Episódios de Comentaristas

Primeira semana de cessar-fogo entre EUA e Irã é positiva, mas cenário global segue instável

23 de junho de 20268min
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Cristina Pecequilo analisa impasses nucleares e energéticos no Oriente Médio e destaca turbulência política no Reino Unido a 10 anos do Brexit.

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Participantes neste episódio3
F

Host
T

Tati

HostApresentadora
C

Cristina Pecequilo

Convidado
Assuntos3
  • Crise Política do Governo LulaRenúncia de Kirsten Starmer · Nigel Farage · Kemi Badenoch · Brexit · Imigração
  • EUA e Irã - Cessar-fogo rejeitadoNegociações nucleares e energéticas · Estreito de Hormuz · Fundos iranianos congelados · Crise energética
  • Antissemitismo e conflito Israel-PalestinaQuestão de Israel · Negociações do Líbano · Gaza · Cisjordânia · Netanyahu
Transcrição16 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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CPCristina Pecequilo

Oi, Tati, boa tarde, bem-vinda de volta. Boa tarde, Fê e ouvintes.

?Voz C

Obrigada, obrigada. Bom, vamos falar da primeira semana de cessar-fogo e do início da nova rodada de negociações Estados Unidos e Irã. Depois a gente fala um pouquinho da crise no Reino Unido, mais uma. Qual é o balanço que se pode fazer até agora, Cris, sobre essa primeira semana de cessar-fogo? E quais são os principais temas que estão sendo discutidos pelos lados?

CPCristina Pecequilo

Eu acho que até uma primeira semana positiva. Parece que os dois lados, tanto o Irã quanto os Estados Unidos, mesmo com todos os envolvidos sendo um pouco nervosos, né, assim a gente pode dizer, do Trump também, as coisas estão caminhando. Nós temos a presença do presidente iraniano no Paquistão, mas as negociações de agora elas estão sendo conduzidas também na Suíça. Então a gente tem algo como se fossem duas frentes em atuação.

Novamente, os grandes problemas são a questão nuclear, a garantia de que o Irã vai garantir a inspeção do seu arsenal de urânio enriquecido e também das suas instalações, mas também a questão do Estreito de Hormuz e a devolução de fundos iranianos que estão congelados. Mas a grande notícia, isso para o Trump também Irã é que o petróleo vem fluindo pelo Estreito de Ormuz e que há, durante esses 60 dias do cessar-fogo, uma perspectiva de que pelo menos a crise energética ela seja minimizada.

Ela não será resolvida, mas minimizada. E com isso, alguns navios passando e também a questão da soberania em Ormuz. Quem vai controlar a passagem dos navios e se vai haver ou não taxação. Então eu acho que essa primeira semana é positiva, mas ainda assim a gente sempre precisa ficar de olho.

?Voz B

Agora, Cris, de que forma as questões do Líbano e de Gaza— não podemos esquecer Gaza— estão se desenrolando paralelamente? Alguma chance de Israel mudar de posição?

CPCristina Pecequilo

Não, Fê, eu acho que a questão de Israel é justamente a não mudança de posição. Mas uma coisa que tem chamado atenção é que as negociações do Líbano continuam ocorrendo, tem uma rodada nova de negociações agora. Israel se recusa a desocupar as regiões, só que tem muita coisa acontecendo em Gaza e também na Cisjordânia. Na Cisjordânia nós tivemos o anúncio de novos assentamentos que podem vir a ser os maiores. E com relação a Gaza, há reuniões em andamento desde a semana passada do Conselho da Paz justamente para reconstrução.

Só que o Conselho da Paz, feito muito por empresários norte-americanos que querem colocar o seu pé naquela região, né, aquela brincadeira sem graça do Trump sobre o resort, parece que ela volta, mas sobre os panos, né. E aí a gente a gente tem todo mundo olhando para o Irã, todo mundo olhando para o Hormuz, Israel continuando a ocupar o Líbano, continuando a quebrar o cessar-fogo repetidamente, e a crise humanitária em Gaza e o avanço daquele planejamento da grande Israel de Netanyahu parece que não para, né?

Então é algo que a gente também precisa estar atento, porque geopoliticamente isso tem um impacto também nas negociações com o Irã.

