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Caso Jaques Wagner domina debate político e amplia desgaste sobre Banco Master

21 de junho de 202618min
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Marcos Ruediger avalia que as revelações envolvendo o senador Jaques Wagner aumentaram o desgaste político em torno do caso Banco Master. Segundo ele, o episódio pressiona o governo e deve continuar gerando repercussões nas próximas semanas.

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Participantes neste episódio2
P

Petra

HostJornalista
M

Marcos Ruediger

Comentarista
Assuntos4
  • Caso Banco MasterJaques Wagner · Banco Master · Desgaste político · Flávio Bolsonaro · Vôrcaro
  • Alerta falso da Defesa Civil e ataque hackerDefesa Civil · Segurança de sistemas · Eleições
  • Relação Trump-BrasilDonald Trump · Governo Lula · Geopolítica · Autonomia brasileira · G7
  • Declarações de Lula sobre NeymarLula · Neymar · Polarização política · Messi · Cristiano Ronaldo
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MRMarcos Ruediger

A Semana Política com Marco Rüdiger.

?Voz C

Marco Rüdiger, boa tarde, Marco.

MRMarcos Ruediger

Oi, Petra, tudo bem? Como é que tá aí do Ibirapuera? Olha só, um cenário completamente diferente, mais animado.

?Voz C

Queria você aqui ao meu lado, tô com saudade. Embora o Brasil pegando fogo, né, mas eu tô com saudade aqui do nosso quadro. Inclusive daqui a pouquinho o Ian Fancelli, que é o nosso novo comentarista de política internacional, Marco, logo mais eu vou anunciar isso porque a gente vai ter em agosto, se juntando a você, a Rosandro Klinger, a Kálcia Haddad, aos nossos colunistas amados do Revista CBN, em agosto a gente vai ter uma série de novos colunistas.

Uriane é um deles. Daqui a pouquinho vem aqui para o meu lado, aí você vai ficar me devendo uma visita, tá?

MRMarcos Ruediger

Eu vou para São Paulo amanhã.

?Voz C

Eba! Vamos ver se a gente combina. Marco, que que tá acontecendo pelo Brasil? Que que a gente vai falar essa semana? Qual o balanço que a gente faz da política na semana, já com olho no que deve acontecer para os próximos dias?

MRMarcos Ruediger

Olha, Petra, aconteceram coisas bem importantes essa semana, né? E acho que a mais importante de todas Foi a questão do Jax Wagner, né? Isso daí foi bastante impactante. Isso no bojo do caso do Master, né? Então vou dar só um número aqui para os nossos ouvintes. Aqui foram 400 mil menções com mais de 2 milhões de interações. Agora, ainda que tenha dado impacto, isso daí foi 55% menor do que foi observado por nós na em relação a quando foi, quando apareceu, quando surgiu com força a questão do Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro para o Borcaro, para o filme, né, que foi feito da roça, segundo a alegação do Flávio Bolsonaro.

Então, na verdade, o impacto foi menor. E por que que foi? A repercussão acabou sendo menor. Não é que não seja importante, é que simplesmente Jax Wagner não é candidato a presidente da República. Essa é a grande diferença. Ele é um personagem importante, mas é um personagem lateral nesse processo, né, e que eventualmente vai até se afastar. Não sei se ele vai se afastar de fato, mas é uma decisão dele que ele vai vir a ter que tomar.

Mas o fato é que a grande questão é que, no caso do Flávio Bolsonaro, ele é candidato a presidente da República, ele tem um discurso que propugna Principalmente uma, digamos assim, uma retidão na coisa pública, etc., que não confere muito com esse episódio. Na verdade, não confere nada. E as pesquisas estão refletindo muito isso. Existe um descrédito hoje muito grande, um desgaste muito grande na imagem do presidenciável, né, o futuro presidenciável, que ainda está nos ritos finais aí da homologação das candidaturas.

Mas o fato é que São impactos diferentes, impactos distintos até o presente momento. E isso é uma coisa que tem que ser bastante considerada. No entanto, isso evidentemente gera um desgaste, mas sobretudo mostra o seguinte: essa questão do Banco Master tá muito longe de ser finalizada. Isso daí ainda tá, digamos assim, talvez até no início desse processo. Então a gente vai ver muito desgaste na política vindo por aí.

