Quando é que a história se faz?
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Milton
Cássia
Mário Sérgio Cortella
- Historia e CuriosidadesMarcar o caminho da humanidade com algo inédito · Pisou na Lua pela primeira vez · Criação de vacina contra COVID · Recordes batidos · Hipérbole e exagero na linguagem · Distanciamento para avaliar fatos históricos · Esporte e hipervalorização · Fazer história de modo coletivo e anônimo
- Hinos e Figuras Históricas do SportingCristiano Ronaldo em Copas do Mundo · Messi em Copas do Mundo · Seleção de Cabo Verde · Seleção Brasileira · Seleção da Alemanha · Seleção da Itália
- Memória Histórica e ResistênciaViver com consciência e intenção · Capacidade crítica
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Conversa de Primeira, no Meio do Caminho, com Mário Sérgio Cortella. Muito bom dia para você, professor Mário Sérgio Cortella.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.
Bom dia, professor.
Professor Cortella, uma das expressões que nós mais ouvimos nesta Copa do Mundo foi: ele fez história. O Cristiano Ronaldo, a fazer gols em 6 Copas. O Messi, a fazer 5 gols em 2 rodadas de Copa, aí chega 18, maior artilheiro das Copas. Fez história. Seleção de Cabo Verde empatou 0 a 0 com a Espanha, fez história. O que que é realmente um fato histórico? Quando é que a história se faz?
Olha que coisa, né? Toda Copa é assim, todo evento a gente acaba trazendo à tona uma coisa que você se lembra, todo mundo que nos ouve lembra, que é uma figura de linguagem chamada hipérbole, que é o exagero. Fazer história de fato seria marcar algo, né, que persiste no tempo. Fazer história significa marcar o caminho da humanidade com algo que seja, por exemplo, inédito. Fez história aquele que pisou na Lua pela primeira vez.
Os que vieram depois foi um importante, mas não se fez ali mais história. Se fez história quando se criou uma vacina contra COVID que antes não existia. Recordes que são batidos, eles são chamados, né, de fazer história, porque isso valoriza, né, Milton e Cassi, imensamente. Por exemplo, nesse momento agora, né, eu tô aqui em São Paulo e caiu uma chuva forte na região que eu estou. Eu posso exagerar e dizer uma chuva histórica, né, ou posso dizer um dilúvio.
Isso é hiperbólico, né, tá caindo o céu. Não é assim, ainda assim isso valoriza. Exemplo concreto: nós fomos penta e somos penta. Alemanha pode sê-lo se vencer essa Copa, mas não é mais tal histórica, certo, para ela, porque já o fomos um dia. Ter sido penta a primeira vez, aí sim é história. A ideia de sequência ultrapassar, nem tanto. Por isso é hiperbólico, né, Cássia?
É hiperbólico. E quando a gente vive estes momentos históricos, muitas vezes a gente só se dá conta depois que passa, né, professor?
É, a gente diz em filosofia que quem menos sabe da água é o peixe, né? Afinal, está mergulhado dentro de uma situação, é necessário um certo distanciamento, né, daquele momento. Quando a gente diz historicamente esse é o momento mais grave da humanidade, claro que isso dependerá sempre, né, da distância que se tem para poder avaliar. De qualquer maneira, o esporte é muito, muito permeado essa questão hiperbólica dessa ideia do fazer história, porque ele acaba fazendo a hipervalorização a situação mesmo, né, das coisas.
No entanto, quando a gente olha, né, com mais distanciamento, a gente nota que se faz história o tempo todo, né, de vários modos, de modo coletivo, anônimo, mas não é necessariamente algo que saia desse momento exagerado. Eu acho que o Milton tem razão, né, bastante, quando diz: não, toda hora fez história, fez história. Sim, né, mas é algo que toda vez a gente fala. Histórico é se acontecesse, por exemplo, da Itália, que pode ser penta porque é tetra se ela agora fosse campeã.
Como ela não tá na Copa, não fará história. Então, exatamente aquilo que muda um pouco essa perspectiva, essa noção, ela marca bastante nosso desejo de valorizar demais o tempo que vivemos, seja naquilo que é positivo, seja naquilo que é negativo.
Tá certo. Vamos nós contar a história ao longo do tempo, Professor Portela, e analisar a história como Você nos ajuda a fazer todos os dias ou toda semana aqui no Jornal da CBN.
Isso é bom demais, que se a gente não conta a história, não reconta, não pensa, a gente vai apenas sobrevivendo. E é necessário que a gente não apenas sobreviva, mas viva com consciência, com intenção, com capacidade crítica. Isto é, que a gente não apenas tenha a passagem pelo tempo, mas que o tempo esteja conosco e a gente possa de fato Concretamente, cada pessoa e todas as pessoas possamos fazer história. Aliás, é o que eu desejo que a seleção brasileira faça.
Muito obrigado, professor Mário Sérgio Cortella. Bom dia, até mais.
Abraços.
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