Episódios de Comentaristas

Como o narcisista não consegue aprender com os erros

24 de junho de 202610min
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Rossandro Klinjey analisa o comportamento narcisista e como eles “não aprendem com os estragos, apenas trocam os culpados”. Segundo o especialista, isso se deve pelo fato de que eles nunca enxergam a culpa em si mesmos. Ouça para entender.

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Participantes neste episódio2
R

Rossandro Klinjey

HostPsicólogo
F

Fernanda

Co-hostAdvogada familista
Assuntos2
  • Lidar com Pessoas TóxicasNão esperar mudanças · Parar de insistir em transformar · Desenvolver estratégias para minimizar o afeto · Economizar energia e não entrar em embate constante · Afaste-se para sobreviver
  • Trauma e ComportamentoImpacto na seleção brasileira · Impacto no público · Necessidade de superação
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RKRossandro Klinjey

Saúde Integral com Rossandro Klinger.

?Voz C

Oi, Rossandro, boa tarde.

RKRossandro Klinjey

Mas eu já tinha visto uma torcedora fashion num nível assim, mas nesse nível não. Brasil, né?

?Voz C

Para o jogo do Brasil.

RKRossandro Klinjey

Pois é, tô aqui esperando o momento. Brasil core, né? Você viu, Fernando, também você botou reparo nele, que a gente sabe que ele é afinado, né? Aliás, daqui a pouco eu vou mandar o novo meme dele. Acabei de fazer um meme dele, mais um. Daqui a pouco vai chegar no WhatsApp de vocês.

?Voz C

Eu vim com a camisa de outro esporte, então eu vou levantar uma chutada na ponta e ele vai fazer gol de camisa nova. Vamos lá, vamos falar dos narcisistas hoje.

RKRossandro Klinjey

Narcisistas, vocês adoram. Então, poxa, narcisista parece psicopata, né? Que é um dos quadros clínicos que a gente não vê cura. Quando a gente tem a relação com narcisista, seja no trabalho, na amizade, na família, a gente tem uma sensação de que a culpa é sempre da gente, porque eles primeiro nunca enxergam essa culpa neles, mas são especialistas em jogar essa culpa na gente. E Otto Kernberg, que é um psicanalista austríaco, ele dedicou décadas ao estudo de personalidades narcisistas.

E ele diz uma coisa interessante que explica muito isso aí, tá, Tainando? É: o narcisista não experimenta culpa. Ele não sente culpa, ele sente vergonha. E qual é a diferença? É que culpa é muito profunda, e culpa ela gera um sentimento de querer não experimentar aquilo novamente, gera mudança. Vergonha não. Depois que passou, ela vai gerar uma defesa. Então tem um padrão na clínica que a gente observa com frequência: Com o tempo, o entorno do narcisista, as pessoas que cercavam ele, vai encolhendo.

Ele vai destruindo as relações, que elas não se reconectam mais. Os filhos se afastam. Os colegas que são vítimas dessa pessoa também não querem mais ter contato. Geralmente, quem fica com narcisista são pessoas que têm interesse em alguma coisa que essa pessoa pode oferecer: dinheiro, visibilidade. Mas ela sabe, no fundo, no fundo, que não é amada. Além disso, essa carreira que a pessoa tinha, o espaço que ela ocupava, que dependia o tempo inteiro de uma imagem que você vai montando, a narrativa sofisticada de convencimento que você é a pessoa, vai revelando lá suas rachaduras, sabe?

E aquele charme inicial já não dá conta. Só que infelizmente nada disso produz reflexão, nada disso faz a pessoa mudar, só deixa a narrativa ainda mais apurada. Então o narcisista, ele não lê os estragos que ele fez como consequência das próprias ações, ele lê como uma prova da injustiça do mundo.

?Voz A

O mundo.

RKRossandro Klinjey

Cada pessoa que foi embora era invejosa, ingrata, incapaz de reconhecer o quanto eu sou uma pessoa incrível e me abandonou. Então esse fracasso profissional é justificado dizendo assim: eu fui sabotado, é perseguição, sabe? O mundo inteiro erra e você permanece com ego narcisista intacto, embora uma vida completamente empobrecida. Muito. Pô, Sandro, fiquei pensando, narcisista tem solução? Então, é por isso que eu comecei, né, falando assim, parece muito quadro do psicopata na psicologia.

Porque, por exemplo, é muito difícil um narcisista procurar terapia. E quando ele vai, ele vai para tentar manipular o terapeuta para convencer você de que ele é uma vítima, e ele quer que você corrobore com seu discurso acadêmico e científico a tese dele. E se o terapeuta é inexperiente, iniciante, possa ser que juntando essas duas coisas você termine caindo nesse lugar, porque é uma pessoa muito articulada, entendeu? Claro que a histeria é ainda mais articulada ainda.

Agora, essa incapacidade de internalizar responsabilidade pelo erro, é, por exemplo, a criança ela passa por uma fase narcísica, que é papel dos pais na educação não terceirizada, obviamente, né? Corrigir. Ela não assume. Ontem, ontem, o meu chegou aqui e fez: Papai, do nada a massinha foi parar no teto. Eu fiz: Foi mesmo? Ela saiu voando? Como foi? Então ela simplesmente foi parar lá, mas como foi? Aí você começa a rir, né? Porque no fundo a criança não quer assumir a responsabilidade.

