messi vai para a Espanha para um hipotético funeral do pai, que não havia falecido, não é?
E teria que abandonar a Copa, não é? Então isso acabou criando mais tensão sobre o estado de Messi em matéria de saúde, em matéria emocional, que não pode ser abalado para que o resto da equipe continue orbitando ao redor de Messi. Vamos ver neste outro jogo se o time depende tanto de Messi como no primeiro Porque aí também se torna um problema a Messi dependência, que já ocorreu em 2022 no Catar, né? Se tudo orbita, se todos os planetas giram ao redor do mesmo, da mesma estrela, não é?
É também um problema, porque e se essa estrela tem algum problema, não é? Então é complicado. Temos por um lado as pessoas estão felicíssimas com Messi, mas por outro lado existe essa preocupação de tudo ser tão Messi dependente.
Olha aqui, é só para a gente dar as informações. Amore Moreira, né, foi o técnico da seleção em 62. Amore Moreira. E o técnico italiano bicampeão com a Itália, o Vittorio Pozzo. Vittorio Pozzo foi o técnico italiano bicampeão com a Itália, 34, 38. Ariel, me fale sobre futebol lado B. É mais uma demonstração de todo conhecimento que o Ariel tem, né? Vasta cultura geral de Ariel Palácio, mas debruçado no universo do futebol e sempre fazendo referências também históricas, né, Ariel?
Fala um pouquinho mais sobre esse livro. Você já lançou, já tá na praça, para quem curte futebol, curte tudo, né? Futebol Lado B de Ariel Palácio, publicado pela Globo Livros.
Lancei o livro faz um mês, exatamente um pouquinho mais de um mês aí no Brasil. Só está no Brasil, não está em nenhum outro, só em português e nenhum outro idioma. E é uma espécie, digamos assim, de uma forma de encarar o futebol por outras vias. Não é um catálogo de estatísticas, quem estiver buscando algo assim como: ah, quantos pênaltis, qual foi o recorde disso aqui? Não, não é nada disso. Não é uma espécie de almanaque. É explicitamente complementos ao futebol.
Tem uma parte que é sobre ditaduras e futebol, outra parte é sobre religião ou religiões e futebol, superstições e futebol. Tem também história e futebol, como é que foi, como é que esteve o futebol durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, como é que continuaram os campeonatos ou não continuaram durante a Segunda Guerra Mundial. Outro capítulo que é sobre os predecessores do futebol. Os japoneses, por exemplo, têm um jogo que era o kemari, que é uma espécie de futebol antigo, mas que não é exatamente o futebol, mas que é uma espécie de futebol com suas características.
Então, no kemari, por exemplo, você não tem goleiros. Então, se não tem goleiros, como é que os dois times fazem gol? Não fazem gol. Os dois times têm que agir solidariamente para impedir que a bola caia no chão. O cuju, que era o futebol chinês, o xiximping, Há uns 15 anos foi visitar Inglaterra, foi para Manchester, visitou ali o estádio do Manchester City. Aí, perante os cartolas ingleses, falou: é, nós inventamos o futebol.
Como assim, né? Vocês, além da bússola, do macarrão, não é, e da pólvora, inventaram o futebol? Aí o Xi Jinping deu uma explicação dizendo que eles tinham inventado algo que era muito parecido com o futebol 1.200 anos antes. Então é delirante, surpreendente, né?
Então o jogo tem aqui, ó, tem aqui a semântica da bola. Eu falei em Hattrick do Messi, tem explicação aqui sobre Hattrick, né, a semântica da bola, né.
E tem também o que os grandes escritores falavam a favor e contra o futebol, escritores copafóbicos como Jorge Luis Borges, Humberto Eco, e escritores copalovers como o grande Eduardo Galeano, uruguaio, Eduardo Galeano, autor de As Veias Abertas da América Latina, Futebol, A Sol e Sombra. Ou filósofos e escritores como o francês Albert Camus, que foi goleiro em Argel, na sua cidade natal, e que depois disse: "Tudo que eu precisava aprender sobre a vida, aprendi no futebol." Então é um pouco de— Ah, tem até Shakespeare, é, Boli?
Porque o Shakespeare— Bom, claro, por exemplo, Shakespeare, como existia o futebol na época do Shakespeare? Sim e não. O futebol moderno, como a gente conhece, de 1863, Quando se criaram as regras do futebol moderno, as bases pelo menos, elas depois foram mudando, evoluindo e tal, mas as bases do futebol moderno é de 1863, não é? Mas 300 anos antes, 350 anos antes, em 1600, 1663 na Inglaterra havia um futebol muito primitivo, mas havia.
E o Shakespeare, que a gente pensa que ah, é um cara de elite e tal, não, o teatro de Shakespeare naquela época era o teatro visto tanto pela nobreza quanto pelo povo, não é? E o Shakespeare pegava muito o clima popular e ele se referiu em 3— não é que há uma peça que gira ao redor do futebol do Shakespeare, né? Mas há várias referências ao futebol em 3 peças do Shakespeare, o que mostra que era um jogo que tava ali presente no momento.
Evidentemente era um tipo de jogo que você não tinha um número específico de jogadores, valia quase tudo, só não valia, só não valia esfaquear o cara em pleno jogo, né? Mas dar cotovelada, furar o olho do outro, Isso aí podia tudo, e nem VAR tava na imaginária naquela época.
Olha, dá para fazer um programa, e olha só, vale, tá? A gente vai, é aquele espírito de Copa do Mundo, a gente fica muito, muito, muito em cima dos assuntos da Copa, mas vamos explorar mais Ariel Palacios para invadir e passear por esse livro delicioso, Futebol, o Lado B. Ariel, agradeço demais a tua participação. Aqui no CBN Esportes. Um bom domingo, uma boa Copa. Obrigado mais uma vez, tá, amigo?
Muito obrigado, é bom domingo a todos.
Ariel Palacios aqui no Lado B da Bola, falou sobre Copa, sobre Messi, sobre Futebol Lado B, o livro que ele lançou.
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