Investigação sobre filme de Jair Bolsonaro deve ir para gabinete de André Mendonça
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Milton
Cássia
Malu Gaspar
- Investigação sobre Mário Frias e filme de Jair BolsonaroDaniel Vorcaro · Eduardo Bolsonaro · André Mendonça · Caso Master · Financiamento de filme · Supremo Tribunal Federal · Alexandre de Moraes · Lindbergh Farias
- Consultoria para Empreender nos EUAEduardo Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Advogado de imigração · Fundo de investimento
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Conversa de bastidor com Malu Gaspar. Muito bom dia para você, Malu Gaspar.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia para todo mundo que tá ouvindo a gente.
Bom dia, Malu.
Malu, que novidades nós temos sobre o pedido de investigação do financiamento do filme que conta a história de Jair Bolsonaro?
Milton, a gente viu ontem alguns movimentos ali no Supremo Tribunal Federal que indicam que agora essa investigação sobre o Dark Horse vai andar Sobre a relatoria do ministro André Mendonça, muito provavelmente. Vou contar para vocês o que que aconteceu. Eu não sei se o nosso ouvinte acompanhou, mas há um tempo atrás, mês passado, quando surgiram as denúncias sobre o filme sobre a vida do Jair Bolsonaro, eram os áudios do Flávio Bolsonaro cobrando o Daniel Vorkaro, que o Intercept Brasil revelou, né?
Não sei se vocês lembram, mas acho que todo mundo vai lembrar. Flávio Bolsonaro cobrando, meu irmão, meu irmãozão, o dinheiro para realizar o filme sobre o Jair Bolsonaro. E depois ele mesmo admitiu que esse dinheiro tinha sido pago por uma empresa do Daniel Vaccaro via um fundo ligado ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. O dinheiro, em vez de ir para o filme aqui no Brasil, foi lá para o exterior para depois financiar a produção, que acabaria, que é estrangeira, mas acabaria sendo feita no Brasil.
Não conseguiu explicar o Flávio Bolsonaro É o que foi feito do dinheiro, até hoje não se prestou contas. E o deputado do PT, Lindbergh Farias, fez um pedido para que isso fosse investigado, fez um pedido ao Supremo Tribunal Federal. Mas qual foi o truque? O Lindbergh Farias fez um pedido para que esse caso fosse investigado dentro do processo que o Alexandre de Moraes movia, relatava, do Eduardo Bolsonaro por crime de coação no curso do processo.
É um outro assunto que tem a ver com as iniciativas que o Eduardo que o Bolsonaro tomou lá nos Estados Unidos, que visavam realmente tumultuar o processo da trama golpista. E por causa disso ele tava sendo processado. Inclusive, na semana passada, foi condenado na primeira turma do Supremo por unanimidade a 4 anos de reclusão, a 4 anos e 2 meses de reclusão. Então esse processo até já acabou. Mas no momento em que o Lindbergh Farias entrou com pedido, ele queria que esse caso do Dark Horse entrasse no escopo desse processo que tava sendo relatado pelo Alexandre de Moraes.
E aí houve até uma discussão, eu mesmo opinei dizendo que achava que não era o caso, porque o Alexandre de Moraes é uma pessoa ligada ao Master, né, a gente já viu as mensagens que o Daniel Vaccaro trocou com ele, o contrato que o Daniel Vaccaro fez com a mulher dele, então não seria apropriado você dar para uma pessoa cuja mulher teve um contrato de R$130 milhões com o Master investigação sobre um financiamento de R$130 milhões do filme do Jair Bolsonaro.
Coisa não fazia sentido, mas o pedido rolou. O Alexandre de Moraes pediu que a Procuradoria-Geral da República opinasse, e ontem o procurador Paulo Gonê opinou que não deveria ficar com Alexandre de Moraes. Ele não falou isso que eu tô falando para vocês, que não é, que não é, não seria apropriado. Ele usou um outro argumento dizendo que esse assunto tá no escopo de um outro, de uma outra petição que já investiga o caso Master, que por prevenção deveria por Ah, ele quis dizer assim: olha, esse assunto já tá sendo investigado pelo ministro André Mendonça, então não devemos botá-lo sob a relatoria do Alexandre de Moraes.
