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Consignado CLT cresce, mas empréstimos menores acendem alerta para endividamento

23 de junho de 202610min
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Ana Leoni e Nathália Larghi falam sobre O crédito consignado para trabalhadores CLT, que completou um ano com forte crescimento no número de contratos.

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Participantes neste episódio2
A

Ana Leoni

HostJornalista
N

Nathália Larghi

Convidado
Assuntos2
  • Crédito Consignado CLTCrescimento no número de contratos · Queda no valor médio dos empréstimos · Aumento da inadimplência · Juros do consignado · Planejamento financeiro · Uso imediato do crédito · Renda comprometida
  • Inadimplência e EndividamentoPressão no orçamento · Reorganização de dívidas · Pagamento de contas urgentes · Sensação de parcela que cabe no bolso · Risco de acúmulo de dívida · Impacto da parcela no orçamento futuro · Comprometimento da renda
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NLNathália Larghi

Olá, pessoal, boa tarde.

?Voz E

Oi, Natália.

?Voz B

4 a 0 para Portugal.

NLNathália Larghi

Só quero te informar. Eu ia avisar inclusive que se vocês ouvirem um background é porque os meus vizinhos estão enlouquecidos.

?Voz D

Ah, tá bom.

?Voz A

Tomara, faz parte.

?Voz D

O pessoal em Belém tá o quê? Doido hoje. Vamos falar de ninguém precisando de crédito consignado. Bom, o crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada está completando um ano. Tem expansão no número de contratos, mas também tem uma queda no valor médio. De empréstimo tomado pelo trabalhador. Nath, explica para gente, traz esses números e traduz eles, explica o que nos dizem.

NLNathália Larghi

Vamos lá, Tati. É, que que esses números mostram, né? A gente tem uma mudança no perfil do crédito consignado CLT, né, que é o que a gente chamou de crédito do trabalhador. A gente viu recentemente um levantamento da Serasa Experian que mostrou que um ano depois da criação do programa, né, que inclusive a gente falou bastante aqui quando ele foi criado, o valor médio dos empréstimos caiu, caiu bastante, caiu 73 3%. Então, antes ele era ali cerca de R$8.600 e agora ele tá em cerca de R$2.300 por trabalhador.

Então, as pessoas estão pedindo empréstimos ali menores. Só que ao mesmo tempo, a modalidade continua crescendo bastante, né? Dados do Banco Central, que são citados nesse levantamento, mostraram que o volume mensal liberado no consignado privado passou de R$1,5 bilhão para quase R$11 bilhões depois da implementação do programa. E o estoque total, né, da modalidade, ou seja, todo mundo que já tomou empréstimo por meio dessa linha, saiu de pouco mais de R$41 bilhões para R$110 bilhões.

Então, o que que a gente entende disso aí? Que mais trabalhadores estão acessando a essa linha de crédito, mas tomando valores menores do que era lá no começo do programa. E a pesquisa também mostrou outras mudanças relevantes no perfil dessas operações. Por exemplo, o número de novos contratos passou de cerca de 11 mil para mais de 25 mil. O prazo médio dos contratos caiu 48%, então as pessoas estão pagando ali num prazo menor e o número médio de instituições financeiras que estão oferecendo esse crédito por empresa subiu de 4 para 21, que é uma coisa muito boa, né, porque mostra ali um mercado mais pulverizado, com mais concorrência entre os bancos e mostra também operações menores.

E aí o consignado do CLT, como a gente falou lá quando ele foi criado, ele foi feito para ampliar o acesso ao crédito com desconto na folha de pagamento para aqueles trabalhadores da iniciativa privada, incluindo os empregados domésticos, empregados rurais, os MEIs, com uma contratação digital ali pela carteira de trabalho, né? Só que apesar dessa expansão, os dados têm um sinal de alerta que é importante, uma coisa que inclusive a gente vem falando bastante.

O levantamento mostra que o juro médio do consignado tá em 3,2% ao mês. É um patamar mais baixo do que outras modalidades de crédito pessoal, só que ainda assim ele é elevado, porque se a gente olhar no ano, ele tá acima de 110% ao ano, segundo os dados do Serasa, que é um número bastante significativo, né? E um outro ponto importante que a gente vem batendo muito na tecla aqui é a questão da inadimplência. O Banco Central mostrou que a taxa de atraso nessa modalidade passou de 4,9% para 6,6% e num prazo muito curto, viu?

Entre novembro de 2025 e março de 2026. Então aumentou bastante a inadimplência num período relativamente curto. Então o que que a gente pode dizer de um ano de programa, né? O que que a gente tem? A gente tem mais crédito disponível, a gente tem mais contratos fechados, a a gente tem um ticket médio menor, né, as pessoas pegando empréstimos de valores mais baixos, e a gente tem um público que em muitos casos já chega bastante pressionado financeiramente, que é o que pode justificar esse inadimplência mais alta.

