Novo remédio sem hormônio promete aliviar ondas de calor da menopausa
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- Anvisa aprova medicamento para menopausaTerapia não hormonal · Ondas de calor · Suores noturnos · Perimenopausa · Menopausa · Queda de estrogênio · Oscilação hormonal · Tratamento hormonal
- Mecanismos de ação e funcionamentoHipotalamo · Termostato cerebral · Neurocinina B · Fezoniletanto · Bloqueio de receptor
- Efeitos colaterais e manejo nutricionalProblemas hepáticos · Acompanhamento médico · Exame de função hepática
- Aromaterapia e menopausaTysabri · Nova classe terapêutica
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Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.
Oi, doutor, boa tarde.
Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes.
Boa notícia para mulheres que estão aí na fase da perimenopausa ou da menopausa sofrendo com calores provocados pela queda de estrogênio, oscilação hormonal, e que eventualmente não podem, têm algum impedimento para fazer tratamento hormonal. Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou hoje uma terapia não hormonal para o tratamento de ondas de calor e de suores noturnos associados à menopausa, que causam um prejuízo enorme na qualidade de vida dessas mulheres, né, doutor?
Pois é, Tatiana, estava sendo já esperado, né, porque afinal de contas esse medicamento já tinha sido aprovado pelo FDA no início do ano. Então Esperava-se que a Anvisa em algum momento próximo se manifestasse. Bom, o comprimido comercialmente já tem um nome, chama Veosa, será um comprimido de uso diário, tem um link para ter onde é a bula. E como você falou, isso é importante para a qualidade de vida da mulher. Agora, umas coisas interessantes.
Primeiro, é interessante como é que ele funciona, né? Ele não é hormonal. Quando o nível de estrogênio cai durante a perimenopausa e menopausa, lá no nosso cérebro, um grupo de neurônios no hipotálamo, que é uma glândula que regula justamente a temperatura do corpo, aquele grupo de neurônios recebe um estímulo exagerado de uma substância chamada neurocinina B. E justamente é esse desequilíbrio que dispara a sensação súbita de calor, rubor, sudorese, Porque a informação química que chega no cérebro não é informação sensorial térmica do ambiente.
Então daí, por que que a mulher tá no local confortável em termos de temperatura e de repente sente fogacho? Ou de repente tá no lugar que não tem nada a ver e sente do mesmo jeito, né? Então não tem nada a ver com a temperatura externa, não é sensorial, é bioquímico dentro do cérebro. E esse medicamento, que é o tal do fezoniletanto, ele bloqueia o receptor aonde se encaixa essa neurocinina B e com isso devolve o equilíbrio do termostato.
Literalmente, o hipotálamo funciona como termostato, às vezes, entre outras coisas, para o nosso corpo. Então, esse termostato está desregulado e aí esse medicamento atua nesse termostato. Então foram estudos clínicos que tiveram mais de 3 mil mulheres na Europa, Estados Unidos, Canadá, a redução significativa na frequência, na intensidade de ondas de calor, que já nos estudos aparece nos primeiros dias, melhora da qualidade do sono, melhora da qualidade de vida.
Agora, vamos colocar alguns pontos, uns grãos de sal nessa história que é importante. Não tem remédio sem contrapartida, não existe isso, né? Então, em alguns casos raros aconteceram problemas sérios no fígado associados a esse medicamento. A própria FDA reforçou o alerta sobre isso. Então, na prática, exige o que deveria ser óbvio, né, mas infelizmente muitas vezes não é, que tem que ser acompanhado com médico. O médico deve pedir exame de função hepática antes de começar a utilizar, acompanhar mensalmente nos 2 primeiros meses, E depois sequencialmente, 3, 6, 9 meses, é a orientação.
Mas isso obviamente vai ser decidido caso a caso pelo médico. Mas volta ao ponto inicial, não é para você pegar e sair comprando e tomar, porque não é assim, né? Aliás, nenhum medicamento deveria ser, mas esse especificamente tem esse outro alerta.
É uma novidade científica que pode servir para muitas mulheres, não para todas, e não sem prescrição médica.
Pacientes. E mesmo para quem tem indicação, vai precisar fazer acompanhamento, né, como tá dito aqui. E uma coisa importante: o tratamento é para o fogacho, para essa desregulação térmica. As outras consequências da perimenopausa, menopausa, alteração de metabolismo ósseo, secura vaginal e outras coisas que vêm junto e que geram, e que são tratadas, vamos dizer assim, de maneiras mais completas, pela terapia hormonal não vão ser tratadas por esse medicamento.
Esse medicamento, vamos dizer assim, é uma ferramenta que regula ali o termostato, né? E também é importante, só porque mulher tem contraindicação para o hormônio não é: ah, posso tomar esse então, que tem outro. Não, volto a dizer, é uma decisão individualizada, uma decisão de risco compartilhado, como sempre, entre o paciente e o médico. É assim que tem que ser qualquer remédio, não é só esse não, gente. Então Existem outros na fila, né, isso é interessante também.
Já tem um outro composto também, que tem um nome parecido, ele é o Tysabri, que vai bloquear dois receptores, mas também com a mesma lógica. Vamos regular o termostato lá no hipotálamo. Ou seja, é uma nova classe terapêutica que tá chegando para ajudar essa fase complexa da vida da mulher, né, Tatiana? Então, até que enfim, né, a ciência tá olhando para esses sintomas.
Antes tarde do que mais tarde, né, Doutor? Como eu costumo dizer. Sendo que o fogacho é o principal indicativo para tratamento hormonal, e como eu disse, impacta muito a qualidade de vida das mulheres que acordam no meio da noite, que acabam não conseguindo dormir, fica um trapo no dia seguinte para ir trabalhar e dar conta, enfim, das suas vidas. Sem dúvida é uma boa notícia com todos esses cuidados aí que o Dr. Luiz Fernando prudentemente tá sublinhando, né? Doutor, obrigada, um beijo, até quinta.
Beijo, Tatiana, Fernando, até quinta, gente.
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