Negociadores brasileiros veem poucas chances de reverter tarifaço dos Estados Unidos
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- Tarifas EUA contra BrasilDificuldades de negociação com governo Trump · Pressão política de Trump pela vitória da extrema-direita no Brasil · Acusação do Brasil na Seção 301 · PIX · Desmatamento e competitividade ilegal · Vantagens à Índia e ao México · Tarifas de 25% e 12,5% · Trabalho forçado
- Negociações PolíticasCampanha dos filhos de Jair Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro · Flávio Bolsonaro
- Preços do Etanol no BrasilTarifa de etanol nos EUA · Disposição do Brasil para discutir redução tarifária
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Dia a dia da economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.
Bom dia, Miriam.
Miriam, você tem acompanhado de perto o esforço brasileiro em reverter o tarifácio imposto pelo governo Donald Trump e agora nos traz aqui informações que está inclusive na sua coluna mostrando que os negociadores brasileiros não estão muito esperançosos em sucesso nessa missão.
É isso mesmo, Milton. Eu fiz um esforço a mais, além de estar acompanhando sempre, fiz um esforço para conversar com negociadores diferentes sobre qual é o sentimento agora nessa reta final, que eu acho que essa pergunta que tá na cabeça de todo mundo. Como em julho, né, meados de julho, vem o resultado final, pelo menos daquela acusação, de aquela acusação que é própria do Brasil, da Seção 301. Nossos ouvintes acompanharam, o Brasil foi acusado de 6 coisas, 6 pontos.
Entre eles tem a coisa do PIX, ou acusação de que o Brasil desmata e isso aumenta a competitividade ilegalmente, e que também tem a— que deu vantagens maiores à Índia e ao México nos acordos bilaterais, e pede tratamento, fala de tratamento, quer dizer, tem algumas tarifas que são muito altas no Brasil. Eles levantaram vários pontos e fizeram toda aquela investigação, chamada assim. A investigação começa quando Donald Trump acusa a justiça brasileira de estar fazendo uma coisa injusta com Jair Bolsonaro, pede, determina, ele manda que a justiça recue e coloca isso como uma ameaça.
Bom, a justiça não recuou e essa investigação foi adiante. Mais importante é o "e agora?" Bom, agora nesse momento o sentimento de todos os negociadores com quem eu conversei é que não vai ser possível reverter. Pode ser que não fique 25%, esse item. Tem aquele outro de 12,5% que eu já falo daqui a pouco. Ele acha que não vai reverter, primeiro porque ele está querendo que haja tributação em torno de 40% para vários países, porque é o que ele queria o que ele impôs antes e que caiu na justiça.
Então ele quer restabelecer, ele quer arrecadar mais. Mas o mais importante em relação ao Brasil é uma pressão política. Ele explicitou essa semana, Trump, explicitou essa semana que tem interesse na vitória da extrema-direita no Brasil, né, que acha, ele compartilhou uma análise que o Brasil é fundamental. Então tem esse ingrediente que é difícil. O que eles me contam que acontece, como é que acontece na negociação? Um negociador me disse, que é muito experimentado, falou assim: "Olha, é a negociação mais difícil que eu já participei, porque simplesmente o outro lado não quer negociar." Então eles falam de forma genérica.
A gente pergunta: "O que vocês querem exatamente?" Para a gente analisar os pleitos. Eles não falam. De repente, tinha outro que me contou assim: "Eles falam assim: 'O que vocês têm a oferecer?'" Eu falo: "Bom, vocês nos acusaram disso, a gente tem a oferecer todas as provas." Por exemplo, no caso do do desmatamento? Vocês querem o quê? Que a gente já combate o desmatamento, o governo atual já reduziu o desmatamento. Vocês querem que a gente coloque mais dinheiro para o IBAMA qualificar melhor?
Quer mais dinheiro do BNDES em todas as linhas de financiamento em favor da proteção? O que vocês querem? E eles não dizem, porque o que eles não querem é negociar. Isso que eu ouvi unânime entre os negociadores, Cássia.
E também em relação, né, Miriam, ainda a especificidades, os produtos, quais produtos, quais linhas os Estados Unidos querem que as tarifas sejam reduzidas aqui no Brasil. E exceto etanol também eles não pediram nada, não disseram nada específico.
Exatamente, etanol eles disseram que é alto demais, e é alto mesmo no Brasil. Antes de tudo isso começar, eles cobravam 2, a gente cobrava 18, então era uma desproporção. Mas aí vai discutir sobre isso, pode discutir. O Brasil se mostrou disposto a conversar sobre isso, mas a gente pergunta: qual que outros produtos ou linhas de produtos, eles, essa foram as palavras que me disseram, vocês querem que a gente discuta uma redução tarifária para os Estados Unidos?
E eles não falam. E eu fiquei de explicar aqui para o nosso ouvinte que tem, são duas, duas ameaças, né? Uma de 25%, a outra de 12,5%. Essa de 12,5% é contra 60 países. 59 países mais a União Europeia. Que é aquilo, vai ter essa tarifa de 10% para uns, 12,5% para outros, porque os países não têm legislação contra o que acontece em terceiros mercados, em outros países, na área do trabalho forçado. Então, os países têm que provar que tem lei e que essa lei é efetiva.
Então quem tem lei, a efetividade da lei é muito difícil de provar. Eles falam que isso foi escolhido a dedo porque é um assunto difícil dos países se defenderem, porque eles querem que essa tarifa do trabalho forçado seja a tarifa base, 10% para todo mundo, 12,5% para o Brasil, 10% para todo mundo. E além disso, o Brasil tem mais esses 25%, que pode ser um pouco menor do que 25%, com uma coisa assim meio de concessão, mas é muito difícil que o Brasil consiga afastar disso.
Quero deixar também mais claro que eu ouvi com todas as letras que o que dificultou realmente foi a campanha feita pelos filhos do Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, que chegou a ir lá um pouco antes do anúncio da, o anúncio da, de que tivesse recomendação de 25%, E isso atrapalhou um país que uma parte política luta para que haja uma punição contra o próprio país. Então isso deu a eles esse tempo de caminhada.
Milton e Cássia, muito obrigado, Miriam, e um bom dia para você.
Bom dia para todos nós.
Até mais.