Episódios de Comentaristas

Polilaminina gera controvérsia após homem ter pedido negado pela justiça para fazer tratamento com a substância

25 de junho de 20266min
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Luis Fernando Correia comenta sobre um caso de um homem que ficou paraplégico em um acidente de moto e que viajou até o rio de Janeiro para receber injeção de polilaminina após a justiça negar a utilização do medicamento. O comentarista alerta para os riscos e os problemas relacionados à permissão da justiça ao uso, já que ele ainda está em fase de testes.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
M

Milton

HostJornalista
L

Luis Fernando Correia

ComentaristaJornalista
Assuntos3
  • Vacinação contra HPVVacina HPV · Câncer de Colo de Útero · Austrália · Escócia · Inglaterra · Brasil · Queen Mary University · Ministério da Saúde
  • Polilaminina e lesão medularPolilaminina · Justiça
  • Prevenção e Rastreio OncológicoCâncer de Pênis · Câncer de Garganta
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LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Bom dia, Dr. Luiz Fernando Correia.

LFLuis Fernando Correia

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

CCássia

Bom dia, doutor. Gostei da camiseta verde.

LFLuis Fernando Correia

É, vamos torcer, né?

CCássia

Vamos torcer.

LFLuis Fernando Correia

Doutor Luiz Fernando, que boa notícia o senhor nos traz sobre câncer de colo de útero.

LFLuis Fernando Correia

Então, Milton, uma das vantagens da gente estar tanto tempo falando de saúde todos os dias é poder acompanhar a história acontecer, né? E uma delas é o que a gente sempre quis ouvir, ou seja, que a vacina de HPV poderia eliminar o câncer de colo de útero em gerações de mulheres. A gente já tem experiências positivas na ocorrência da doença na Austrália, na Escócia, na própria Inglaterra, e no Brasil nós estamos caminhando. Agora, a notícia dessa semana foi o seguinte: além de impedir o aparecimento da doença, pesquisadores conseguiram comprovar que a vacinação contra o HPV diminui a mortalidade de mulheres por câncer de colo de útero, que é o que a gente quer no final das contas, né?

Foi um caso, é lógico, foi o início da história, por mais desse pedacinho da história. A pesquisadores da Queen Mary University em Londres estudaram dados de mortalidade por câncer de colo de útero entre 2001 e 2024. O que que eles encontraram? Na faixa de mulheres de 20 a 24 anos que são as mulheres que foram, é a faixa de idade que foi, começou a seguir a vacinação, não aconteceu nenhuma morte por câncer de colo de útero, nenhuma, zero.

O esperado seriam 23 mortes. Lógico, alguém vai estar pensando: pô, mas mulher de 24 anos é muito jovem. É verdade, a gente não espera com frequência isso, mas gente, Nenhuma morte, 100%. É a primeira geração vacinada contra o HPV aos 12, 13 anos de idade, com cobertura de 90% na Inglaterra, e nenhuma morte nessa faixa etária. Ou seja, isso vai continuar acontecendo porque é uma doença que obviamente é rara nessa fase de idade.

Não quer dizer que a gente erradicou o câncer de colo de útero na Inglaterra, porém O padrão é muito forte, né? Ou seja, nas mulheres acima disso, de 25 a 29 anos, a queda já foi de 70% número de mortes, não foi de 100. Mas isso é importante, ou seja, já foram evitadas 200 mortes até o fim de 2024. Isso vai continuar crescendo, Milton, de maneira exponencial, ano a ano, à medida que essas moças vão envelhecer. As mulheres vão envelhecendo.

Então, o que a gente já sabia: a vacina reduz a incidência da doença, o número de casos novos. Mas a dúvida era: será que ela está prevenindo só os cânceres iniciais? E eventualmente o rastreamento já faria o diagnóstico e não chegariam a ser casos avançados?

LFLuis Fernando Correia

Não.

LFLuis Fernando Correia

Mas a redução aparecer 5 anos mais tarde em cada faixa etária mostra justamente o seguinte: a cada geração que a gente consegue vacinar contra o HPV, a gente está prevenindo morte no final das contas. E para o Brasil, onde é que entra a história? A gente adotou a vacinação do HPV em 2014 e desde 2024 passou o esquema de dose única para meninos e meninas de 9 a 14 anos. A gente conseguiu uma cobertura acima de 82% em 2024 para as meninas, acima da média global, ainda não é o ideal.

Entre os meninos, estamos em torno de 67%, e esse é o ponto fraco. E vamos lembrar, o câncer de colo de útero mata 7 mil brasileiras por ano, e as estimativas do Inca projetam que a gente ainda vai ter 19 mil casos novos por ano, entre 26 e 28. Ou seja, continuamos com crescimento de 13% em relação aos 3 anos anteriores. Então a diferença é o que nós estamos construindo na Inglaterra. A gente tá correndo atrás desse prejuízo. E é importante lembrar, gente, vacinar cedo, antes do início da vida sexual, e manter a cobertura alta.

Cara, todo mundo pede vacina contra câncer, todo mundo nas conversas pede isso. Tá aí, existe. Vamos aplicar nas meninas e os meninos, gente. É simples.

CCássia

E a importância de aumentar esse índice de vacinação para os meninos, que é menor, como o senhor nos disse, do que nas meninas, é que o HPV pode levar também a tipos de câncer que atingem os homens, como câncer de pênis, e também o câncer de garganta, que atinge os dois sexos. Tem uma boa notícia aqui no Brasil: a gente já tem essa vacina do HPV na rede pública, que protege contra 4 tipos de HPV, E o Ministério da Saúde está estudando ampliar essa imunização com aquela vacina nona valente, que por enquanto tá só na rede privada, mas o governo tá estudando já implementar também na rede pública.

Essa foi uma notícia que a gente teve no último sábado aqui na CBN, conversando com o Ministro da Saúde Alexandre Padilha. E ampliar também a idade para imunização contra o HPV. Então em breve a gente deve ter novidades em relação a esse reforço dessa imunização, doutor?

LFLuis Fernando Correia

Isso aí, Cássia. Vamos caminhar para que a gente consiga uma geração de brasileiras e brasileiros sem o vírus do HPV. Dá para fazer, é só vacinar as crianças.

LFLuis Fernando Correia

Muito obrigado, doutor Luiz Fernando.

LFLuis Fernando Correia

Até mais. Até mais, Milton, Cássia e todos os ouvintes.

CCássia

Até amanhã, doutor.

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