Com isso, o assunto que tava parado à espera de uma opinião do Paulo Gonê para que se definisse, acabou sendo enviado pelo próprio Alexandre de Moraes. O Alexandre de Moraes despachou e disse: ok, então cabe ao ministro Fachin decidir se fica com o Mendonça ou se fica comigo. O que a gente sabe dos bastidores do Supremo é que o Edson Fachin, que é o presidente do Supremo Tribunal Federal, deve distribuir esse caso para o André Mendonça por conexão com o Master.
Afinal de contas, o dinheiro é do Daniel Vaccaro, é toda a situação tem a ver com esse esquema do ecossistema Master, deve ser realmente enviado. E aí sim vai ser aberta uma petição específica. Milton, esse assunto ele tá entre os milhares de documentos e dados que estão dentro do material apreendido, que tá na investigação do caso Márcia, da Compliance Zero, mas ele ainda não tinha sido alvo de um procedimento específico, de uma investigação dirigida apenas para isso, pela quantidade de coisas, porque ele veio à tona pela imprensa e não pela, por uma ordem de trabalho da Polícia Federal.
Mas com essa provocação do Lindbergh, sendo enviado o caso para o Mendonça, as minhas fontes dentro da operação falam que sim, vai ser aberto um inquérito em breve. Não quero, não, desculpa, uma petição que eles falam, procedimento investigativo para investigar, para tocar esse caso adiante, agora dentro do escopo da investigação formal e não mais do ponto de vista das denúncias. Diga, Cassi.
E importante lembrar que uma das linhas de investigação dessa história é saber se o dinheiro de Daniel Vorcaro teria sido usado mesmo para financiar esse filme ou para financiar a vida nos Estados Unidos de Eduardo Bolsonaro, deputado cassado, né?
Exatamente isso, Cássia. Esse foi inclusive o argumento utilizado pelo deputado Lindbergh Farias, dizendo: olha, já que o Eduardo Bolsonaro tá tumultuando lá, vamos investigar se esse dinheiro serviu para financiar ele lá. Então, e essa é a suspeita, porque o próprio Flávio Bolsonaro admitiu que o dinheiro foi enviado para esse fundo. E a gente até entrevistou ele na época na Globo News, eu, a Júlia Duarte, o Otávio Guedes, e a gente perguntou para ele qual era a relação entre uma coisa e outra, porque que precisava enviar para um fundo se não poderia, por exemplo, pagar produtora?
Qual é a lógica de mandar? E ele não conseguiu explicar, disse que tinha regras de confidencialidade, que não poderia revelar qual era o contrato. Tudo isso é muito suspeito, né? Se você tem uma produção cinematográfica com atores que filmando o Brasil, que tem uma empresa nos Estados Unidos responsável por esse filme, qual é a lógica de um fundo do Vô Caro passar por um fundo do advogado de imigração do Eduardo Bolsonaro lá? Ainda falaram: não, ele é um advogado que faz investimentos e tal.
Mas a verdade é que a gente não tem conhecimento de nenhum grande investimento, fundo privado. Ele chegou a comparar na época com BlackRock, que é um mega fundo que atua em vários lugares do mundo. Nada a ver uma coisa com a outra. Então realmente é uma prestação suspeita. Até agora não teve prestação de contas, e é importante que a gente saiba para onde foi esse dinheiro, porque o que a gente mais tá vendo nesse caso Master é dinheiro que não vai para onde tinha que ir, né?
Sem dúvida. Muito obrigado, Malu Gaspar, muito obrigado pelas suas informações, sua análise aqui no Jornal da CBN. Um bom dia para você.
Valeu, pessoal, bom trabalho para todo mundo.
Até mais, Malu.
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