Ao partir para o confronto, Jaques Wagner amplia desgaste para o governo Lula
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Operação Compliance Zero e Ciro NogueiraJaques Wagner · Operação Compliance Zero · Supremo Tribunal Federal · André Mendonça · Banco Master · Ciro Nogueira · Plínio Valério · Daniel Vorcaro
- ONG ligada a produtora de Dark Horse· SociedadeFlávio Bolsonaro · Daniel Vorcaro · André Mendonça · Lindbergh Farias · Eduardo Bolsonaro · STF · PGR · Banco Master
- Apreensão de arma de Bolsonaro e rachadinha de CarlosJair Bolsonaro · Alexandre de Moraes · Polícia Civil do DF · Gabinete de Segurança Institucional
- Renúncia do Premier do Reino UnidoReino Unido · Brexit · Keir Starmer · Andy Burnham · Jeffrey Epstein
- Demissão Crespo São PauloMárcio França · PSB · Fernando Haddad · Tarcísio de Freitas · PT · Kim Kataguiri · Paulo Serra
- Eleicoes ColombiaAbelardo de la Sprea · Donald Trump · Marco Rubio · Javier Milei · Iván Cepeda · Gustavo Petro
- Michelle Bolsonaro e Alexandre de MoraesMichelle Bolsonaro · Ciro Gomes · PL · Lula · Jair Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Carlos Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro
- Eleições Estaduais MinasPT · Lula · Rodrigo Pacheco · Alexandre Kalil
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Viva a voz com Vera Magalhães.
Vera Magalhães, muito boa noite, bom início de semana, tudo bem?
Tudo bem, boa noite para você também, Débora, para Carol, para os ouvintes, para quem tá com a gente assistindo em vários dispositivos.
E Vera, boa noite.
Já vamos direto para Brasília porque a Samanta Klein tem novidades sobre as supostas relações do senador Jax Wagner com o Banco Master. Oi, Samanta.
Oi, Débora, Vera, Carol. Olha, de fato veio inclusive uma reação do senador Jax Wagner. Ele recorreu hoje ao Supremo pedindo a anulação da decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a busca e apreensão contra ele na semana passada. Líder do governo no Senado, Jax foi alvo, portanto, de mais uma das fases da Operação Compliance Zero. Na petição, os advogados argumentam que a ação contra o senador está equivocada emenda pelos seguintes motivos.
Um deles é que o senador, abre aspas, jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master. E aí, segundo a defesa, prova disso é que a única emenda de autoria dele é sobre proposição de limites de juros e proteção aos consumidores. A defesa também afirma que Jacques se posicionou contra a Emenda Master, que foi apresentada por Ciro Nogueira, e que os posicionamentos deles são públicos. Inclusive, nesse texto, os advogados ressaltam que o relator da proposta, o senador Plínio Valério, reforçou em nota jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar do assunto.
Para a Polícia Federal, o senador seria o beneficiário de vantagens econômicas pagas por Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação também apura suspeita de atuação de Jax na tramitação de proposta esta sobre crédito consignado e também sobre o limite de cobertura do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito. Já em relação aos valores em dólar e euro encontrados em endereços do senador, a defesa aponta que todos esses valores têm origem lícita comprovada, parte proveniente de diárias do Senado e parte adquirida por meios de operações oficiais feitas pelo próprio senador. Com vocês.
Obrigada, Samanta, pelas informações. Vera, já não tava ajudando muito o Jax Wagner se manter na liderança do governo no Senado, né?
E agora ele resolveu brigar. Isso do ponto de vista da defesa dele, estritamente, pode fazer sentido para ele, mas a gente tem de lembrar que ele é líder do governo no Senado e que tudo que ele fizer tem um reflexo sobre o governo, sobre o presidente Lula, que é candidato à reeleição. A partir do momento que ele resolve ir para o confronto e solicitar uma anulação de uma operação da Polícia Federal, algo que não é muito comum, porque as operações elas cumprem ali decisões judiciais, elas têm efeitos imediatos.
Então o efeito que ela tinha de surtir, ela já surtiu, já foi tornado público que havia antes, e agora começou a se saber o que foi encontrado também na busca e apreensão nos endereços do senador, como essa questão do dinheiro em espécie. Então essas coisas já surtiram efeito político e algum tipo de efeito jurídico. Se ele tá dizendo que não tem nada a temer, parece ser uma argumentação válida para sua própria defesa, para os momentos que vão vir agora, né?
