Crescimento da dívida brasileira: 'nenhum dos candidatos se compromete com esse enorme problema'
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- O crescimento da dívida brasileira e a falta de compromisso dos candidatosdívida atinge níveis inéditos·governo gasta mais do que arrecada·necessidade de rolar a dívida·juros cada vez mais altos·desconfiança nas contas públicas
- A solução para a dívida pública: gastar menos e gerar superávit primáriogoverno gastar menos do que arrecada·fazer superávit primário·amortizar a conta de juros·gerar confiança nos meios econômicos
- A ausência de propostas dos candidatos sobre a dívida brasileiranenhum candidato se compromete·Lula diz que superávit é bobagem·Bolsonaro não fará economia em salários·assessores falam, candidatos não
- Reconhecimento de Milton Jung como jornalista influente do paíspesquisa com grandes empresários·Jornalistas de Companhia·âncora número 1 da CBN
Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia para você, Carlos Alberto Sardenberg.
E aí, Milton, Cássia, tudo bem?
Bom dia, Carlos Alberto.
Baita adversário, hein?
Estamos aqui em meio ao jornalismo fazendo festa também, no espaço que nos resta para fazer festa. Mas enfim, você com participação bastante especial aqui nesses 35 anos de jornalismo da CBN, vai contar muita história ainda no CBN Brasil hoje, né? Exato. Professor, conta para nós aqui, vamos falar do crescimento da dívida brasileira.
Olha, aqui é um tema, um tema muito importante para o próximo governo, problema no próximo presidente, seja Lula, seja Flávio, seja enfim qualquer outro, né? Porque a dívida brasileira tá atingindo níveis inéditos em período normal. Quer dizer, na pandemia o governo teve que gastar mesmo muito dinheiro, então a dívida subiu. Mas agora nós estamos num período, entre aspas, normal, e a dívida continua subindo. A dívida do governo tá passando, passou de 11 trilhões, é 11 trilhões e 100 bilhões de reais, é a dívida do governo, que o nível que chegou no mês de agosto.
E dois movimentos estão ocorrendo, dois movimentos. Primeiro é o seguinte: o governo gasta mais do que arrecada, o governo gasta mais do que arrecada, e com isso ele tem que tomar dinheiro emprestado para financiar parte dos gastos, né? Então ele ganha, arrecada 10, gasta 12, tem que tomar dinheiro emprestado para cobrir esse buraco. E é o que tem acontecido no governo Lula desde o seu começo. Tem sistematicamente gastado mais do que arrecada e tem feito com que a dívida cresça.
E aí entra o outro problema, que é o seguinte: o Brasil, o governo brasileiro, é um devedor que aumenta a sua dívida mês a mês. Então tem que rolar dívida. Quer dizer, é como se, é como se não, é exatamente isso, é tomar dinheiro emprestado para pagar uma parcela da dívida anterior. Entendeu? Então você tá com uma dívida, não tem dinheiro para pagar, você faz o quê? Você toma dinheiro emprestado para pagar uma parte da dívida que venceu.
É o que o pessoal chama de rolar a dívida. Só que ela vai aumentando porque você paga juros cada vez mais altos sobre esse, esse, essa renovação da dívida. Então nós temos dois movimentos: o governo gastar mais do que arrecada e a dívida é muito alta, paga juros muito elevados. Como é que resolve isso? Só tem um jeito, é o governo gastar menos do que arrecada, quer dizer, fazer o chamado famoso superávit primário. O governo, o governo reduzir o orçamento do dia a dia, o governo gastar menos do que arrecada e usar uma parte do dinheiro que sobra para amortizar a conta de juros.
Não é uma coisa imediata, mas a curva de juros deve inverter e passar a cair. E além disso, gera confiança nos meios econômicos, porque no momento atual é o momento de desconfiança em relação às contas públicas, porque ela piora a cada mês. A cada mês o governo está devendo mais e pagando mais por conta de juros e aumentando sistematicamente os seus gastos. Esse é um problema para o próximo ano. Se tudo continuar como está, a dívida vai continuar subindo e nenhum dos candidatos fez, nenhum dos candidatos principais, né, dos dois ponteiros, fez qualquer comentário sobre esse enorme problema que é a como é que vai solucionar a dívida, né?
O Lula tem falado que esse negócio de fazer superávit é bobagem. O Flávio Bolsonaro disse que não vai fazer economia no salário mínimo e nem na pensão dos aposentados. Então fica aí a palavra de assessores dizendo que vai fazer alguma coisa, mas o candidato mesmo não se compromete. E para encerrar, Milton, eu queria fazer aqui um, jogar um confete, que é o seguinte: o site, o grupo Jornalistas de Companhia, como você sabe, fez aí uma investigação, uma pesquisa junto a grandes empresários dos diversos setores da economia perguntando sobre jornalistas influentes.
E Milton Jung, nosso âncora número 1, está entre os jornalistas mais influentes do país segundo essa longa pesquisa, ampla pesquisa dos jornalistas e companhias.
Milton, e olha, ficou bem quietinho, não contou nada pra gente. Ainda bem que você tá aqui pra falar.
E eu tô aqui agora emocionado de receber esse presente. Não podia querer um presente melhor do que esse, que é ser citado pelo Carlos Alberto Sardenberg, que não por acaso chamei de professor logo na abertura dessa conversa. Obrigado pela lembrança, Sardenberg.
Abraço, abraços a todos.