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Decisões do TSE e do STF devem ter pouco impacto no resultado da eleição

02 de outubro de 20269min
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Lauro Jardim avalia que o 'não-debate' entre os candidatos, marcado por desistências e decisões do Judiciário, prejudica a imagem do Supremo e da democracia, mas deve ter pouco efeito na escolha dos eleitores. 'O dano maior das decisões de ontem é a democracia, é a imagem do Supremo'.

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Participantes neste episódio1
L

Lauro Jardim

HostJornalista
Assuntos5
  • Decisões do TSE e STF prejudicam a democracia, mas impactam pouco a eleiçãonão-debate entre candidatos·interferência despropositada do Supremo·Supremo desmoralizado por decisões·impacto pequeno no resultado da eleição
  • Estabilidade do eleitorado brasileiro apesar de eventos midiáticos recentesdecisões de voto cristalizadas·pesquisas Datafolha e tracking do PT·aumento do Bolsa Família sem impacto·polêmica de Nossa Senhora de Aparecida
  • Eleitores indecisos e abstenção podem definir o resultado da eleição17% dos eleitores podem mudar o voto·capacidade das campanhas de levar eleitores·desalento e desinteresse do brasileiro·abstenção maior no segundo turno
  • Fatores externos como previsão do tempo influenciam a abstenção eleitoralchuva forte em São Paulo no domingo·impacto no desejo de sair para votar·recomendação para votar cedo
  • Tracking como ferramenta para partidos monitorarem tendências do eleitoradopesquisas feitas pelos partidos·rastreamento rápido de eleitores·não podem ser divulgadas publicamente·para consumo interno dos partidos
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Plantão Lauro Jardim. Bom dia para você, Lauro Jardim.

LJLauro Jardim

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz C

Bom dia, Lauro.

?Voz A

Bom, Lauro, a gente já contou aqui para os nossos ouvintes tudo que aconteceu ontem com a não realização do debate, de desistência já antecipada do presidente Lula, depois de Flávio Bolsonaro, interferência do TSE, do STF. E estamos a 2 dias de uma eleição. Queria o seu olhar a propósito deste momento.

LJLauro Jardim

Pois é, Milton, como você disse aí, ontem esse, a gente teve um não debate, né? Era um dia que o eleitor brasileiro deveria ter oportunidade de assistir um debate entre os candidatos que poderia ser decisivo, já que a gente tá aí, ontem estávamos a 3 dias das eleições, tivemos esse não debate por culpa de candidatos que decidiram não debater, como inicialmente o Lula e depois o Flávio Bolsonaro, também por uma, por causa de uma interferência despropositada do Supremo em questões que ele não deveria se meter.

Uma interferência, Milton Encárcia, com a marca desse Supremo. Um Supremo que tem se desmoralizado por tomar decisões que atropelam os ritos, jogam para o espaço a neutralidade que deveria nortear os julgamentos. Mas eu acho que uma das perguntas que o ouvinte, Milton Encárcia, gostaria de ver respondida é: qual é o impacto dessas decisões esdrúxulas de ontem no resultado da eleição presidencial do domingo. Eu arrisco a dizer que vai ser pequeno impacto.

O dano maior das decisões de ontem é a democracia, é a imagem do Supremo. Mas concretamente, as últimas semanas têm mostrado que as decisões de voto dos brasileiros até agora estão bastante cristalizadas. A pesquisa do Datafolha de ontem, assim como o tracking encomendado pelo PT, a que eu tive acesso ontem, também reforçam essa ideia. Os dois, Milton Nicácio, mostram que nem o aumento do Bolsa Família, nem a MP do fim das bets, e muito menos a polêmica em torno de Nossa Senhora de Aparecida, mexeram na popularidade do Lula.

O que era algo que muitos acreditavam. Muitos acreditavam que esses seriam fatores que ajudariam o Lula a crescer nas pesquisas. Mas os números, tanto do Datafolha quanto do tracking encomendado pelo PT, são os mesmos da semana passada, o que reforça a ideia de um quadro de estabilidade. Ou seja, um quadro que mostra uma ligeira vantagem do Lula no primeiro turno, o empate entre o Lula e o Flávio Bolsonaro no segundo turno. No tracking do PT tem um dado interessante que mostra que os 32% de brasileiros que a pesquisa qualifica de não polarizados, ou seja, que dizem que não são apoiadores nem do Lula ou do Bolsonaro, entre esse grupo também tem uma estabilidade de posições de intenção de voto desde agosto.