Se ele vai ser realmente indiciado ou não, se depois o Ministério Público vai ou não oferecer uma denúncia contra ele por alguma das questões que são apontadas ali no primeiro momento como indícios pela Polícia Federal. Portanto, se elas vão ser consideradas provas ou não. Agora, anular a busca e apreensão, fiquei tentando enquanto a Samanta falava puxar pela memória se teve algum caso em que foi anulada assim de cara uma fase de alguma operação da Polícia Federal.
Não consegui me lembrar. Já houve casos em que até houve decisões judiciais e depois elas foram anuladas. Mas eu acho que ele tem pouca chance de êxito neste momento com essa decisão. E me parece ser uma guinada naquilo que vinha sido combinado com o presidente, que era o que eu tinha apurado ao longo de todo dia, que era a questão dele se licenciar da liderança do governo, que também é uma coisa um pouco exótica, um pouco estranha, porque é um cargo que você não tem um salário, não é um cargo em que você exerce ali um expediente, etc.
É um cargo puramente de confiança, confiança política, que você acumula com o seu próprio mandato de senador. Então, licenciamento de uma coisa como essa me parece Estranho. Você goza da confiança do governante para ser o seu líder ou não, mas o presidente estava constrangido de destituir o Jax Wagner da posição de líder. E aí esse era um arranjo que vinha sendo costurado a quatro mãos, no qual ele tomaria iniciativa de se licenciar se ele fizesse as duas coisas.
Então me licencio daqui e aí eu vou me defender ali pedindo anulação, argumentando pela minha inocência, etc., parece ser uma coisa que faz mais sentido. Você deixa a liderança, você fala: daqui em diante eu estou apenas atuando na minha defesa, Jax Wagner, cidadão parlamentar, individual, sem que isso resvale no governo de alguma maneira. Fazendo só o pedido de anulação e não se licenciando por enquanto, da liderança, ele tá mantendo o foco um pouco no governo e o desgaste também refletindo um pouquinho sobre o Lula.
Pois é, o ideal seria que ele se licenciasse, né? Ainda que a oposição não esteja batendo muito forte, né, Vera? Porque tem muita gente com rabo preso no caso do Master, né?
Tem muita gente com telhado de vidro em todo lado, Carol. Dentro do Senado, que é a casa dele, próprio Flávio Bolsonaro, é seu colega no Senado, E tá ali sob investigação, e em breve a questão dele deve começar a ser mais esmiuçada também, né, no inquérito do Master. E no plano regional, né, o principal opositor do PT baiano, que é o ex-prefeito Assem Neto, também foi citado como tendo recebido dinheiro de campanha do Vorkaro, etc.
Então ninguém tá batendo muito, mas de qualquer maneira tirou do Lula uma vantagem comparativa que ele tinha até aqui, que era dizer, olha, tá todo mundo implicado no caso master, menos eu, menos o PT, etc. Então o desejo no Palácio era que realmente ele se afastasse, até porque o Lula não gostou nada daquela primeira entrevista que ele deu a respeito desse assunto.
Bom, a gente vai para o nosso próximo assunto, que é aquela história da arma do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi apreendida numa blitz, né, tava num carro, foi apreendida numa blitz da Polícia Militar. Agora o Bolsonaro vai ter que prestar depoimento sobre isso amanhã O Igor Cardim tá acompanhando a defesa, inclusive querendo mais tempo para preparar o Bolsonaro aí para esse depoimento, né, Igor? Boa noite para você de novo.
Boa noite para você, Carol, os ouvintes também, a Vera. Pois é, e isso vai interferir justamente nesse pedido de prorrogação de prisão domiciliar humanitária feito pela defesa, que a defesa deve entrar ali no Supremo Tribunal Federal pedir para o ministro Alexandre de Moraes a prorrogação desse período que vence nessa esta quinta-feira, dia 25. E aí esse pedido vai estar altamente ligado ali ao depoimento presencial na casa do ex-presidente, onde ele cumpre a pena atualmente, sobre a pistola apreendida em uma blitz na semana passada aqui no Distrito Federal, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro é o dono desta arma.
