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Após desistências de pré-candidatos, eleição em São Paulo pode ser decidida no primeiro turno

23 de junho de 20269min
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Maria Cristina Fernandes fala sobre as chances de uma eleição de turno único após desistências de dois pré-candidatos em São Paulo e as consequências para a disputa presidencial.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando

HostJornalista
T

Tati

HostApresentadora
M

Maria Cristina Fernandes

ConvidadoEspecialista
Assuntos3
  • Demissão Crespo São PauloDesistência de Kim Kataguiri · Desistência de Paulo Serra · Possível disputa de turno único · Cenário com Tarcísio Freitas e Fernando Haddad · Possibilidade de Márcio França como terceiro candidato · Impacto para Simone Tebet
  • Disputa Presidencial PSDAnálise da geografia do voto de Jair Bolsonaro (2018 vs 2022) · Vantagem no Sudeste e anulação no Nordeste · Desgaste de Flávio Bolsonaro no Sudeste · Legado da privatização da Sabesp · Preocupação do PT com reeleição de Lula
  • Pesquisa eleitoralJairo Nicolau e Instituto de Estudos Avançados da USP · Geografia do voto em centros urbanos
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MCMaria Cristina Fernandes

Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.

MCMaria Cristina Fernandes

Oi, Maria Cristina, boa tarde.

MCMaria Cristina Fernandes

Você já trabalhou aqui um tempo, não foi?

MCMaria Cristina Fernandes

Foi, você acredita? Tô de volta.

MCMaria Cristina Fernandes

Nossa, faz muito tempo, né? Agora que me veio a lembrança.

MCMaria Cristina Fernandes

Que memória boa! Eu tive aqui entre 2000 e 2006. Olha que beleza!

MCMaria Cristina Fernandes

Seja bem-vinda de volta novamente conosco, não é, Fernando?

MCMaria Cristina Fernandes

É isso, saudades demais de ouvir você, suas análises. Hoje Maria Cristina vai falar sobre chances de uma eleição de turno único em São Paulo e respingos na disputa presidencial.

MCMaria Cristina Fernandes

Se você tivesse R$10, Maria Cristina, aí a minha ruína, você não esqueceu ainda, né? Ela vai fazer o bolão da Maria Cristina, empenhada em arruinar a vida dos comentaristas, né?

MCMaria Cristina Fernandes

Mas vamos lá, vamos falar então das chances de essa eleição.

MCMaria Cristina Fernandes

Futebol, né? Apostar aí quem vai ganhar desse jogo aí, Portugal e os bichos que estão 3 a 0, Portugal. Pois é, mas todo mundo envolvido com Copa, com jogos, mas a campanha está acontecendo, viu, gente? E os bastidores desta campanha estão seguindo. Quando acabar a Copa, já tá tudo montado, já vai ter até convenção feita, candidato aí, o eleitor vai se deparar. Não que ele esteja exatamente muito ligado agora, mas, ou estará depois da Copa, mas o fato é que muita coisa está está acontecendo.

Um desdobramento importante que aconteceu nesse fim de semana foi a desistência não apenas de um, mas de dois pré-candidatos ao governo de São Paulo. O deputado federal Kim Kataguiri, que era do União Brasil e hoje está no Missão, que é esse partido que o Renan Santos criou, e o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, que é do PSDB, presidente do PSDB São Paulo. Ambos desistiram nesse fim de semana. O Kim disse que foi porque ele quer ser ministro do governo Renan Santos, que é um candidato que tá com 3% dos votos na pesquisa que lhe é mais favorável.

Pois é, o que a gente ficou sabendo é que na verdade a pressão de setores empresariais, porque tem que, tem poucos interlocutores hoje na bancada e terão menos ainda porque alguns vão sair, desistir da vida parlamentar, e não querem que ele deixa a Câmara, mas ele nega por completo, disse que é porque vai se preparar para ser ministro. O Paulo Serra de fato está aí, o PSDB está convergindo aí para se aliar e compor o futuro governo, se vier a ser reeleito Tarcísio Freitas.

O fato é que com a saída desses dois pré-candidatos ficou mais a probabilidade de você ter uma disputa de fato entre dois nomes, né, o Tarcísio, candidato à reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad, que o desafiará. Agora, matematicamente, uma campanha de dois candidatos é uma campanha que termina no primeiro turno, certo? E se não surgir nenhum outro candidato, isso fez com que o PT passasse esses últimos dias fazendo contas.