Tem um outro número importante agora no Datafolha de ontem que também deve ser olhado com atenção. São os 17% dos entrevistados que declaram voto, que declararam voto em algum dos candidatos a presidente, mas disseram que ainda podem mudar de voto até domingo. São esses eleitores que podem decidir a eleição ao lado dos que ainda estão indecisos. Porque 17% dos eleitores, segundo o Datafolha, afirmaram que ainda podem mudar o voto.

Mas o fato é que nem esses eventos bastante midiáticos da semana passada, como o caso da Nossa Senhora ou do fim das bets, fez esse grupo se mexer até agora. E olha que no caso das bets, Milton Cássia, 78% dos brasileiros apoiam o fim das bets, também segundo Datafolha. Tem um outro fator importante que é o número de abstenções que o domingo vai registrar, capacidade das campanhas do Flávio Bolsonaro e do Lula de levar os que os apoiam a ir votar no domingo vai ser fundamental para o resultado.

Esse é outro fator que torna o resultado de domingo tão imprevisível. O Lula e o Flávio Bolsonaro estão nesse momento na mão desse grupo.

?Voz C

Milton, nós tivemos, né, você tava lembrando, Laura, essa possibilidade de alta abstenção nas próximas eleições. Nas últimas, a gente teve um índice recorde, bateu mais de 20%. Então possivelmente a gente tá se encaminhando para um índice semelhante, tamanho desalento que a gente vem acompanhando nas pesquisas do eleitor brasileiro.

LJLauro Jardim

Perfeito, Cássia, porque é todas as pesquisas sem exceção indicam exatamente um desconforto, um desalento, um desinteresse do brasileiro em relação a essa eleição comparado com as outras eleições. Então Isso sugere uma abstenção maior agora. E a gente também sempre deve lembrar que a abstenção do segundo turno ainda é maior do que a do primeiro, porque vai ser uma eleição com menos candidatos. Ou seja, e aí eu falo não só em nível presidencial, mas você já vai ter uma série de governadores eleitos no primeiro turno, deputados, senadores, já só tem um turno, vão ser eleitos.

Isso diminui a quantidade de pessoas que irão votar no segundo turno. Então a gente tem que analisar ou tentar imaginar o resultado de domingo e do dia 25 de outubro, segundo turno, muito em função do número de abstenção. Por isso é que eu disse aqui há pouco que as campanhas do Lula e do Flávio estão muito na mão desses, desses eleitores e capacidade dessas campanhas em levar esses eleitores às urnas, certo?

?Voz A

E há um outro fator que sempre impacta isso, que é o próprio tempo, a previsão do tempo. Eu tô me referindo isso porque hoje cedo, conversando com o pessoal da previsão de tempo aqui em São Paulo, sabe-se que à tarde de domingo terá chuva, chuva forte no estado de São Paulo. Isso sempre impacta, inclusive recomendação para que as pessoas votem logo cedo para não serem impedidas de ir, não terem nenhum tipo de problema de deslocamento.

Mas isso também impacta o desejo da pessoa sair de casa ou não para votar. Ou seja, tem uma série de fatores aí que influencia, que influencia nesse momento. E só para fechar aqui, Laura, já que você falou em pesquisa e tracking, queria só para explicar aqui para os nossos ouvintes, quando nós falamos de tracking, nós estamos falando dessa pesquisa que é feita geralmente pelos partidos, né? Através dos seus institutos de pesquisa contratados, etc.

Essa pesquisa é muito mais rápida, né, que é um rastreamento que é feito, por isso o nome tracking. Geralmente um número muito menor de eleitores do que uma pesquisa como do Datafolha ou da pesquisa da Quest, que nós estamos acostumados, mas que de alguma maneira ali os partidos vão tirando a temperatura de como é que está o humor do eleitor diante de diversos fatos. Só para deixar claro aqui que nós falamos em pesquisa e tracking, né?

LJLauro Jardim

Essas pesquisas, na verdade esses trackings, Milton, eles são muito importantes para os partidos para registrar tendências. Eles são feitos todos os dias, entrevista com, entrevistas com os eleitores. Então se apontam tendências para onde caminha o eleitorado. É a forma que os partidos têm de monitorar as mudanças do eleitorado e não são registradas. Por isso, por exemplo, embora essas pesquisas, esses trackings, eles tenham números ali, Lula com tanto, Flávio com tanto, Caiado com X, elas não podem ser divulgadas, seja por nós da imprensa, seja em redes sociais. É proibido, são para consumo interno dos partidos.

?Voz A

Muito obrigado, Lauro, e um bom dia para você.

LJLauro Jardim

Bom dia para você, Milton. Para você também, Cássia. Para os ouvintes. E agora a gente se encontra nas eleições ali no domingo.

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