Episódios de Comentaristas

Direita vence eleições no Peru e na Colômbia; Argentina leva tradição gastronômica à Copa

24 de junho de 202611min
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Ariel Palacios destacou a consolidação de vitórias da direita em duas disputas eleitorais apertadas na América do Sul. No Peru, Keiko Fujimori garantiu uma vantagem matematicamente irreversível sobre Roberto Santos, enquanto na Colômbia Belardo de Lespriela foi confirmado vencedor por uma das menores margens da história do país. O comentarista também contou curiosidades sobre a seleção argentina, que levou carne, doce de leite e erva-mate aos Estados Unidos para manter hábitos alimentares durante a competição.

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Participantes neste episódio4
A

Ariel Palacios

HostComentarista
F

Fernando

Co-hostJornalista
T

Tatiana

Co-host
C

Carlos Alberto Sardenberg

ConvidadoJornalista
Assuntos4
  • Eleicoes ColombiaAbelardo de la Espriella · Ivan Cepeda · Vitória da direita · Margem de votos histórica · Consolidação da esquerda
  • Eleições PeruKeiko Fujimori · Roberto Sánchez · Vitória da direita · Acusações de irregularidades
  • O futebol argentino na ColômbiaCarne bovina · Doce de leite · Erva-mate · Tradição gastronômica
  • Escócia na Copa do MundoPrimeiro jogo internacional · Ausência em fases eliminatórias · Whisky escocês
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APAriel Palacios

Boa tarde, Tatiana, boa tarde, Fernando, boa tarde a todos, como estão?

?Voz C

Estamos bem, estamos brasileiros hoje. Ansiosos para esse Brasil-Escócia. O Ariel vai ser fácil, vai ser fácil, vai ser fácil o jogo, mas tá ali com detalhezinho na lapela brasileiro, um lenço azul e amarelo, azul, amarelo, verde, maravilhoso, Ariel, um pouquinho de tudo. Reparei, reparei. Mas vamos lá, vamos, a gente vai falar, claro, do jogo, mas antes vamos falar das eleições no Peru. Keiko Fujimori é de fato presidente eleita, é, né? Falta pouco para ser oficializada.

APAriel Palacios

Exatamente. Bom, depois daquele todo, é interminável eleição peruana, que não é a primeira vez já, a eleição de 5 anos atrás, porque lá o mandato de 5 anos também foi interminável, a candidata presidencial da direita dura peruana, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, se tornou de fato a vencedora. Porque na contagem dos votos ela conseguiu horas atrás uma vantagem que se tornou matematicamente inalcançável sobre seu adversário de esquerda, Roberto Sánchez.

O segundo turno, recordando, foi feito no dia 7 de junho. E agora, já com 99,86% das atas eleitorais apuradas, Fujimori tinha 50,118% dos votos contra 49,82% de Sánchez. Isso segundo os dados da Oficina Nacional de Processos Eleitorais, a Dentro de um total de 19 milhões de votos do segundo turno presidencial que ambos tiveram em conjunto, Keiko mantinha uma vantagem de pouco mais de 43 mil votos sobre o adversário. Imagina o que deve pensar o segundo colocado.

Perder por 43 mil votos dentro do universo de 19 milhões de votos deve ser: por que que não fiz um comício a mais? Por que que não falei aquela besteira e não fiquei calado? Enfim, 43 mil votos não é nada. Nada. Bom, já essa é já uma diferença que não vai poder ser revertida, porque então se ela tem uma vantagem de 43 mil votos e os votos que ainda precisam estar, são, ainda estão pendentes de revisão na justiça eleitoral, são 39.300.

Então de fato Keiko Fujimori já é a presidente eleita do Peru, mas evidentemente falta formalidade e o resultado oficial deve ser proclamado nos próximos dias pelo Jurisdicional de Eleições, o JNE. Mas a tensão política permanece, promete aumentar, porque o candidato derrotado de fato, Roberto Sánchez, anunciou que não vai reconhecer a vitória de Keiko Fujimori, denuncia supostas irregularidades, e enfim, basicamente ele acusa que há irregularidades nos votos dos peruanos emitidos fora do país, são 300 mil votos a favor de Keiko Fujimori.

Mas acontece que o voto dos peruanos no exterior costuma ser de direita. Então, digamos, há uma certa combinação ali, não é? Que deve ter sido mesmo um voto majoritariamente a favor da filha do ex-ditador. Bom, e enquanto isso, na Colômbia, o candidato governista à presidência, o senador e filósofo de esquerda, Ivan Cepeda, reconheceu hoje de manhã que perdeu o segundo turno da eleição presidencial para o direitista Abelardo de la Espriella.

O presidente eleito venceu por uma ajustada margem de votos, a menor de toda a história eleitoral colombiana, por apenas uma diferença de 0,96% dos votos, menos de 1 voto percentual, e foram o equivalente a 250 mil votos. No domingo à noite, Cepeda havia se recusado a aceitar a contagem preliminar dos votos e disse que ia esperar a contagem total final. Mas com a declaração da Justiça Eleitoral hoje de que havia um nível de coincidência de 99,997% em ambas contagens, Cepeda optou por admitir a derrota.