?Voz C

Marco, você fala que é uma decisão do Jax Wagner, mas uma decisão do presidente Lula também, né? Porque embora você me diga que a repercussão nas redes, isso é muito importante, é menor do que quando a gente vê aí a relação do Flávio Bolsonaro com o Vôrcaro, mas é um abalo importante para o governo. E também agora nesse nosso esquenta, né, para as eleições. Como é que você vê isso?

MRMarcos Ruediger

É assim, em primeiro lugar, Jacques Wagner é um personagem na política, né, é um ator na política muito importante que tem uma trajetória longuíssima junto ao presidente Lula, ao PT, né. E é um senador que, que ele não é senador à toa, ele foi governador da Bahia, é um sujeito que sempre foi um bom articulador. Então são questões que não são tão triviais, porque existe uma coisa na política também importante importante, que é uma certa construção de lealdade histórica, que não podem simplesmente, no momento em que se faz uma investigação, simplesmente soltar a mão da pessoa e deixar ela aos lobos.

Então eu acho que a expectativa é justamente contrária. Acho que o presidente Lula, ele é leal aos seus aliados, evidentemente. Essa é uma questão que, a meu ver, O senador deveria sair da liderança do PT, pelo menos momentaneamente, esclarecer completamente a situação e eventualmente voltar, porque senão certamente causa um constrangimento ao governo. Mas eu não acho que o próprio presidente Lula, ele vai tomar iniciativa. Acho que a expectativa dele é o contrário, que o senador tome essa iniciativa.

Então isso é o que a gente vai ver, o desdobramento que a gente vai ver agora nessa semana, para ver como é que foi. O episódio como um todo foi muito ruim, né? Ele foi muito mal administrado pelo próprio senador. E isso obviamente gera um desgaste que era desnecessário para o governo nesse momento. Na verdade, bastante ruim, que o governo tá vindo numa inversão, digamos assim, da sua popularidade, seu impacto, bastante significativa, bastante auspiciosa.

Então isso foi ruim, sim, não tenha dúvida nenhuma. Acho que a expectativa é que o senador tome essa iniciativa. Se ele não tomar, eu acho que aí o presidente, um círculo mais próximo, vão ter que avaliar o quanto eles vão ser mais incisivos na questão. Mas é delicado isso que eu quero dizer.

?Voz C

Com certeza, Marco. Agora vamos falar um pouquinho. Ontem a gente trouxe no Revista CBN também falando sobre Donald Trump, relação com o Brasil, como o contexto internacional vai tangenciando a política nacional também, né, Marco? Como é que a gente pode olhar para relação de Donald Trump com o Brasil, com o governo brasileiro?

MRMarcos Ruediger

Eu acho que essa é uma questão muito importante da gente colocar em perspectiva, porque os Estados Unidos, assim, eu diria assim, em especial para o atual governo americano, né, eles olham para América Latina dentro de uma perspectiva de uma confrontação durante séculos. Então eles buscam juntar e alinhar, digamos assim, diversos países, não só com Estados Unidos, mas com a direita ultraconservadora nos Estados Unidos, né? Então, o Brasil é uma peça-chave.

Se você não consegue resolver a questão do Brasil do ponto de vista geopolítico dos Estados Unidos, é isso daí, é um complicador grande para região inteira. O Brasil tem um peso que distorce completamente qualquer iniciativa que se queira bem-sucedida no final de alinhamento regional. Eu acho que é o— para o Brasil isso não interessa, justamente o contrário. O Brasil tem uma potência tão grande hoje que o Brasil não tem Acho que para o Brasil não é um bom negócio estar alinhado, seja com a China, seja com os Estados Unidos, seja com qualquer um desses grandes blocos, vamos dizer assim, mesmo os europeus.

Para o Brasil, o interesse do Brasil é fazer negócio com todos e se articulando. Então eu acho que essa é uma questão bastante importante. Acho que os brasileiros se acostumaram por muito tempo a olhar para o exterior com ciúmes e com inveja enorme. Eu acho que está chegando o tempo em que a gente tem que pensar o quanto o Brasil na verdade é super importante para o mundo. É um país que é enorme, que tem uma riqueza gigantesca, que tem recursos hídricos imensos, recursos minerais absolutamente essenciais para as tecnologias que estão sendo desenvolvidas hoje, que vão definir modo de produção, modo de acumulação, relações de poder.

