Episódios de Comentaristas

Africano x afro

24 de junho de 20269min
0:00 / 9:30
O professor Pasquale traz mais um capítulo de gentílicos e outras curiosidades da Copa.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio4
P

Pasquale

HostProfessor
S

Speaker C

Convidado
S

Speaker D

Convidado
S

Speaker E

Convidado
Assuntos4
  • História e Curiosidades das CopasÁfrica como continente · Africano · Afro · Afro-brasileiro · Afrodescendente
  • Uso do hífen em gentílicos compostosAfro-brasileiro · Afro-cubano · Afro-europeu · Afrodescendente · Afrocultura · Afrofuturismo
  • Conflito na República Democrática do CongoRepública Democrática do Congo · Zaire · República do Congo · Brazzaville · Congolês · Conguense
  • História da ÁfricaRepública Centro-Africana · Centro-africano
Transcrição20 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

— Anúncios inseridos dinamicamente —

PPasquale

A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.

?Voz C

Professor, boa tarde.

PPasquale

Tatiana, boa tarde. Fernando, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. Mais um capítulo de Gentílicos e Outras Curiosidades da Copa. Vamos para onde? Vamos para África. E a gente começa com uma canção chamada Lágrima do Sul, que é uma maravilha, composta por Marco Antônio Guimarães e Milton Nascimento, interpretada por Milton Nascimento e Grupo Wakti, disco Encontros e Despedidas de 1985. É dedicada ao Winnie Mandela. Prestem atenção na letra só para a gente ficar no contexto africano. Vamos lá.

?Voz D

Essa maldade é o gás que gera o caos, é a marca da loucura. E África, em nome de Deus, cala a boca desse mundo e caminha até nunca mais. A canção segue a dor dos seus irmãos.

PPasquale

Que beleza isso, professor!

?Voz C

Bonito demais!

PPasquale

Isso é de matar! Eu tô me segurando aqui. O Marco Antônio Guimarães, que é um dos autores da canção, é um dos fundadores do grupo wakti, que toca instrumentos que eles fabricam, que eles produzem, principalmente o Marco Antônio, né? Então tudo isso de bonito que vocês ouviram aí é da lavra deles, né? E a canção fala de África. Por incrível que pareça, muita gente acha que a África é um país. Ainda há essa ideia tosca, absolutamente tosca.

A África é um continente, é um dos continentes que existem no planeta, com muitos países, não é? O adjetivo, o gentílico de África é africano, todo mundo sabe, mas pode virar afro quando a gente usa uma forma composta. Então a gente vai ver rapidamente agora dois exemplos do uso de afro e a gente vai pensar na grafia disso. Eu começo com uma canção cujo título eu não vou dizer para não dar spoiler, é É de Taíde e DJ Um, né, e cantada por ambos.

E a gente vai ouvir então e vai haver uma palavra aí que vai chamar nossa atenção. Vamos lá.

?Voz E

E aí, rapaziada, como é que tá? Estamos aqui de novo para tentar fazer você dançar como velhos tempos, tempos velhos, velhos quais tempos velhos, meus amigos pretos velhos que não voltam mais, ancestrais seguidos de bravos guerreiros faziam o Brasil inteiro se diante de tal bravura, que loucura! Só pra a todo custo defender aquele lugar que aliás se chamava Palmares e foi destruído por um velho que não era preto, mas se chamava Jorge e com sua sorte e nosso azar matou todos do quilombo que hoje seria nosso lar e mesmo assim de novo mostro a vocês outra vez a importância de ser negro por inteiro reconhecendo o seu valor e por favor respeitando o irmão mais caro que está sempre do seu lado Torcendo para você vencer e crer na energia africana que emana das sementes espalhadas pelo mundo inteiro.

Seja escuro, mas seja escuro e verdadeiro. Afro-brasileiro, sabe quem eu sou? Afro-brasileiro, me diga quem você é? Afro-brasileiro, sabe quem eu sou? Afro-brasileiro.

PPasquale

Afro-brasileiro, professor.

?Voz C

Adorei.

PPasquale

É bonito, né? E a gente vai pensar na grafia de afro-brasileiro. Não vou dizer agora, mas pensem na questão do bendito hífen, se há ou se não há. Enquanto a gente pensa, a gente vai para uma outra canção chamada Passageiro da Agonia, criação coletiva do grupo D-Crime, disco O Revertério, de 2005. Vamos lá, essa tá logo no começo, se eu não estou enganado.

?Voz D

Afrodescendente abrindo espaço pra lutar. Afrodescendente abrindo espaço pra lutar. O choro da fome, um sorriso da covardia, triste é o retrato das crianças na periferia. Abençoado e hoje em pé pelas graças do Senhor que foi crucificado por nós.

PPasquale

Thank God! Então, então, afrodescendente, a palavra que aparece aí. Então a questão é a seguinte: quando afro é a redução de africano, né, e forma um composto de gentílicos, o que que é o gentílico? A gente tá falando de gentílico desde que a Copa começou. Gentílico é o termo que designa a origem, a procedência, e não é só de país, não é só de cidade, é de tudo. Moquense é relativo a Moca, bairro de São Paulo. Então, quando afro se junta a um outro adjetivo para formar um gentílico composto, existe hífen: afro-brasileiro, afro-cubano, afro-europeu, afro-argentino, afro-sei lá o quê.

Quando não, é tudo junto, que é o caso do afrodescendente, afro cultura, afrofuturismo, e por aí vai. Aí é tudo junto numa tacada só. E eu aproveito um minutinho que me resta. Ontem tivemos um jogo da República Democrática do Congo, que antigamente se chamava Zaire, né? E contra quem o Brasil— contra qual o Brasil jogou na Copa de 74? Foi um jogo sofrido para burro. O Brasil precisava ganhar e de 3 gols de diferença, e só marcou o terceiro gol no fim do jogo.

Nesse grupo, primeira fase da Copa do Mundo, estava a Escócia, contra a qual o Brasil joga hoje. O jogo foi um 0 a 0 horroroso, medonho. A Escócia nunca soube jogar bola, não sabia, e continua não sabendo, né? E mesmo assim o Brasil não conseguiu ganhar naquela Copa de 74. A República Democrática do Congo tem esse democrática no meio. Existe uma outra República do Congo, né, capital Brazzaville, Zaire. E aí nós temos tanto para República Democrática do Congo quanto para República do Congo o mesmo adjetivo: congolês ou conguense, tá?

E temos também a República Centro-Africana, que se escreve República Centro-Africana, Centro-Africana com hífen, e o adjetivo pátrio é centro-africano com hífen. Então, viva a África! Quem puder um dia, vá lá, ponha os pés, vá visitar Joanesburgo. A vida nunca mais será a mesma. É um encontro brutal com uma realidade que infelizmente existiu e ainda existe, não só lá, não só lá.

?Voz C

Obrigada, professor, um beijo, até amanhã.

PPasquale

Beijo para vocês, até amanhã. Placar de hoje, placar, acho que vai ser 1 a 0. Tô com o sujeito.

?Voz C

Ah, bom.

PPasquale

Um abraço.

?Voz C

Aí, aposta do professor Pascoal, às 4:20.

?Voz E

Todo dia quando vou sair de casa pra rua, faço o sinal da cruz pra fazer jus à fé em Deus e nos orixás. Sou duro na queda porque sou filho guerreiro de Ogum com Iemanjá. E pra injuriar os conservadores imbecis, tenho orgulho e bato no peito.