Episódios de Comentaristas

A crise dos meninos e a formação de homens na era digital

21 de junho de 20267min
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Rossandro Klinjey discute comportamentos masculinos ligados à objetificação e à violência contra mulheres, partindo de casos de assédio registrados no Japão e de episódios envolvendo adolescentes.

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Participantes neste episódio2
P

Petra

HostJornalista
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos1
  • Tecnologias digitais e a machosferaCultura do estupro em grupos de WhatsApp · Comportamento de meninos nas escolas · Estímulo a comportamentos inadequados · Redes sociais sem regulação · Pais omissos e acesso a conteúdo online
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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RKRossandro Klinjey

Boa tarde, Petra, aí nesse ambiente tão bonito. Pena que eu não tô podendo entrar de vídeo porque a conexão aqui tá pouca, dá só para entrar chegar de áudio, mas estamos de coração.

PPetra

Tá de coração, querido. Me fala um pouco sobre o nosso tema de hoje. Eu gostei muito da seleção que você trouxe. Eu acho que a gente tem cada vez mais falar disso aqui no quadro do nosso divã. Você falou assim para mim, Petra, hoje eu quero falar dos homens, eu quero falar a respeito dos homens. O que que a gente tem que falar e que reflexão a gente tem que trazer, Rossandro?

RKRossandro Klinjey

É, você sabe, eu vi essa notícia que eu vou falar para os ouvintes, mas eu quero falar uma coisa que aconteceu Antes, num voo que eu peguei antes da pandemia, tava no voo, de repente a gente pousou e a aeromoça falou assim: ninguém pode descer antes, a polícia vai entrar no avião. Aí ficou aquela tensão, né, porque a polícia vai entrar no avião e tal. De repente a polícia entrou, pegou o cara que tava 2 bancos à frente do meu e saiu com ele.

E aí depois eu perguntei à aeromoça: o que que aconteceu? Ela disse: não, ele pegou a passageira que tava dormindo e começou a fotografar as partes íntimas dela. E isso é uma prática comum hoje no Japão, né? E os homens fazem isso e depois agora virou uma moda lá. As pessoas ficarem acompanhando esses caras serem fraglados, serem perseguidos pela polícia, que filma ao mesmo tempo, e a população também, uma espécie de diversão, de punição.

E eu queria falar sobre uma coisa mais profunda, o que é que tá por trás disso. Que vamos observar o seguinte: primeiro, quando você— o que não tem aí pode ser até contra-intuitivo para quem tá nos ouvindo— quando você fotografa assim a mulher, não é desejo, porque desejo é desejo com o outro. Nós juntos acordamos que nós queremos ver uma coisa juntos. Quando você faz isso, você tá excluindo a coisa importante: fotografar a parte íntima e não fotografar o rosto.

Sabe por quê, Peter? Porque o rosto diz não. No fundo, são pessoas incompetentes para conquistar, para esperar, para seduzir, para esperar o tempo do outro. E tem um detalhe a mais, né, que no fundo do fundo o que eles querem não é nem isso. O que eles querem é depois compartilhar esse conteúdo entre os homens que têm esse comportamento completamente distorcido entre eles. Para ter senso de comunidade e pertencimento patológico e doentio.

A gente sabe que as sociedades têm lados luminosos incríveis e lados defeituosos, e o Japão é um desses países. Tem coisas incríveis naquela cultura, admiráveis, mas é claro, e estudos mostram que o tipo de repressão sexual que tem lá é muito alto, e tudo que é reprimido vira sombra e contra o outro, né? Geralmente alguém paga o preço dessa coisa que tá sendo reprimida. Então a gente tem hoje de fato que pensar sobre isso e pensar assim, é porque também tem nos metrôs de São Paulo pessoas que são mulheres, são vítimas, né, de abusos.

É que tipo de sociedade nós estamos construindo que tem gerado esse tipo de homem tão adoecido e infantilizado? É o que a gente queria iniciar com você, do Rosandro.

PPetra

Eu fiquei pensando, eu tava vendo umas notícias sobre isso ultimamente, e inclusive falando sobre meninos nas escolas A cultura do estupro, a questão é dessa, desse horror que a gente vê acontecendo nos grupos de WhatsApp de meninos. Eu dei um apanhado assim de notícias nessa última semana aqui na minha volta das férias para o Revista CBN e eu fiquei horrorizada porque essa é uma pauta. Então enquanto a gente vem falando sobre o que você trouxe, a humanidade, um crescimento, uma oportunidade que a gente tem inclusive com redes sociais, com informação de crescer de usar a tecnologia para o bem.

A gente tem aí um outro movimento relativo a grupos de meninos. Aí não tô nem falando já dos homens, nesse caso que você trouxe do Japão e outros, mas de meninos nas escolas com comportamento horrível. O que que tá acontecendo, Rossandro?

RKRossandro Klinjey

É, primeiro a gente vê que de fato existe hoje um estímulo a esse tipo de comportamento. Existe toda uma categoria de homens que atribui sua infelicidade às mulheres, né, que acham que as conquistas das mulheres é algo que vai contra eles. Então Acham que as mulheres são objetos, vítimas do ódio, e vão objetificando. Se você pegar inclusive aquela série muito, muito incrível, dolorosa, mas verdadeira, Adolescência, que a Netflix publicou ano passado, se eu não me engano, muito crua, né, sobre um adolescente que termina matando uma menina que se recusa a namorar com ele.

E é uma criança normal que dormia de pijama no quartinho cheio de coisinhas de papel de parede, mas que os pais não estavam lá para vigiar, para perceber o que significa. Primeiro, vamos pensar hoje Existem redes sociais que ninguém domina mais. Se você for abrir, é, Petri, uma lanchonete em São Paulo, você vai ter que seguir milhares de normas. Mas se você quiser abrir agora um iA que seduz crianças, não tem regulação para isso.

Se fala em regulação, aí é, não é, direitos, estão querendo privar os direitos, liberdade. Então assim, a gente tem um estímulo profundo, é, esse comportamento. Nenhum tipo de vigilância, pais omissos que deixam crianças com celulares nos quartos, tendo acesso a tudo isso, não uma época em que você tem que ter formação de caráter, de personalidade, de princípios, e que dá trabalho. Você sabe como mãe, né? Você também como pai, como dá trabalho, como é repetitivo.

PPetra

Acho que a gente tá com problema técnico em relação ao Sandro. É isso, é a conexão. Ele já tinha avisado a gente, né, que tava com uma conexão complicada, que a gente não ia conseguir talvez fazer com imagem, mas a gente entendeu aqui o que o Rossandro tem para dizer para a gente. Eu vou agora, 1 hora 27 minutos, a gente vai fazer aqui um intervalo, a gente vai para o Repórter CBN. Eu me despeço do Rossandro, que a gente já tava aqui se encaminhando para o final do quadro, mas a gente faz um breve intervalo e volta com o Rossandro com mais essa reflexão sobre homens e meninos nas nossas próximas edições.

Então a gente vai para o intervalo do Repórter CBN e já voltamos com muito mais Revista CBN para você.

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