Então assim, o Brasil é um país muito chave. Eu acho que existem muitos interesses em cima do Brasil nesse momento. Eu acho que o Brasil tem que ter uma visão estratégica de si próprio. Eu acho muito lamentável quando a gente vê figuras importantes do cenário político brasileiro irem a Washington lá, uma certa vassalagem a um outro país. Assim, eu sou super a favor de fazer negócio com Estados Unidos, super a favor fazer negócio com a China, com qualquer país.

Eu sou a favor é do Brasil. É isso que eu quero que fique muito claro aqui. Eu acho que o Brasil, o interesse do Brasil é o Brasil. Não, o interesse do Brasil não é estar subordinado a nenhuma outra agenda, nenhuma outra pauta. E aí o Brasil pode ir para esquerda, pode ir para direita, mas o ponto central, o eixo central, é sempre o interesse da preservação do potencial do Brasil, nossa autonomia e a melhora de vida para nossa população.

Então eu acho que é muito por aí. Agora, quando os Estados Unidos olha para cá, obviamente olha com o seu ângulo, com seus interesses. Eu acho legítimo eles pensarem assim. Eu só acho que Isso, sim, tem um, são várias outras questões. Então, por exemplo, agora no G7, acho que o Lula foi até muito bem. Teve uma entrevista interessante do Trump falando, os vários líderes mundiais, aí falou que achava o Lula volátil. Bom, você pode olhar isso de uma forma negativa, né?

Pô, sujeito é volátil e tal. Mas no nosso ângulo talvez não seja tão ruim, porque se o Lula ele vai para um lado e vai para o outro, faz parte do poder que a gente pode influir. O Brasil não é uma potência militar, mas tem um soft power, tem uma potência política, tem uma potência de riqueza e que o Brasil tem que saber usar. E muitas vezes você tem meio que sair jogando e contornando. A gente tá numa época de futebol, né? Então tem que ver como é que a gente vai envolvendo o time adversário para chegar no gol, né? E não é só, só ficando numa retranca ou entregando o jogo.

?Voz C

Totalmente, Marco. Agora eu quero falar um pouquinho do Sussurros nas Redes. Antes de falar, até continuar falando do presidente Lula, queria muito citar e ver a tua opinião do que aconteceu ontem. A gente abriu Revista CBN com essa questão do hackeamento do sistema de disparo de alertas da Defesa Civil na noite de sexta para sábado. Isso assustou a população, veio aquela palavra, né? O que que você acha disso? A gente discutiu muito ontem no Revista CBN a respeito da questão do descrédito, né?

Do serviço da Defesa Civil, que é super importante para população, né, uma ferramenta importante de alerta para população. Aí um sistema de hackeamento, é hackers entrando no sistema, né, nesse sistema de alerta. Como é que a gente tem que olhar para isso? E as investigações seguem, né, Marco?

MRMarcos Ruediger

É assim, primeiro lugar, esse é um sistema importantíssimo que a gente tem que contar mesmo. Me lembro que uma vez eu tava na Califórnia e houve uma uma ameaça de ter um problema assim de tempo bastante sério. E houve no meio da noite, teve também um alarme desse. Então acho que é uma coisa importante para Defesa Civil. Mas nesse caso específico, eu acho que requer uma atenção muito grande das autoridades no Brasil para o que aconteceu.

Em primeiro lugar, como é que acontece uma coisa dessas, né? Assim, que tipo de mensagem pode ser enviada de repente para milhões de brasileiros ao mesmo tempo. Então esse é um ponto muito sério. Como é que isso foi possível? Isso mostra uma fragilidade no sistema, sim, não tenho dúvida nenhuma. Agora, quem operou essa questão, que eu acho que por si só já tem que ser tratada no nível até da defesa no Brasil, mas por outro lado, quem operou isso daí?

Isso daí é um garoto, é um hacker de 15 anos? Parece tão inverossímil. Essa é uma versão que andou circulando, né? Eu acho que a gente tem que ficar atento se de fora para dentro do Brasil isso não acontece, porque tá se testando a nossa capacidade de segurança dos nossos sistemas. E hoje comunicação é tudo, né? Então você imagina isso daí, por exemplo, ser utilizado para dizer que existe, digamos assim, falha, sobretudo na questão, por exemplo, da lei das eleições.

Ou você imagina isso fazendo circular informações que tentam deslegitimar as eleições ou um resultado eleitoral. Então, isso para dizer o mínimo, né? Ou aqueles que não queiram aceitar um resultado final também. Enfim, eu acho que isso é extremamente grave, extremamente sério. Acho que essa é uma questão, na verdade, que evidentemente toca a vida comum das pessoas têm que ser alertadas diante de problemas, sejam ambientais, sejam, enfim, de várias ordens.

