Vitória da extrema direita na Colômbia amplia isolamento de Lula na América do Sul
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Bernardo Mello Franco
Cássia
Leandro
- Eleicoes ColombiaAbelardo de la Espriella · Nayib Bukele · Javier Milei · Estilo de campanha · Uso da camisa da seleção
- Lula nos Estados UnidosVitórias da direita na região · Liderança regional do Brasil · Relações com os Estados Unidos · Donald Trump
- Candidata IA na ColômbiaIvan Cepeda · Gustavo Petro · Pre-count e escrutínio · Comparação com o Brasil · Respeito à democracia
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Bernardo Melo Franco já conosco. Boa tarde para você, Bernardo. Ah, ele está sem áudio. Então agora vamos ver se a gente arrumou o áudio do Bernardo. Agora sim.
Boa tarde, boa tarde, Cássia. Boa tarde, Leandro. Boa tarde, ouvinte. Você bem?
Boa tarde, Bernardo. Nós tivemos eleições na Colômbia e tivemos a vitória, uma vitória bem apertada, é verdade, do advogado empresário de direita Abelardo de la Espriella. Ele venceu o Ivan Cepeda por uma diferença de menos de 250 muitos votos. Bernardo, o que que esse resultado traz de impacto para o Brasil e para América do Sul, hein?
Pois é, Cássia, é curioso, né? A gente tá vendo eleição a eleição um padrão se repetir de países divididos praticamente ao meio, né? Eleições sendo definidas no fio da navalha. Foi assim no Brasil em 2022, foi assim recentemente no Peru com a vitória ainda não oficial da Keiko Fujimori. E agora esse padrão se repete na Colômbia, é uma vitória muito, muito estreita, por uma margem mínima, do candidato da extrema-direita, o Abelardo de la Espriella.
Bem, o primeiro ponto, Cássia, a notar nesse caso é que é uma vitória da extrema-direita. O Abelardo de la Espriella, ele é um candidato com posições muito radicais E que investiu numa espécie de uma mistura da receita do Nayib Bukele, presidente de El Salvador, conhecido pelo discurso linha dura na segurança, construção de mega presídios, combate armado, inclusive restrições a direitos individuais em nome do combate à corrupção, à criminalidade, perdão.
E ao mesmo tempo, o colombiano também se inspira no Javier Milei, não só no discurso ultraliberal para economia, de desregulamentação total do Estado, de privatizações, retirada do poder público das instâncias econômicas, mas também no estilo, na forma. E que forma foi essa? Foi a forma do espetáculo, dos mega comícios que parecem shows de popstar. O Millet sempre usava a figura do leão, como se ele fosse o leão. O Spriella virou o El Tigre.
Então, se você vê as imagens dos comícios dele, realmente são coisas impressionantes, né? Fogos de artifício, imagens de um tigre mordendo, rugindo, com base em inteligência artificial, e uma campanha muito baseada na internet, num discurso bastante agressivo, de criação de polêmicas. E aí um detalhe que parece com o Brasil foi o uso da camisa da seleção nacional, da camisa amarela, não a do Brasil, mas a da Colômbia. Que foi apropriada pela extrema-direita, como aqui no Brasil, como uma espécie de uniforme político.
Agora, para nós, qual que é a importância dessa eleição? Em primeiro lugar, Cássia, vale a gente dizer que a Colômbia, embora não seja um país para o qual os brasileiros olham com muita atenção, é a terceira economia da América do Sul, só está atrás do Brasil e da Argentina. Tem uma fronteira enorme com o Brasil, de mais de 1.000 km de extensão, e também tem o Brasil como seu terceiro maior parceiro comercial. É claro que a extrema-direita vencendo na Colômbia, isso amplia o quadro de isolamento político do presidente Lula na região.
Veja que a direita vai cercando o Brasil com uma série de vitórias, né, na Argentina, no Peru, no Chile, né, que não faz fronteira, mas que também é país da América do Sul, no Paraguai, na Bolívia, e agora Também na Colômbia, claro que para o presidente Lula, embora o Brasil seja um líder natural da América do Sul, isso é um problema porque enfraquece a liderança regional dele, né? O Brasil fica menos apto a liderar outros países, a formar um bloco de países que pensam da mesma forma.