E aí hoje o que o ministro Alexandre de Moraes autorizou foi realmente uma reunião da defesa visa com o ex-presidente Jair Bolsonaro antes dele prestar este depoimento presencialmente ao delegado da Polícia Civil aqui do DF. Pela decisão, os advogados poderão permanecer com Bolsonaro a partir das 2 horas da tarde, sem aquela limitação de 30 minutos que tá prevista nas regras normais de visitação. E aí, além desta uma hora ali antes do depoimento, eles poderão ficar também na residência durante todo o período da oitiva com a Polícia Civil do Distrito Federal, que quer entender como esta arma saiu ali da casa do ex-presidente com agente do Gabinete de Segurança Institucional, que foi apreendida pela Polícia Civil em uma blitz aqui no Distrito Federal.
A defesa pediu justamente essa flexibilização excepcional para preparação para o interrogatório. Além disso, Carol, a defesa também informou ao Supremo Tribunal Federal que os agentes cedidos para proteção do ex-presidente não permanecem no local durante toda a noite. Eles são dispensados quando os familiares de Bolsonaro retornam a casa. O argumento é de que não há necessidade desta presença, uma vez que os familiares já estão ali cuidando do ex-presidente durante a noite.
Lembrando que esses agentes não são os policiais penais ali que fazem a guarida ali do ex-presidente, são agentes do Gabinete de Segurança Institucional, que é uma prerrogativa de ex-presidentes.
Carol, obrigada. Igor, você acha, Vera, que mesmo com essa história meio nebulosa dessa arma, tem chance do ministro Alexandre de Moraes mandar o ex-presidente de volta para prisão?
Tem esse pedido por parte ali de parlamentares do PT, pediram a revogação da domiciliar dele, que já é em caráter provisório. Eu acho que essa, esse depoimento vai servir também para avaliar as condições de saúde do Bolsonaro e as suas condições físicas. E isso certamente vai ser reavaliado. Carol, tem um limbo aí jurídico, porque na decisão em que deu a liminar, aliás, a domiciliar provisória para o Bolsonaro, Alexandre de Moraes não explicitou a proibição de ter arma na residência.
Então ele tem ali um amparo de um limbo da própria decisão. Mas de qualquer maneira, como ele tá proibido de uma série de coisas, a gente imagina que tá subentendido que não pode ter arma. Mas em questões jurídicas e judiciais não existe subentendido, teria de estar explícito na decisão dele uma proibição para a existência de qualquer arma na residência. Vamos ver o que eles vão dizer nessa oitiva.
Bruna Barbosa tem informações em São Paulo, possibilidade de mais uma candidatura ao governo do estado. Oi, Bruna, boa noite.
Oi, Débora, boa noite para você, para Vera e para Carol. Dirigentes aqui do PT pretendem conversar nos próximos dias com ex-governador Márcio França, do PSB, para tentar fazê-lo desistir da ideia de lançar uma candidatura própria aqui ao governo de São Paulo. É uma movimentação que aconteceu depois do avanço das especulações de uma eventual entrada dele à corrida do Palácio dos Bandeirantes, muito por conta de duas desistências duas que foram formalizadas no fim de semana: o deputado federal Kim Kataguiri, do Missão, e o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, do PSDB.
Os dois retiraram as candidaturas ao governo paulista. Kim foi no sábado num evento acompanhando o pré-candidato Renan Santos, e o Paulo Serra foi ontem por meio de uma nota. Dentro do campo progressista, a possibilidade dessa candidatura de Márcio França divide opiniões, mas tá muito mais para algo rejeitado ali, especialmente por por conta dos votos que Márcio França pode tirar ali, disputar com Fernando Haddad. Então, há setores do PT vendo essa movimentação com resistência, mas alguns outros partidos aliados avaliando que uma terceira candidatura vai de fato ajudar a distribuir votos no primeiro turno e aumenta as chances de levar a disputa para o segundo turno, o que pode ser importante se a gente pensar aqui, avaliar especialmente no cenário nacional.
Levando a eleição aqui de São Paulo para o segundo turno, a gente teria Tarcísio Adade fazendo palanques ali para Flávio Bolsonaro e Fernando Haddad na eleição, e o presidente Lula na eleição nacional, o que pode ser muito importante nesse cenário de polarização do país. Conversando com alguns integrantes da pré-campanha do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, há uma expectativa de absorver de 3 a 5 pontos percentuais com essas duas resistências, com essas duas resistências do Kim e do Paulo Serra.