Mas o fato é, o grande fato é que é uma questão também, sobretudo de defesa, né? O país não pode ser vulnerável a esse ponto. Então eu acho muito preocupante. Eu acho que isso não é um caso só de uma certa investigação, a quem hackeou. Eu acho que tem que ser muito mais a fundo nisso daí.

?Voz C

Concordo totalmente. E estamos aqui, bom, a gente vai seguir acompanhando tudo isso, mas Estamos aqui na Arena Globo justamente por conta da Copa do Mundo e eu quero saber a tua opinião sobre as declarações do presidente Lula a respeito do Neymar, hein, Marco?

MRMarcos Ruediger

Eu sou muito suspeito porque eu particularmente não gosto muito do Neymar. Eu achei esse negócio de jogador rogócio.

?Voz C

Não fala isso para o Maxito, meu filho, hein? Meu filho tá fã do Neymar agora, só fala que tá ansioso.

MRMarcos Ruediger

Isso daí mergulhou direto na questão da polarização, né? Então você vê ali, foram mais de 5 milhões de interações nesse caso, né? E por exemplo, a esquerda assim, a esquerda nem falou muita coisa não, mas a direita foi defender o Flávio Bolsonaro, Nicolas Ferreira, foram defender o Neymar e tal, como ele é um herói nacional, ele não sei o quê. Eu não acho que ele é herói nada. Entendeu? Para mim, ele é um mau exemplo de um sujeito muito habilidoso, extremamente habilidoso, não tenha dúvida nenhuma, mas que é sempre avesso à disciplina, à tática, ao comportamento.

E principalmente se você compara ele com estrelas que eu acho que realmente são exemplos para os nossos jovens, dos nossos jovens, não jovens de outros países, mas de certa forma aos nossos também. Você pega o Messi, por exemplo, da Argentina, você pega o Cristiano Ronaldo, Portugal, olha o comportamento deles, olha a seriedade qualidade deles. Olha a forma como eles se comportam, jogam, etc. São profissionais do mais alto nível.

E a gente vê o Neymar, parece um, sei lá, um garoto meio bobo em muitos aspectos, tem aquela relação esquisita com o pai. Enfim, eu achei assim, foi jocoso, claro. Não sei se foi tão oportuno, porque enfim, afinal de contas, é um jogador que talvez possa fazer um serviço bom para seleção. Mas o fato é que foi divertido. Eu particularmente achei engraçado, sabe, esse negócio. Eu francamente acho que defendeu o Neymar. Que tipo de valor que você tá querendo defender a partir desse personagem?

Eu acho que o Messi, eu acho que o Messi é um cara muito mais interessante nesse sentido, como eu acho que o Cristiano Ronaldo também é um outro, né? E a gente tem jogadores brasileiros que são interessantes também. Então vamos lá, vamos, vamos, negócio da polarização, mas onde é que quer chegar, né? Tá difícil assim, viu?

?Voz C

Tá difícil, mas você acha que não pega mal? É tudo polarização hoje, né? Pega mal o presidente Lula, pega para uma parte, pega mal para outra parte, pega bem. A realidade é essa, né? Nessa polarização é isso.

MRMarcos Ruediger

É, o presidente gosta de futebol demais, né? Então esse é um ponto também importante, né? Eu, é, talvez ele pudesse ter sido cuidadoso nesse sentido, mas eu acho que ele não perdeu a oportunidade que a bola ficou assim na frente dele, chutou para gol. Essa foi divertida. A gente torce pela seleção, né? Mas assim, a gente torce meio angustiado, a gente sabe que não tá indo bem.

?Voz C

Vamos ver, daqui a pouquinho vou conversar com Rafael Prates aqui da nossa equipe de esportes. A gente tá com quadro especial ao longo desse período de Copa, Marco, também para falar, análise da nossa equipe sobre a seleção brasileira. Querido, um beijo imenso para você, boa semana. Tem jogo do Brasil, vamos torcer, e a gente conversa domingo que vem. Se tiver passando por São Paulo, vem me visitar e dá um abraço, tá? Beijo, tá bom?

MRMarcos Ruediger

Então, um beijo grande para você, beijo para os nossos ouvintes também.

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