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Lula calcula riscos ao evitar debate na reta final da campanha

01 de outubro de 20268min
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Malu Gaspar avalia que a ausência de Lula no debate pode gerar críticas, mas faz parte de uma estratégia para evitar desgastes antes do segundo turno. Ela também questiona se Flávio Bolsonaro será alvo de ataques mais agressivos dos candidatos de direita no encontro.

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Participantes neste episódio1
M

Malu Gaspar

ComentaristaJornalista
Assuntos4
  • A ausência de Lula no debate e os riscos calculados da estratégiacálculo conservador de Lula·apelos de aliados para ir·Lula não quer ser saco de pancada·prejuízo de não ir ao debate
  • A estratégia de Lula para o segundo turno e o contraste com Flávio BolsonaroLula já está no segundo turno·evitar deslizes na reta final·Flávio Bolsonaro como alvo·contraste entre Flávio e Lula
  • O podcast de Lula como alternativa ao debate e a busca por território seguroLula em podcast no mesmo horário·pregar para convertidos·formato de podcast é mais leve·evitar ruído na campanha
  • A importância do debate para avaliar candidatos e os desafios do Brasildebate como confronto necessário·entender pontos fracos e fortes·reação dos candidatos aos desafios·Brasil cheio de desafios
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Com persa de bastidor com Malu Gaspar. Muito bom dia para você, Malu Gaspar.

MGMalu Gaspar

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia para os ouvintes e parabéns para nossa CBN, né? Parabéns por essa comemoração de hoje.

?Voz C

Faz parte desse time.

MGMalu Gaspar

Bom dia, Malu. Não sou tão antiga quanto vocês, mas tô aqui, gente, tô na fila. Uma hora eu chego lá.

?Voz A

Malu, vamos lá, Malu. Vamos falar do debate de hoje à noite sem a presença do presidente Lula.

MGMalu Gaspar

Pois é, sem a presença do presidente Lula, que fez um cálculo, eu acredito, conservador. Mas acho que ao contrário de uma parte das pessoas que tá achando que isso vai ser muito ruim para ele, Eu acho que sim e não. Vou explicar primeiro qual foi o cálculo do presidente Lula. E isso vou dizer para vocês com certeza, porque apurei com gente muito próxima. Foi ele mesmo que decidiu sozinho que não iria. Ele ouviu de muitos aliados o apelo para ir porque consideram que isso pode ser um problema, que vai pegar mal por ele estar faltando a um debate.

Pode parecer que ele esteja com medo e tal. E quem não quer, não quer ir de verdade, do próprio Lula, porque não tá com paciência, não quer ficar, fazer uma pergunta, depois ficar 20 minutos vendo os outros atacarem ele para só falar lá na frente. Acha que vai ser saco de pancada, não quer ir. E não adiantou os apelos de todo mundo que falou ali em volta dele que poderia ser ruim. Mas eu acho, e aí qual é o argumento das pessoas?

Olha, se não for, vai pegar mal. Eu acho que sim e não. Primeiro que assim, pode pegar mal, realmente ele pode ser criticado pelo fato de evitar um debate, que é sempre uma coisa salutar. O ideal seria que ele fosse. A gente tem muita pergunta para fazer para o presidente Lula e os outros candidatos, imagino que também. Mas qual o cálculo, gente? O segundo turno, o primeiro turno tá aí, é certo que o presidente Lula vai estar no segundo turno.

Então com certeza ele pensou, para que que eu vou passar por esse momento? Correr o risco de fazer algum corte que possa me prejudicar nessa reta final, sendo que eu já estou no segundo turno. Depois, no segundo turno, na disputa do segundo turno, aí vai ser só ele e o Flávio Bolsonaro. E aí vai ser muito, muito difícil realmente ele não ir. Acho que aí fica inviável e entendo que ele não vai ter opção. Mas agora eu acho que a hipótese é essa, a escolha é essa, não vai ter um certo prejuízo, mas eu tô no segundo turno mesmo.