Alguns aliados do governador acreditam que Os eleitores de Kim migram totalmente para Tarcísio, de Paulo Serra pode até dar uma dividida, mas já contam aí com essa gordurinha a mais. E a mesma leitura leva a campanha a concluir que uma eventual candidatura de Márcio França teria um impacto limitado porque concentraria efeitos principalmente sobre o eleitorado de Fernando Haddad. Então a interpretação da campanha de Tarcísio é de que se Márcio França entrar para disputa, rouba muito mais votos de Haddad do que de Tarcísio, ou seja, manteria essa disputa para o primeiro turno.
E conversando com essas pessoas ligadas à campanha, não há clima de vitória, mas já há diversos trackings, né, que são as pesquisas feitas pelos próprios partidos, indicando vitória em primeiro turno do atual governador Tarcísio de Freitas.
Débora, obrigada, Bruna, pelas informações. E aí teríamos algumas situações inéditas, né? PSDB sem candidato ao governo de São Paulo, Seria a primeira vez e também os dois partidos na concorrência direta, né, porque os menores não contariam.
É, eu acho que tem que testar em pesquisa essa hipótese aí, né, de se o Márcio França ajuda ou atrapalha o Haddad. Me parece ali intuitivamente que ele não tira um voto do Tarcísio. O PSB não é visto como um partido de centro. Não dá para comparar a atuação do PSB com o que era o PSDB antes, pelo fato só do Márcio França ter sido vice-governador do Geraldo Alckmin, ou pelo fato de o Geraldo Alckmin hoje estar no PSB, não necessariamente ele atrairia um voto de centro que já foi tucano lá atrás.
Me parece pouco provável que isso acontecesse. Hoje em dia o PSB e o Márcio França são vistos como satélites ali do lulopetismo. Então me parece que ele tira mais votos do Fernando Haddad nesse cenário que a Bruna descreveu tão bem, que já é ali de um favoritismo do governador Tarcísio de Freitas. E se ele vencer no primeiro turno, isso é muito ruim para uma segunda rodada ali, para um segundo turno para o Lula, que precisa perder de pouco em São Paulo para garantir uma reeleição minimamente viável, tranquila, etc.
Ficar dependendo, por exemplo, do resultado de Minas, porque no Nordeste ele vai ganhar, no Sul ele vai perder, em São Paulo vai perder, mas precisa perder de pouco. E aí Minas é sempre aquele estado pêndulo em que às vezes a esquerda vence e às vezes a direita vence. Esse é o cenário da eleição hoje. E São Paulo é crucial para que não seja uma lavada, porque uma lavada significaria perder a eleição. Aqui é Principal eleitorado é o principal colégio eleitoral do país.
Então não dá para brincar em São Paulo. O PT está muito desguarnecido em Minas e isso é uma preocupação. E deixar São Paulo correndo solto, deixar as coisas sem estarem amarradas, pode ser fatal para os planos do Lula.
A coisa está meio mal parada, né? Porque o Haddad está sem vice. Em Minas, hoje a gente teve informação da Gleide Andrade, que é a secretária nacional de finanças do partido, que o PT deve definir até o fim de junho o nome. E os nomes citados não tem nome assim de grande peso, né? Ela fala da Marília Campos, que é candidata ao Senado, a ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart. Não tem assim um nome de grande peso citado, mencionado até agora para ser o candidato do PT, né?
Não tem. Rodrigo Pacheco não foi adiante, Alexandre Kalil não prosperou nenhuma conversa com ele, que a ideia de lançar o filho do José Alencar, ex-presidente da Fiesp, também não saiu do papel. Então, muito, muito tensa a situação do Lula lá em Minas Gerais.
Muito bem, a gente faz mais uma, mais uma pausa aqui para que você fique com o noticiário da sua região. Já já tem Eduardo Graça para comentar os assuntos internacionais aqui no Viva Voz.
Viva Voz está de volta, são 6 horas e 35 minutos e quem já tá com a gente na linha é o Eduardo Graça, repórter especial e colunista do jornal O Globo, comentarista aqui da CBN. Boa noite, Edu.