?Voz B

Ana, olhando para esses dados, o que que eles dizem quando a gente coloca ali uma ótica do planejamento financeiro, hein? Então, Fernando, eu assim, esse estudo ele sugere uma mudança no uso desse crédito. Então, quando o valor médio cai de 8 para 2, mas ao mesmo tempo aí a gente tem um número que cresce, né, de contratos, o sinal é de que esse consignado CLT, ele pode estar deixando de ser um empréstimo de valor mais alto, né, pela lógica, o que pode inferir aí que ele deve estar servindo não para aquisição de bens de maior valor agregado, mas sim para virar um crédito de uso mais imediato, contrato mais pontual.

Então essa é a primeira coisa que olhando os dados para mim sugere. Na prática, isso pode indicar que o trabalhador ele tá recorrendo a essa linha por alguns motivos, como por exemplo cobrir um aperto de orçamento, que a gente sabe que as pessoas estão com o orçamento bem apertado, reorganizar dívidas, porque nesse aspecto é positivo porque a gente tá falando de uma linha de crédito que é um pouco mais barata, pagar contas que são mais urgentes e ganhar um fôlego de curto prazo.

Mas isso exige alguma atenção, porque o consignado ele costuma passar aquela sensação de que é uma parcela que cabe no bolso, porque o desconto é feito direto na folha, então você nem percebe que você adquiriu esse empréstimo, e sendo uma taxa que vale mais a pena, ele pode dar essa sensação de ser um super produto. E ele pode de fato aliviar, mas como a Nath falou, esses 3,2% ao mês, eles viram 110% ao ano, é aquela coisa, né?

"Como é que uma dívida de R$10 por vez vira uma dívida de R$1 milhão?" Vira, porque a gente está falando aqui de um acúmulo. Então isso é um cuidado que precisa se tomar. Só que do ponto de vista do planejamento em si, Fernando, a lógica que ela precisa ser observada é um pouco outra. Se a parcela sai automaticamente do salário, a renda que está disponível para os próximos meses também vai diminuir automaticamente. Então a gente está falando que a própria redução do ticket médio e o aumento da inadimplência já pode estar evidenciando que as pessoas estão sentindo o peso do empréstimo pesar no bolso porque tiveram que reduzir essa contratação.

Então essa é uma outra coisa que esses dados podem sugerir. E é pelo menos aí que dá pra gente interpretar. Então quer dizer, as pessoas estão pegando menos porque também está com a renda menos disponível porque a renda já está comprometida. E se for isso mesmo, ainda assim, antes de contratar, o trabalhador ele precisa avaliar. Eu trouxe aqui 3 pontos principais justamente para não fazer dessa linha de crédito, que pode ser algo importante, um problema.

O primeiro é o motivo de fato do empréstimo. Todo crédito ele não é ruim, mas o crédito ele precisa ser usado para resolver talvez um problema pontual e bem calculado. Isso é positivo, principalmente quando a gente fala de taxas de contratação que são mais baratas. Então, por exemplo, trocar uma dívida que é mais cara por uma dívida que é menos onerosa, ou se esse empréstimo que está sendo tomado, o motivo dele é para cobrir despesas recorrentes do mês.

Então aí vale uma atenção. O segundo ponto é o custo total dessa operação. Então mesmo que a gente esteja falando aqui de uma linha mais barata, de outras modalidades, esse consignado do CLT ainda carrega juros altos, como a gente falou aqui, que quando acumulados ao ano, de maneira composta, ele pode dobrar a dívida. Então isso precisa ser observado. E o terceiro é o impacto da parcela no orçamento futuro dessas pessoas. Então às vezes a prestação parece pequena, ela cabe no salário, cabe no desconto que está sendo feito, mas ela compromete a capacidade de pagar contas básicas que são contas que são recorrentes a meses subsequentes e também pode comprometer você montar uma reserva e lidar com novos imprevistos.

Então o levantamento traz um dado que reforça esse alerta, né, que 78% dos trabalhadores contratam um novo consignado e tem mais de 81% da renda comprometida com dívidas e outras obrigações financeiras. Então por isso esse alerta desse esses três pontos que eu tô trazendo aqui, porque isso pode ser insustentável no médio prazo. Então, em muitos casos, né, esse crédito tá chegando aí para as famílias como uma opção para deixar menos pressionado o orçamento, mas a gente precisa observar que o consignado, ele pode fazer sentido quando ele é usado de uma forma mais estratégica, é para substituir dívida mais cara, como eu falei, mas ele não pode ser uma extensão de renda, porque isso é muito perigoso.

Então, se o crédito entra como uma parte para reorganização financeira, ele pode aliviar o caixa e ser muito positivo, mas se ele passa a funcionar como um complemento de renda, aí a gente pode ter um problema que é resolvido no curto prazo, Fernando, e pode ser muito problemático no médio e no longo prazo. Então, por isso que quando a gente olha do ponto de vista do planejamento, isso precisa ser muito bem pensado, a motivação para que isso não vire um problema futuro.

?Voz D

Muito bem. Ana, Nathi. Ó, 5 Portugal, tá, Nathi? Enquanto a gente conversava aqui, Portugal fez mais um, acabou de fazer. Obrigada. Beijo para cada uma.

NLNathália Larghi

Um beijo, pessoal. Até quinta-feira.

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