Episódios de Comentaristas

A volta do reforço da vacina da pólio aos 4 anos

23 de junho de 20267min
0:00 / 7:24
Luis Fernando Correia explica que a mudança começa a valer, a partir de 3 de agosto de 2026. O que muda? Ouça o comentário.

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Participantes neste episódio3
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Milton

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Vacinação e ImunizaçãoMudança no calendário vacinal · Programa Nacional de Imunizações · Organização Mundial da Saúde · Vírus vivo atenuado vs. inativado · Cobertura vacinal · Imunidade de rebanho
  • Superando a estagnação e a dorBotox® Autobotulinum Toxin A · Sintomas de efeitos colaterais graves
Transcrição19 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
?Voz A

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?Voz A

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LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

?Voz D

Muito bom dia, Dr. Luiz Fernando Correia.

LFLuis Fernando Correia

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz E

Bom dia, doutor.

?Voz D

Doutor Luiz Fernando, voltamos a falar aí da vacina da pólio?

LFLuis Fernando Correia

Vamos. É importante, Milton. A gente volta e meia fala da importância da cobertura vacinal da vacina da poliomielite. No Brasil ela tá erradicada, o último caso foi em 89. Em 94 a gente teve, recebeu de volta o certificado de livre do vírus pela OPAS. Agora, importante é o seguinte: essa semana aconteceu uma mudança no Programa Nacional de Imunizações e que algumas mães podem ficar preocupadas. Não é para ficar preocupada, é para entender o que está acontecendo.

Até 2024, a criança recebia 3 doses da vacina injetável aos 2, 4 e 6 meses. E depois 2 reforços com a gotinha, a vacina oral, aos 15 meses e aos 4 anos. Em novembro de 2024, o Brasil seguiu a Organização Mundial da Saúde, aposentou a gotinha e passou a usar só injetável. E aí ficou apenas um reforço aos 15 meses. Agora, no segundo semestre desse ano, em agosto, o segundo reforço volta ao calendário aos 4 anos de idade, também injetável.

Então, o que está acontecendo, antes que comece esse discurso antivacina criminoso e bobagens circulando, o Brasil volta ao esquema das 5 doses que sempre foram feitas, só que nesse caso a quinta dose vai ser com injetável também. E aí vem a pergunta: bom, mas se não tem doença, por que mais uma dose? Porque a gente sabe que a proteção da vacina cai com o tempo, Milton. Esse reforço vai manter a cobertura elevada e a proteção elevada, principalmente nas crianças menores de 5 anos, onde o risco das formas graves da poliomielite é maior.

Então não é reforço, não é mudança, questão de reação alguma coisa, é se enquadrar no padrão recomendado pela OMS, não é um exagero, é um alinhamento com melhor evidência científica E com uma coisa interessante: a gente passou a usar a vacina injetável nos reforços justamente porque a gotinha foi muito importante, foi fundamental para o mundo inteiro, mas ela usava um vírus vivo enfraquecido. Em situações raríssimas, esse vírus podia sofrer uma mutação e, paradoxalmente, podia até provocar doença.

Então, adotando exclusivamente a vacina injetável, que é feita com vírus inativado, Não temos esse risco no Brasil mais, já não temos desde que paramos de usar a vacina da gotinha, claro. Mas a gente garante que todas as doses são feitas com vírus inativado, é segura a vacina, e a gente ainda não tem a cobertura ideal. A gente tem que voltar nesse assunto e vamos continuar voltando. A meta do PNI é de 95%, é isso que garante imunidade de todos.

Na poliomielite a gente chegou a despencar para cerca de 71% em 2021. E com muito esforço, esforço de toda a comunidade científica da área da saúde, conseguimos subir para 90% em 2004. Então é recuperação, mas tá abaixo da meta. Em 2025, apenas duas vacinas do calendário bateram os 95%. Na região Norte, no Nordeste, a gente tem regiões muito frágeis, e não só lá. Eu volto a dizer o seguinte: não adianta você ter uma cidade com 100% de cobertura.

Aí nós vamos falar, por exemplo, sarampo. Rio de Janeiro tem 100% de cobertura, Niterói tem mais de 100%, muito bom. Mas na região metropolitana tem cidade com 40% de cobertura. Então, gente, o vírus não quer saber onde é que começa uma fronteira e termina a outra. O vírus não tá perguntando em que cidade ele tá. Então as pessoas se deslocam, os vírus se deslocam junto com as pessoas. Então a frase continua sendo a frase que o Dr.

Tedros Adhanom criou, falou durante a pandemia, eu acho que é emblemática: só estaremos seguros quando todos estiverem seguros. Então é por isso que é importante a gente voltar a discutir cobertura vacinal sempre.

?Voz E

E por isso que é importante lembrar também que a decisão de não vacinar uma criança nunca é uma decisão individual, uma decisão familiar, é uma decisão que afeta toda a coletividade, né, Doutor?

LFLuis Fernando Correia

Exatamente. É aquela coisa, você pode dizer: poxa, mas é meu filho, eu não vou dar vacina no meu filho. Sim, mas o seu filho frequenta a escola com uma criança que, por ter uma doença grave, tá se tratando de câncer infantil. Vamos lembrar que os tumores infantis hoje em dia tem recuperação, tem cura acima de 90%, mas essas crianças receberam receberam quimioterapia. Você tem gente que tá tratando doenças crônicas que precisam mexer com a imunidade.

Você tem pacientes que foram transplantados, muitas vezes não podem receber uma vacina. Então, se você deixa de vacinar o seu filho, você expõe essas pessoas também à doença. Pense nisso. Vacina é um compromisso social, é um compromisso coletivo, não é uma decisão individual pura e simples. Isso é que é importante.

?Voz D

Apenas então para esclarecer aqui, como é que vai ficar o calendário dessa vacina?

LFLuis Fernando Correia

A vacina volta a ser 2 meses, 4 meses, 6 meses de idade, doses injetáveis. Eu sei que na hora que dá dói, dói no pai, na mãe, e quem tiver levando a criança. Eu sei que leva o meu neto às vezes. É 15 meses no primeiro reforço e aos 4 anos.

?Voz D

Ou seja, até os 4 anos são 5 doses.

LFLuis Fernando Correia

Doses, exatamente, a partir de agosto de 2026.

?Voz D

Muito obrigado, até mais.

?Voz E

Valeu, até amanhã.

LFLuis Fernando Correia

Até amanhã.

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