Boa noite, Vera. Oi, Carol e Débora, tava com saudade.
Oi, Edu.
Oi, Edu.
Edu, a gente teve aí, né, no fim de semana, a vitória da ultradireita na Colômbia. Queria saber de você de que forma ela impacta aqui na região, na influência dos Estados Unidos na América do Sul e consequentemente também nas eleições aqui do Brasil.
Vera, a vitória do advogado e empresário Abelardo de la Sprea foi muito celebrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo secretário de Estado Marco Rubio. E é mais um país vizinho do Brasil, nesse caso a terceira maior economia sul-americana, alinhada com Washington. Agora, diferente das vitórias da extrema-direita no Chile com José Antonio Kast, né, aquele saudosista da ditadura de Pinochet, e do autoproclamado ultraliberal Javier Milei na Argentina, que tiveram margens, vitórias, né, com margens significativas de votos, na Colômbia a diferença entre a extrema-direita e o candidato governista de esquerda, o senador Iván Cepeda, foi de menos de 1%.
Isso também aconteceu no Peru. Que foi as urnas no começo do mês, e ao que tudo indica, porque eles ainda estão contando os votos, lá também terá uma vitória apertadíssima para direita radical contra esquerda. Uma fonte americana que conhece bem tanto a política latino-americana quanto os corredores do governo Trump me diz que a comemoração de Washington com Della Sprea e também com Keiko Fujimori no Peru vem acompanhada de uma preocupação com essa diferença muito estreita dos votos e um certo nervosismo sobre o que que vai acontecer aqui no Brasil em outubro.
Ou seja, como se onda recente de virada à direita aqui na região estaria perdendo um pouco de força. De concreto, o que parece ter sido decisivo na Colômbia e teve um peso grande no Peru também foi a percepção dos eleitores de que os candidatos de direita seriam mais efetivos no combate à violência, seriam mais linha dura na segurança pública. E esse é um dos tópicos que vão estar em jogo, como a gente sabe, na disputa aqui no Brasil.
O de la Espreya prometeu que, ao contrário do atual presidente Gustavo Petro, de esquerda, ele não vai continuar o processo de paz, é, com as guerrilhas colombianas, que ele quer bases militares americanas no país e a construção de pelo menos 10 mega prisões lá. A ver o quanto ele vai conseguir avançar com o Congresso, em que o partido dele, ao contrário do caso da Keiko Fujimori no Peru, não tem maioria. Mas o barulho ele vai fazer e vai ecoar aqui no Brasil.
Oi, Edu. E hoje a gente teve também o anúncio da renúncia do primeiro-ministro Kirsten às vésperas dos 10 anos do Brexit. Qual sua avaliação dessa situação? Em que pé fica o Partido Trabalhista? E quais podem ser as cenas dos próximos capítulos?
Eu mencionei há pouco o Peru, né, Débora? O país teve 9 presidentes nos últimos 10 anos, pois o Reino Unido nesse mesmo período teve quase isso, foram 7 primeiros-ministros. O que sublinha é como é que um dos efeitos desse divórcio do país da União Europeia foi o fim de uma premissa que nós todos aqui dávamos como certa, que era que o sistema político britânico era que era um exemplo de estabilidade, né, não mais. A figura mais constante desde o Brexit lá no endereço do onde vive o primeiro-ministro, né, no 10 Downing Street, é o gatinho Larry.
Ele segue desde 2011 lá no posto super tradicional de caçador-chefe de ratos do governo. E o Starmer, ao contrário do Larry, ele vai passar para a história como uma figura de transição que conseguiu de fato ressuscitar o Partido Trabalhista, reaproximou o Reino Unido da Europa continental, mas ele pecou pela falta absoluta de pelo carisma, é muito menos carisma do que o Larry, e pela proximidade com protagonistas do lado de lá do Atlântico Norte, do escândalo Jeffrey Epstein, inclusive o indicado dele para embaixador nos Estados Unidos, que foi acusado de vender segredos de Estado.