E claro, também aproxima a Colômbia dos Estados Unidos e da figura do Donald Trump, que deu declarações de apoio explícito ao Espríritu Santo. Conversando com a diplomacia brasileira, Cássia e Leandro, o que que eu ouvi é que o momento agora é de espera, de prudência, né? A bola tá no campo do Espríritu Santo. O Brasil ainda não reconheceu oficialmente o resultado, deve fazer isso assim que o resultado for oficial, né, da parte da Colômbia, mas Há uma expectativa para ver como é que o presidente eleito vai se comportar, se ele vai para uma linha mais pragmática, como tem feito, por exemplo, o Kast no Chile, né?
E aí vai ter uma relação institucional com Lula, apesar das diferenças políticas, ou se ele vai para uma linha mais histriônica— foi essa expressão que eu ouvi de um embaixador— como é a linha do Millet. E aí, Cássia e Leandro, aí vai ser mais complicado para o Brasil, porque as relações Presidenciais entre Brasil e Argentina, hoje, entre Lula e Milei, elas praticamente não existem. E sobre a eleição, resultado apertado aí, e há questionamento, né, por parte da oposição e do próprio presidente Gustavo Petro.
Pois é, Leandro, mas eu tava vendo aqui um pronunciamento feito pelo Ivan Cepeda, que foi o candidato da esquerda apoiado pelo Petro, e se você for olhar em ali nas entrelinhas ele praticamente já admite uma derrota. Ele diz que ele representa metade do país, que essa metade do país não pode ser desprezada, não pode ser hostilizada pelos novos ocupantes do poder, mas ele não sinaliza nenhum tipo de embate político, de mobilizar bases contra o resultado, de fazer protesto ou de impedir a posse do Spriella.
Na Colômbia, Existe uma coisa chamada pre-count, que é uma espécie de uma contagem prévia, uma contagem rápida. Essa contagem rápida apontou uma vitória da extrema-direita por uma margem mínima. Depois disso, as atas têm que ser certificadas, e aí sai aquilo que eles chamam de escrutínio, que é o resultado oficial. Mas o padrão nesses casos é a diferença entre uma coisa e outra ser em torno de 0,1%, 0,2% dos votos. É menos, portanto, do que a diferença ali estimada em 250 mil votos no total entre os dois candidatos.
Então, muito provavelmente, a gente vai ver o órgão eleitoral da Colômbia ratificando a vitória do candidato da extrema-direita nas próximas horas ou nos próximos dias. Ele pediu até manifestações pacíficas também, né, dos apoiadores, porque teve protesto, com confrontos entre manifestantes e policiais em algumas cidades. Pois é, Leandro, que é positivo, né? A gente vê que parte dos problemas que a gente enfrentou no Brasil nos últimos anos decorreu do candidato derrotado não reconhecer a vitória do candidato eleito, né?
O Jair Bolsonaro se recusou a passar a faixa para o Lula, e depois disso houve o 8 de janeiro, com aquela investida antidemocrática, né, contra os símbolos, os palácios, sede dos poderes da República. Essa manifestação do Cepeda é importante porque ela sinaliza no acatamento do resultado das eleições e no respeito à democracia. Importante dizer que na democracia o eleito, o vencedor, assume o governo e o derrotado vai para oposição, mas tem que ser uma oposição dentro das regras, tem que ser uma oposição dentro das normas, dentro da Constituição.
Até porque os presidentes passam, mas os países ficam, né? Daqui a 4 anos tem outra eleição e quem é derrotado pode se reorganizar para concorrer mais uma vez. Essa é a regra do sistema. O estranho é quando acontece o contrário, como aconteceu recentemente aqui no Brasil.
É isso, Bernardo Mello Franco. Muito obrigada, Bernardo. Até a próxima.
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