Segundo turno é outra eleição, pelo menos não preciso passar por isso. E do outro lado, o que que eu vejo, que eu tenho visto na campanha, especialmente do Flávio Bolsonaro? É, Flávio Bolsonaro vai virar alvo, certo, mas qual é a história, a narrativa? Ele vai dizer que ele não topa debate, que ele é um— vai tentar se passar como uma pessoa muito mais dinâmica. Que eu sabia da conversa com os assessores e membros da equipe do Flávio Bolsonaro é que a ideia era tentar emplacar imagens e falas que fizessem um contraste entre o Flávio e o Lula, caracterizando o presidente Lula como alguém mais velho e cansado.

Essa era a estratégia que ficou por terra. Então, se for vir a ser usada, vai ser usada mais na frente. Eu tenho alguma dúvida sobre até que ponto o Flávio vai virar um alvo de ataques agressivos dos outros candidatos de direita que vão estar lá, que são o Romeu Zema, o Augusto Cury e o Caiado. Alguma dúvida, porque eles são todos de certa forma, eu não vou dizer que são linha auxiliares, mas são todos candidatos de direita e os eleitores tendem a, os eleitores desses candidatos tendem a votar no Lula nesse momento.

Lula, né, no Lula, desculpa, no Flávio Bolsonaro no segundo turno, quando, se eles ficarem de fora, como é o que parece que vai acontecer. Então eu tendo a achar que um vai querer apertar o outro, e o Flávio Bolsonaro vai jogar para o Lula, vai ficar aquele púlpito vazio. E não sei não, viu, gente, não vai ser um jogo mais ou menos combinado de morde-assopra para poder jogar a coisa sobre o Lula, que nessa hora, bom, a gente lembrar, vai estar num podcast falando ao mesmo tempo tempo num podcast, né?

Fez essa para não dizer que ficou em casa, entendeu? Vai dizer que tá no podcast falando para o público dele, né? Essa altura do campeonato, quem quer ver debate não vai ficar vendo o podcast do presidente Lula. Por outro lado, é isso, território seguro na reta final em que qualquer deslize pode representar um grande prejuízo, né?

?Voz C

Agora, Malu, em relação à participação do presidente, né, nesse podcast no mesmo horário do debate, Vai para algo além de servir para justificar ausência no debate? Porque eu pergunto para o público desse podcast, o presidente vai estar pregando para convertidos, né?

MGMalu Gaspar

Com certeza, Cássia. Inclusive, o presidente Lula já esteve nesse podcast nessa campanha, mas lá no início do ano, nem era campanha ainda, mas no início do ano. Então não tem assim muito. E outra coisa, o presidente fica muito à vontade em podcast, é muito É muito diferente da própria linguagem, pelo próprio formato, é muito diferente de uma entrevista como foi no caso da sabatina do Jornal Nacional, por exemplo, em que ele algumas vezes se irritou com as perguntas e chegou até a dizer que a Renata Vasconcelos não devia estar fazendo aquela pergunta, devia estar fazendo outra, uma outra que era inclusive assim: Presidente Lula, o senhor fez tanto pelo Brasil nesses últimos 35 anos, que não é bem uma pergunta, né?

É uma puxação de saco. Ele queria era isso e acho que no podcast Não que o podcast em questão, que é o Flow, seja um podcast chapa branca, mas o formato de um podcast é sempre uma conversa, é mais leve, não é um confronto como é um debate, né? E eu concordo com todo mundo que tá dizendo que tá faltando debate, porque, gente, é só nesse confronto mesmo que a gente consegue entender onde é que estão os pontos fracos, onde é que estão os pontos fortes e como cada candidato reage aos desafios, né?

Ser presidente não é moleza e a gente sabe disso. Tudo bem que o presidente Lula já tem 3 mandatos, mas o Brasil tá cheio de desafios para serem enfrentados. E é isso que a gente quer saber: 4º mandato, então para quê? Enfim, é isso que eu acho que vai— esse é o cenário. A ideia é gerar o mínimo de ruído possível para o presidente Lula.

?Voz A

Malu, muito obrigado aí pela análise. A gente vai conversando. Eleição tá logo ali agora, chega no domingo e a gente voltará.

MGMalu Gaspar

Vamos estar junto, vamos estar junto no domingo, vamos estar junto na segunda. É a rave da democracia.

?Voz A

Um abraço, até amanhã.

MGMalu Gaspar

Um abraço, gente. Parabéns para CBN.

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