Depois de perder no mês passado de lavada as eleições municipais na Inglaterra e as estaduais na Escócia e no País de Gales, o Starmer sofreu um golpe interno da entrada do Andy Burnham, que é o prefeito ultrapopular de Manchester. Nesse mesmo período de 10 anos, ele entrou no parlamento, então ele pôde desafiar a liderança do Partido Trabalhista e muito provavelmente vai se tornar o novo primeiro-ministro. Se confirmado, isso pode acontecer agora já em julho, o Burnham pode esperar até agosto de 2029 para anunciar uma nova eleição geral.
Ou seja, essa mudança interna daria tempo para o Partido Trabalhista mostrar serviço e evitar a derrota, como indicam as pesquisas, é para o Reform UK, próximo do Donald Trump e à frente das pesquisas.
É isso, Estados Unidos. Ah, desculpa, não, desculpa você, Carol, vai daí.
É, ia perguntar sobre Estados Unidos e Irã, né, que estão negociando esse acordo de paz. Tivemos uma rodada de conversas aí no domingo. Qual sua avaliação, hein, Edu, a respeito das conversas até agora?
Bem rapidamente, sucinto, o que o vice-presidente dos Estados Unidos, o J.D. Vance, está fazendo lá em bom português é definir os termos da maior derrota militar de Washington desde o Vietnã nos anos 70. E a gente pode entrar em detalhes sobre isso na próxima segunda-feira.
Já deixou ali um gancho para a próxima segunda-feira. Então é isso, a gente te espera na segunda que vem com mais detalhes dessa pauta e tudo que acontecer aí ao longo da semana. Obrigada, Edu.
Obrigado vocês, um prazer. Boa noite a todos.
Valeu, Edu.
E a gente tem informação sobre mais um atrito aí dentro da família Bolsonaro, porque a Michele Bolsonaro voltou a criticar Ciro Gomes, né, depois do impasse ali sobre o palanque no Ceará. O Matheus Leite tem os detalhes. É um atrito antigo esse envolvendo a Michelle e o apoio ao Ciro Gomes, né, Matheus? Boa noite.
Pois é, Carol, boa noite a você e também aos ouvintes. Atrito antigo, já teve alguns embates aí em relação a isso. E pois é, como você disse, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar o pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes. Em uma publicação nas redes sociais, ela compartilhou um vídeo de um apoiador que afirma que Michelle tinha razão ao se opor à aproximação entre o PL e Ciro. A gravação repercutiu uma entrevista em que o ex-governador do Ceará disse que o presidente Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro são iguais.
Na publicação seguinte, a ex-primeira-dama disse: "Nunca foi para tirar o PT e sim por projetos de poder", em referência às negociações conduzidas nos últimos meses por lideranças do PL cearense para tentar construir uma aliança com Ciro Gomes em torno de uma candidatura de oposição em relação ao governador Eumano de Freitas, do PT. As críticas retomam uma disputa que mobilizou o entorno de Jair Bolsonaro no ano passado. Em dezembro, Michele se posicionou publicamente contra as tratativas conduzidas pelo deputado André Fernandes, do PL, então com aval de Bolsonaro, para viabilizar a composição eleitoral com Ciro no Ceará.
Na ocasião, a ex-primeira-dama afirmou que não poderia apoiar um político que, segundo ela, atacou reiteradamente Jair Bolsonaro e ajudou a consolidar narrativas contra o ex-presidente. O posicionamento gerou forte reação dos filhos de Bolsonaro, como Flávio, que classificou a postura da madrasta como "autoritária" e afirmou que ela havia atropelado uma decisão previamente autorizada pelo ex-presidente. Carlos e Eduardo Bolsonaro também saíram em defesa da articulação.
Dias depois, porém, Flávio pediu desculpas a Michele e o PL decidiu suspender as negociações.
Obrigada, Matheus. Isso no momento, né, Vera, em que a candidatura do Flávio Bolsonaro enfrenta problemas, né, depois de toda a crise lá das ligações dele para o Daniel Vorcato.
Exato. Ela disse que vai ainda gravar um vídeo explicando as razões dela para essa crítica constante que ela tem feito à ideia de apoio ao Ciro Gomes. E ela falou que, né, nunca foi para tirar o PT, sempre foi por projetos de poder, porque ela também compartilhou um trecho em que o próprio Ciro descarta a ideia de apoiar a candidatura do Flávio Bolsonaro, candidatura, aliás, que ela também não apoia com super entusiasmo. Então ela vai assim, aos poucos, querendo se firmar como uma voz dissonante, como uma liderança alternativa dentro da própria família, com ideias próprias, mais desvinculada dos filhos e mostrando que não vai seguir o que se espera, que ela sempre dê ali aval a tudo que os filhos decidirem e que seja só alguém que diz amém e que reverbera as mesmas opiniões do Flávio, do Carlos Bolsonaro.
