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‘Não existe palmada pedagógica’

25 de junho de 20263min
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Você apanhou na infância? Rossandro Klinjey faz uma reflexão sobre a diferença entre disciplina e violência. ‘Violência precisa do medo, disciplina precisa do vínculo’. Ouça.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos2
  • Direção pedagógica e corpo docenteDiferença entre disciplina e violência · Neurociência e o cérebro infantil · Causas da agressão parental · Rossandro Klinjey
  • Experiências de InfânciaTraumas infantis e o riso como defesa · Apanhar na infância e suas consequências
Transcrição3 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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RKRossandro Klinjey

Refletir para viver, com Rosandro Klinger. Você apanhou na infância? No consultório psicológico, muita gente não chega dizendo que apanhou, E que isso fez mal. A pessoa chegava com pânico no peito e voz que tremia na frente do chefe. Não conseguia dizer não para ninguém. Aí, lá pelo terceiro encontro, aparecia uma cena: uma chinela na cozinha, um cinto pendurado na porta do quarto, ou um pedaço de pau com o nome desenhado: "Psicólogo".

E a pessoa contava rindo. Esse riso me intriga há anos. Não se trata de alegria, é uma espécie de costura emocional. A criança que apanhou não pode odiar quem bate, então o ego inventa uma saída. E aí o adulto diz a si mesmo: "Eu merecia", ou se engana dizendo: "Era outro tempo". O riso adulto é o tampão que cobre o medo da criança, que foi mais espancada do que educada. Aqui no Brasil tem um agravante: a gente nem chama de violência.

Chama de corretivo. Vira o tapinha que endireitou. Troca o nome da coisa para não ter que olhar para a coisa. Não existe palmada pedagógica. Isso é mito antigo. A neurociência mostra que o cérebro da criança que apanha aprende medo, não aprende lição. O comportamento para naquele segundo, mas o que se inscreve no sistema nervoso é uma equação perigosa. Quem me ama me machuca. Essa equação cobra preço caro lá na frente, no casamento, no trabalho e até no jeito de andar pela vida.

A diferença entre disciplina e violência cabe numa frase: violência precisa do medo, disciplina precisa do vínculo. O pai ou a mãe que bate na criança quase nunca bate pelo que ela fez. Bate pelo cansaço do dia, pela conta do mês, pelo casamento em crise, Pelo emprego tóxico, pela transgeracionalidade traumática de repetir padrões sem se questionar. A criança é o ponto frágil que o adulto encontra para desaguar o que não conseguiu segurar. Quem bate em filho não está educando, está descarregando.

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