Leilão do Galeão sinaliza virada pragmática nas privatizações no Brasil
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- PrivatizaçõesMudança de visão sobre privatizações · AENA como nova concessionária · Infraero afastada do negócio · Leilões de concessão de energia
Linha Aberta, com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia para você, Carlos Alberto Sardenberg.
Muito bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, Carlos Alberto. Hoje mais cedo trouxemos até reportagem aqui sobre o Aeroporto Internacional do Galeão. Ontem a ENA venceu o leilão, 2.900 milhões de reais de lance, 210% de ágio, processo de privatização andando. E você chama atenção que há outras concessões no caminho?
Pois é, Milton, o que eu queria chamar a atenção, aliás, muito bom dia, ouvintes que nos acompanham, eu queria chamar a atenção para, digamos assim, uma mudança de visão em torno da privatização. Você se lembra que privatização no Brasil era um tema complexo, um tema ideológico e um tema que provocava sempre muitos debates. Nós ainda nos lembramos dos...
das passeatas, manifestações, protestos na Bolsa de Valores quando acontecia uma privatização, e que depois, afinal das contas, com o tempo, com o tempo, mesmo os governos de esquerda, os governos do PT,
foram percebendo que não havia outro caminho para melhorar a infraestrutura brasileira, se não transferir para a iniciativa privada todo um setor importante de infraestrutura, no qual se inclui o setor aeroportuário.
Só que começou, Milton, com um tipo de privatizações envergonhadas. O governo fazia uma privatização, mas colocava tantas exigências para a concessionária que o negócio, no final das contas, acabava ficando inviável há um tempo relativamente curto.
No caso, por exemplo, do aeroporto do Galeão, a primeira privatização aconteceu em 2013, durante o governo ainda de Dilma Rousseff. Foi realizado o leilão aqui na Bolsa de São Paulo e foi quando ganhou, então, um consórcio formado pela então Odebrecht e pela XANGE, que é o grupo de Singapura. Só que, por exemplo, nessa privatização, o grupo vencedor tinha que levar como sócio a Infraero.
que ficou com, obrigatoriamente, ficou com 49% da empresa. Então, você levava a concessão, mas não muito, porque tem todas as restrições de ter como sócio uma estatal.
E, além disso, havia aquelas regras, no caso, sobretudo, de privatização e concessão de rodovias, as regras da modicidade tarifária, isto é, vencia a concessão quem entregava, quem propunha cobrar a tarifa de pedágio mais barato.
E aí aquela história, tarifa de pedágio barato, mas aí compensação, serviços ruins para o consumidor, porque, enfim, se arrecadava menos dinheiro. Você veja que agora na licitação do Galeão, na nova licitação, a Infraero foi afastada do negócio, então a empresa terá o controle total do aeroporto, a Infraero está fora do negócio, a nova concessionária, que é a AENA, terá o controle total do aeroporto.
E o mesmo está acontecendo em diversas privatizações no setor rodoviário e no setor federal, no setor, por exemplo, de transmissão de energia. Há muitos leilões em andamento da Bolsa de Valores de São Paulo, muitos foram feitos no mês de março, há outros marcados para o mês de abril, leilões de concessão de linhas de transmissão de energia, por exemplo.
se calcula que algo como 80 bilhões de reais foram arrecadados, foram contratados em linhas de transmissão de energia e outros leilões de privatização no mês de março.
Então, a gente sempre comentou aqui que essa história da privatização não era uma questão ideológica, mas era uma questão de prática econômica, de eficiência econômica. Está provado que as empresas privadas são muito mais competentes do que as estatais para dirigir um monte de negócios, aliás, a maioria de negócios. Os aeroportos no Brasil estão sendo privatizados, já há um número grande de aeroportos privatizados, e...
Inclusive o maior deles, o maior aeroporto do Brasil, que é o do Santos Dumont e o de Guarulhos, que tem as maiores movimentações do Brasil, eles são privatizados. E outros também estão sendo privatizados. E isso mostrando que não é uma questão...
ideológica de entregar para o capital estrangeiro, para o capital privado, uma estrutura, um bem nacional. Simplesmente se está entregando para uma companhia competente, uma companhia eficiente, internacional ou nacional, para fazer uma gestão que atenda aos interesses dos usuários. É isso que é uma boa privatização e é o que foi feito no leilão.
lá no segundo leilão do Galeão, do aeroporto Tão Jubi. É uma mudança importante de visão de gestão pública, uma mudança importante nessa questão das privatizações. Abre setores para o capital estrangeiro e atrai muito dinheiro, muito capital para a economia brasileira. Milton e Cássia.
Muito obrigado, Sardenberg. Até logo mais, ao meio-dia. Até logo mais. Até mais tarde.
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