Ela vai conduzir essa campanha como alguém com uma voz própria, deve apoiar alguns candidatos, especificamente a candidata e governadora do Distrito Federal, Celina Leão delas. Mas nos casos em que ela não concordar, eu acho que ela vai se fazer uma voz dissonante. Isso pode causar alguns ruídos ali na estratégia do QG do Flávio Bolsonaro.
A gente faz mais uma pausa para que você fique com o noticiário local. Na volta, vamos falar sobre a relatoria do, das investigações no STF sobre os valores para o filme Dark Samanta Klein de volta com mais detalhes sobre o caso Dark Horse. Qual foi o parecer da PGR, Samanta?
Então, Débora, o Procurador-Geral da República Paulo Gonê disse que quem tem que ficar com essa investigação é o Ministro André Mendonça. É investigação essa sobre os valores destinados ao filme Dark Horse, que foram solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorkaro. Esse pedido de investigação foi protocolado pelo deputado Lindbergh Farias. Para Lindbergh, o entendimento é que houve uma atuação internacional do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo financiamento desse longa-metragem.
Antes de decidir então sobre a abertura da apuração no STF, Moraes impediu essa manifestação da PGR. E para Gonê, o episódio a que se refere, a representação, já é objeto, portanto, é de um procedimento dentro da própria Suprema Corte. Aí, vide o caso do Banco Master, que está sob relatoria de André Mendonça. Vale lembrar ainda que a decisão final será do presidente Edson Fachin. Com vocês.
Obrigada, Samanta. Faz sentido, Vera.
Faz sentido. Vocês se lembram que eu falei disso aqui na semana passada, que havia uma bola dividida, e não era dividida só em dois, não, era uma divisão em três, porque o ministro Flávio Dino também abriu uma investigação referente ao filme específica para apurar a destinação de emendas parlamentares ao custeamento, ao financiamento desse filme. Então tem ali 3 ministros disputando de alguma maneira a forma de investigar a realização da cinebiografia do Jair Bolsonaro.
O Gonê se manifesta só especificamente em relação a essa representação que foi feita pelo PT. Então, com isso, ele afasta a ideia de que o ministro Alexandre de Moraes incorpore todas essas investigações àquela que já existe, que agora já é uma ação, desculpa, já com condenação do Eduardo Bolsonaro por coação no curso inquérito do processo da trama golpista. E o Gonê afasta que as coisas sejam correlatas, diz que não tem esse nexo e que o local correto para se apurar, portanto, é no inquérito do Banco Master.
E aí a gente vai ter que ver em que momento a Polícia Federal vai pedir ao relator André Mendonça uma investigação focada no senador Flávio Bolsonaro e de que maneira semana isso vai acontecer. Mas ainda existe essa outra bola dividida também com o ministro Flávio Dino, que ordenou a investigação da destinação das emendas, das emendas do Mário Frias, etc.
Tá certo, obrigada, Vera. Bom, talvez a gente só se encontre de novo aqui no Viva Voz na quinta, aí eu vou ver.
Eu mente, inclusive, né? Já avisei que não, já foi avisada que não tem viva voz, né? Amanhã nem no dia do jogo.
Exatamente, amanhã o Ponto Final numa versão mais curta a partir das 7:15 da noite, depois da transmissão de Inglaterra e Gana. E quarta-feira tem Brasil e Escócia também, o Ponto Final mais curto das 5 às 6. Então por isso não teremos viva voz excepcionalmente nos próximos 2 dias, provavelmente só na quinta-feira. Mas a gente mantém você informado. Obrigada, viu, Vera?
Beijos, tchau, gente! Bom jogo para todo mundo, mas eu tô por aí na do CBN Brasil. Então a gente ainda se vê aí.
Qualquer situação diferente, Vera, a gente vai te acionar, viu?
É isso. Até mais, gente. Tchau, tchau.
— Anúncios inseridos dinamicamente —