Então aí já se definem, ainda na Colômbia, a Justiça Eleitoral também vai formalmente nas próximas horas fazer o anúncio oficial da vitória de Dilma Rousseff. Então, por enquanto, tudo isso é informal, mas com os números matematicamente existentes. Então é de fato nos dois lugares uma vitória da direita nesses dois países. Em Cepeda já desponta— é interessante uma coisa, a esquerda teve uma votação consistente, perdeu por uma minúscula margem de votos e se consolidou.

Como uma força política na Colômbia, porque já a esquerda colombiana é um advento recente na história da Colômbia. A Colômbia foi governada durante 200 anos por partidos tradicionais da direita ou da centro-direita. Esta é a primeira vez que chega a extrema-direita ao poder e nos últimos 8 anos entrou em cena a esquerda, que nunca havia tido um peso de governo, né? Há 8 anos disputou o segundo turno e perdeu, e há 4 anos disputou o segundo turno e ganhou, no caso do presidente Petro.

Então, os últimos 4 anos foram anos da esquerda na Colômbia, e havia uma dúvida se a esquerda poderia manter essa capacidade de disputa nas eleições deste ano. Manteve, e agora será a força majoritária da oposição. Não será, tudo indica, o presidente Petro a comandar essa esquerda, e sim Ivan Cepeda, que assume assumiria, digamos, o comando desse setor na Colômbia.

?Voz D

Vamos lá, Ariel, para a gente ter tempo aqui para dar para caber tudo. Vamos lá, é importante você falar que a seleção argentina carregou para os Estados Unidos insumos que são kituts, que são essenciais para os argentinos. Quero ouvir sobre isso e também sobre a torcida da Escócia.

APAriel Palacios

Vamos lá, vamos lá. Bom, primeiro é importante ressaltar que a carne bovina é parte da identidade dos argentinos. Enquanto que anos atrás as crianças brasileiras na escola fundamental escreviam a clássica redação Minhas Férias, as crianças argentinas tinham que fazer uma redação com o título de La Vaca, a vaca, discorrendo sobre as benesses dessa quadrúpede heroína nacional. Então a seleção argentina levou meia tonelada de carne bovina para comer durante a preparação para os jogos nos Estados Unidos, né?

Porque a ideia era garantir a alimentação que não Não vai garantir que fosse a mesma alimentação de sempre, não houvesse uma espécie de mudança que pudesse afetar o desempenho físico. E a ideia de garantir o churrasco argentino, que funciona como ritual de integração do grupo. Mas eles também levaram 100 kg de doce de leite, do dulce de leite argentino, e levaram também meia tonelada de chimarrão, no caso do chimarrão de erva-mate, né, para fazer o chimarrão, que é um clássico argentino e uruguaio.

Em todo o país. No Brasil é um clássico no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, parte do Paraná, parte do Centro-Oeste, Norte, mas não é um clássico nacional no Brasil. Na Argentina, o chimarrão, e no Uruguai sim, é nacional em todo o país, a principal infusão bebida ali. Então, mas a empresa que, da qual estão levando a erva-mate, uma empresa brasileira. E a Escócia, Escócia, bom, hoje a Escócia tem uma tradição futebolística antiquíssima e quase fundadora do futebol moderno, porque o primeiro jogo internacional da história em 1872 foi Inglaterra versus Escócia.

Não é uma seleção da Grã-Bretanha, são duas seleções separadas, né? São torcida apaixonadas, clubes históricos, né? Aí só que a Escócia participou muitas vezes das Copas, nunca conseguiu passar da fase de grupos nenhuma. Vê isso, é uma das seleções mais tradicionais, mas tem um destino cruel. Sempre chega com orgulho, camisa bonita, torcida barulhenta, muita esperança, e quase sempre volta cedo para casa. Quer dizer, o contrário do Brasil.

Brasil, país das 5 Copas, de Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldinho, o Neymar, é uma quantidade de uma saraivada de jogadores, né? E a Escócia historicamente romântica, orgulhosa, mas está condenada a bater na porta desse mata-mata sem entrar. Então agora vamos ver o que acontece hoje. Eu acho que a Escócia mais uma vez volta para casa sem passar por uma segunda etapa. Então é o império do talento, digamos assim, a nobreza do fracasso futebolístico, mas um fracasso com muita história, não é? E o pessoal sempre poderá afogar as mágoas em bom whisky escocês.

?Voz C

Enfim, é isso. Música para a gente se despedir, Ariel.

APAriel Palacios

Música, porque hoje é efeméride. Em 1935, num dia como este, na Colômbia, falecia o cantor Carlos Gardel, emblema do tango. Então vamos ouvir com ele aqui o "Ancrados em Paris".

CACarlos Alberto Sardenberg

E um jogo de calhas se dá em diagonal. Não sabe a gana que tenho de ver-te. Aqui estou varado, sem plata e sem fé. Quem sabe uma noite me encontre na morte. E tchau Buenos Aires, não te vuelvo a ver.

?Voz C

Eita, que maravilha, Ariel! Obrigada, até a semana que vem! Viva o Brasil!

APAriel Palacios

Até semana que vem! Vai, Brasil! Exatamente, vamos torcer firme hoje à noite.

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