E refazendo, fazendo. E quais são os cenários possíveis? Porque uma chance é que surja um terceiro candidato. Quem seria? O ex-ministro Márcio França, que já governou o estado na condição de governador do estado, porque ele era vice do Alckmin em 2018, e ele disputou a reeleição contra João Dória. E no segundo turno ele teve 48% dos votos. Só que ele era governador, estava no cargo. De lá para cá ele tornou-se ministro do governo Lula e ele é o fundador do PSB, que é o partido que hoje está na vice-presidência, Geraldo Alckmin, candidato também a ser reconduzido à vice-presidência.

Então tá muito identificado com o governo Lula. Como é que ele vai ser um candidato de terceira via? Capaz de tirar mais voto do Haddad do que do Tarcísio, né? E ele não ocupa esse espaço pela direita como Rodrigo Garcia, ex-governador, também fez em 2022, que acabou ajudando a levar a disputa para o segundo turno. E ainda cria um problema grande para Simone Tebet, também ex-ministra, que é candidata, a pré-candidata ao Senado em São Paulo, porque ela é do PSB.

Então, se o Márcio França for candidato, ela vai pedir voto para quem? Para ele ou para o Fernando Haddad? Então tem um problema de lançar o Márcio França agora. E aí, quem mais poderia ser lançado? O Missão não descarta lançar um outro nome, só que o Kim Kataguiri é o único deputado federal, então vai ser difícil que eles lancem o nome com a mesma visibilidade do Renan. E eles não dependem exatamente de palanque, né, porque é uma campanha muito muito com base no Renan e muito com base na internet, rede social.

Então tem uma lógica diferente da política tradicional. E essa insegurança do PT sobre o futuro da campanha vem, as contas na verdade elas já estão feitas e recomendo aqui um livrinho e um artigo que vai sair agora na revista do Instituto de Estudos Avançados da USP, do professor da GV do Rio, Jairo Nicolau, que é o E é quem melhor sabe analisar dados eleitorais no país, de longe. E ele, o que que ele diz da eleição de 2018 para 2022?

O que que aconteceu com a geografia do voto do ex-presidente Jair Bolsonaro? Ele não conseguiu reproduzir em 2022 o desempenho de 2018 porque A vantagem que ele tinha posto sobre o PT em 2018 nos grandes centros urbanos do Sudeste— por grandes centros urbanos eu chamo cidades acima de 500 mil habitantes, são 23, desses 10 são paulistas— essa vantagem em 2018 foi de mais de 5 milhões de votos. Em 2022 esta vantagem caiu para 784 mil.

Ou seja, essa vantagem, o Nordeste nunca deixou de estar com Lula. Não foi o Nordeste que fez a diferença em 2022 para o Lula ganhar. O Nordeste sempre esteve, continuou a estar. O que fez a diferença é que em 2018 o Bolsonaro tinha usado essa vantagem no Sudeste para anular a vantagem petista no Nordeste, e em 2022 já não teve mais essa vantagem. E aí o Lula conseguiu passar. Então tudo isso é um problema. Algumas pessoas não do PT— o PT tá mais preocupado do que a direita não bolsonarista e não tarcisista— que acham que o desgaste do senador Flávio Bolsonaro é grande no Sudeste, particularmente em São Paulo, e isso pode arrastar o governador Tarcísio de Freitas, bem como algumas controvérsias que dizem respeito à segurança pública no estado, aos ao legado aí dessa privatização da Sabesp.

Então não se dá exatamente no fato de eventualmente o ministro Fernando Haddad se vier a perder eleição, que é o que as pesquisas mostram, o Lula ficar sem um palanque no Estado, que viria a comprometer a reeleição do presidente no eventual segundo turno. Mas o fato é que o PT tá fazendo as contas com certeza e está preocupado.

MCMaria Cristina Fernandes

Maria Cristina Fernandes conosco diariamente em Tudo É Política. Obrigada, Maria Cristina, um beijo para você, até amanhã.

MCMaria Cristina Fernandes

Um beijo, Tati, Fernando, até amanhã e seja bem-vinda mais uma vez.

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