Aí você vai lá e: Aí eu fiz: Então já que ela foi sozinha, ela vai ter que voltar só. A não ser que o autor dessa proeza me conte a história real. Aí foi quando ele assumiu a responsabilidade, porque eu disse: eu não vou tirar, eu não vou tirar. Se a massinha conseguiu ir sozinha, ela consegue voltar só, né? E você vai corrigindo aquilo ali. Só quando você não corrige isso, aquilo que é uma fase, uma fase de ego narcisista, vai virar um narcisismo realmente, como deformidade de caráter.

Então a personalidade narcísica, ela foi construída sobre uma base não suportada, emitiu o erro e o dano provocado no outro. Agora você imagina uma pessoa dessa com poder na mão? Admitir o dano? Pois é, admitir o dano seria admitir um defeito no ego que o narcisista nunca sustenta, né? É ameaçar o edifício inteiro dessa autonarrativa distorcida que eles têm. Então é por isso que o ciclo de destruição, reforço e narrativa de vitimização é muito forte.

O entorno diminui, o isolamento aumenta. A grandiosidade, ela precisa de um combustível para sustentar o faz e o que cresce por baixo da pessoa. Essas pessoas, se você junta um narcisista com sociopatia junto, que é vontade de poder sem medidas, a gente vê na sociedade, historicamente falando, para não falar de hoje, para não gerar o fla-flu do Brasil de novo, a gente vê ao longo da história o que essas pessoas com poder podem provocar, né, no mundo, né?

Porque elas não escutam ninguém, o entorno só tem que concordar, não pode haver ninguém que discorde, são cercados de bajuladores que nunca gostam deles, mas apenas usufruindo de algum tipo de benesse que esse entorno tóxico pode fornecer. Isso vai desde um casamento a uma pessoa que tá chefiando um país, né? Agora, é muito danoso e é lamentável. E aí, sua pergunta, Fernanda, é muito difícil. Você que tá com uma pessoa narcisista tal, que também é muito manipuladora, quando quase tá perdendo a vítima, ela vai lá, reencanta tal, em ciclos que se repetem. Entenda, sua melhor postura é se afastar para sobreviver.

?Voz C

Era isso que eu ia perguntar, como lidar com essa, com uma pessoa com essa personalidade, quando você de alguma maneira é obrigado a conviver, seja no seu ambiente de trabalho, seja no seu ambiente familiar.

RKRossandro Klinjey

Eu sempre digo que essas pessoas que são, é claro, é um clássico, é uma clássica pessoa que torna a sua vida intoxicada, né, o ambiente tóxico. Quando a gente não pode sair, tipo, é o pai que você tem, é, sabe, aquela coisa mais que não tem como se você tem uma medida para amanhã, o primeiro movimento que eu sugiro é: primeiro, espere, não espere mais mudanças, não espere que nada que você faça vai gerar uma mudança positiva de comportamento nessa pessoa.

Primeiro movimento: pare de insistir em transformar, né, quem não quer ser transformado porque acha que tá certo. Segundo movimento: desenvolva estratégias, e aí não tem como a gente dizer aqui quais porque depende do seu contexto, é de minimizar o quanto essa pessoa te afeta. É como se eu tivesse assim, eu tô aqui no ambiente, quais são A estratégia que eu posso montar para diminuir o quanto essa pessoa me afeta. Piadas, o mau gosto, sabe?

As interferências, os comentários, a bajulação. Onde é que eu posso ir aqui, meio que como uma água que tá no rio contornando as pedras, até enquanto nesse movimento economiza energia de não tá nesse embate constante, no convencimento constante, mudando uma pessoa que não quer ser mudada. Usa essa energia para me dar forças para sair disso. 'já que eu não posso sair de hoje para amanhã'. Especialmente no trabalho, você tem conta para pagar, né?

E a gente sabe que bajuladores existem no ambiente que tem quem quer ser bajulado. Quem não quer ser bajulado não tem bajulador. Gosto de pessoas críticas que comentam, que faz você crescer.

?Voz C

Tá, muito bem. Rossandro, muito bom te ouvir. Rossandro Klinger com a gente toda quarta-feira no nosso Saúde Integral. Obrigada, Rossandro. Quanto vai ser o Brasil hoje?

RKRossandro Klinjey

Ah, eu quero que ganhe, né? Aliás, eu queria mesmo que me convencesse. Eu confesso a vocês que o 7x1 da Alemanha repercutiu em mim como um golpe tão sério.

?Voz C

Falou fundo no seu peito.

RKRossandro Klinjey

Falou fundo. Eu, como especialista em trauma, digo: a gente não superou esse trauma, nem a seleção, nem a gente. Eles precisam fazer algo que nos dê sensação de que isso pode ser superado. Por enquanto não me convenceram.

?Voz C

E o que quer dizer que o Brasil vai ganhar ou perder? De 0,5 a 0.

RKRossandro Klinjey

Não, ele mesmo que ele ganhe de 1 a 0, eu preciso que ele volte a jogar com grandeza.

?Voz C

Tá bom, tá bom. Então vou colocar 1 a 0 aqui, tá?

RKRossandro Klinjey

Tá joia.

?Voz C

Tem um ouvinte que escreveu mais cedo tentando animar a gente dizendo que ia ser 4 a 0, falando: "Cês tão muito pessimistas e tal, eu mudei meu palpite de 2 a 1 pra 6 a 0." Vamo ver.

RKRossandro Klinjey

Aê, vamo simbora.

?Voz C

Beijo, Rosandro, até a semana que vem.

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