?Voz C

O Cris, falando do Reino Unido agora, gente, bom, vocês falaram bastante aqui da renúncia do primeiro-ministro Kirsten Starmer e do principal desafiador, Andy Burnham. Fora do Partido Trabalhista, quais são as outras lideranças e que que essas lideranças defendem?

CPCristina Pecequilo

A gente tem aqui duas tendências que ao mesmo tempo que elas têm diferenças, elas são similares. O que a gente tem é um desafio do Partido Trabalhista que vem primeiro do radicalismo da extrema-direita e aí a gente tá falando daquele partido Reform UK, né, que seria reformar o Reino Unido, que é liderado pelo Nigel Farage, que é uma pessoa extremamente visível, né, tanto ele quanto seus demais apoiadores. É uma pauta xenofóbica, é uma pauta nacionalista.

E do outro lado a gente também tem uma pauta anti-imigração e nacionalista, mas pró-desenvolvimentista, de uma líder do Partido Conservador, que é a líder da oposição, que é a Kemi Badenoch. Então O que que o Nigel Farage está fazendo? Ele está pressionando, e isso pode ter adesão também do Partido Conservador, para novas eleições. Isso precisa ficar claro aqui. O Starmer, ele renunciando, ele não precisa entregar o governo porque os trabalhistas, eles ainda têm maioria no parlamento.

A nova eleição, ela só precisaria ser convocada em 2029. Só que o Farage do Reform e também os conservadores tenham observado o terreno para ver o que pode ser feito. Por quê? Porque aí eles tentam questionar a liderança. Mas por enquanto a gente tem que olhar nessas pautas, que elas são pautas muito nacionalistas, muito anti-imigração, e ver como as coisas vão caminhar. O Reino Unido, ele tá realmente em convulsão, algo que a gente nunca imaginaria assistir considerando a história britânica.

?Voz B

Cris, hoje é uma efeméride interessante porque são 10 anos do Brexit. E aí o Reino Unido saiu, olha o que aconteceu.

?Voz C

Olha os capotes do mundo de lá para cá, não é mesmo?

?Voz B

Queria te ouvir sobre isso, em que situação tá o Reino Unido, a governabilidade do Reino Unido nesses 10 anos. Vamos lembrar, são 10 anos, 7 primeiros-ministros, o próximo será o sétimo, né?

CPCristina Pecequilo

O próximo será o sétimo. E aí é muito interessante a gente falar dos 10 anos do Brexit agora porque o Farage que eu acabei de mencionar, ele foi o grande arquiteto da saída do Reino Unido da União Europeia. E aí é interessante que a gente tem duas linhas muito presentes no debate público interno britânico. Você tem esse lado mais nacionalista, xenofóbico, anti-europeu, que tem raízes também no Partido Conservador, não vamos negar.

Quem convocou o plebiscito do Brexit foi o Partido Conservador. O antigo primeiro-ministro David Cameron, Boris Johnson levou isso adiante, foram 4 anos para sair. E aí você tem um outro lado, pessoas quando questionadas na rua dizem assim: não, eu acho que eu votaria diferente agora. Então não há clareza com relação a isso. Mas de fato, o que que acontece com o Reino Unido hoje? Ele continua recebendo muitos imigrantes. Antes isso tudo era culpa da União Europeia, então pelo jeito não era culpa da União Europeia.

E aí o Reino Unido, ele perde vantagens econômicas, ele perde mercados quando ele sai da União Europeia e não consegue recuperar. Então Então ele tá com uma baixa competitividade. E aí, né, a gente tem, né, como a Tati falou, você falou também, o mundo capota, né? E aí a gente tem uma situação na qual não há clareza. Queremos voltar? Não queremos? Eu acho que é muito difícil que qualquer liderança hoje consiga recolocar o Reino Unido na União Europeia.

Mas é fato que teve um custo político, um custo econômico e também um custo estratégico, no sentido de deixar o Reino Unido isolado grandes questões internacionais.

?Voz C

Muito bem, Cris Pesquilo conosco toda terça-feira no nosso CBN Pelo Mundo. Valeu, Cris, um beijo para você, até a semana que vem.

CPCristina Pecequilo

Até a semana, beijão para todo mundo.