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Exames normais não eliminam efeitos do consumo de álcool no fígado

01 de outubro de 20266min
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O médico Luis Fernando Correia explica que a melhora de um exame após a redução do consumo de álcool não significa que o fígado esteja livre de danos cumulativos. Ele destaca que alterações metabólicas e lesões no órgão seguem processos diferentes.

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Participantes neste episódio3
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Milton

Co-hostJornalista
Assuntos3
  • A diferença entre exames normais e danos cumulativos do álcool no fígadoalteração nos triglicerídeos de Leonardo·fígado processa álcool e gordura·álcool aumenta triglicerídeos·risco de pancreatite aguda·dano estrutural do álcool no fígado
  • Normalizar exames não elimina o risco cumulativo do consumo de álcooltriglicerídeos sobem e descem rápido·dano no fígado é lento e irreversível·retornar ao consumo moderado·normalizar exame não zera risco
  • A progressão do dano hepático pelo consumo de álcool ao longo dos anosesteatose como acúmulo de gordura·hepatite alcoólica como inflamação·fibrose como cicatriz irreversível·cirrose hepática e transplante·mulheres mais vulneráveis ao álcool
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

LFLuis Fernando Correia

Oferecimento: você luta pela sua saúde, a gente também. Alice, plano de saúde como deve ser.

?Voz A

Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.

LFLuis Fernando Correia

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz A

Bom dia, doutor. Tô lhe esperando, que aliás também já tá bastante tempo nessa casa, hein, doutor? É, esse já é o 26º ano do Saúde em Foco, todo dia, meu amigo. Não é simples não, e sempre trazendo coisas novas. Aliás, vamos voltar a falar daquele caso do Leonardo. Você falou esses dias, né, que ele parou de beber durante 30 dias para E compartilhou essa história das mudanças do corpo. Ele voltou a beber?

LFLuis Fernando Correia

Também compartilhou a notícia de que voltou a beber, Milton. Inclusive deu a entender que refez os exames e até deu a entender também que foi liberado pelos médicos. Isso não foi escrito por nenhum médico, então não posso, não vamos assumir isso. Mas a questão é o seguinte, aproveitar essa história do Leonardo, não é só pelo fato, obviamente, de uma pessoa conhecida, para a gente entender o que que aconteceu, pelo que a gente, até onde a gente sabe, né?

Segundo o próprio Leonardo e a esposa, que fizeram os posts iniciais, a pausa no consumo de álcool foi motivada por uma alteração nos exames, mais especificamente nos triglicérides, que é uma das gorduras que circulam no nosso sangue, e não, enfim, um problema direto no fígado, pelo menos. E aí a gente, vamos entender o que que é isso. O fígado é o órgão que processa o álcool. E nesse processamento do álcool que a gente ingere, ele compete com o metabolismo normal da gordura.

O resultado é que o fígado passa a produzir mais triglicérides e ao mesmo tempo o álcool reduz a atividade de uma enzima que remove essas substâncias do sangue. Ou seja, mais produção, menos limpeza. Isso pode acontecer mesmo em quem não tem sobrepeso e nem diabetes. É um efeito direto do álcool sobre o metabolismo do fígado. E qual a importância disso clinicamente? Níveis de triglicérides muito altos, geralmente acima de 1000 mg por decilitro, que é um número surreal, aumenta o risco de uma complicação muito séria, que é a pancreatite aguda.

É um dos poucos casos, Milton, que a gente tem que o exame de sangue isolado já sinaliza a possibilidade de uma emergência intra-abdominal grande. E aí, isso é diferente daquele dano estrutural que todo mundo sabe que acontece com o consumo de álcool lesando o fígado de forma constante durante anos. O triglicerídeo sobe e desce relativamente rápido, por isso fez sentido até a ideia de reavaliar em 30 dias. Agora, o dano no fígado pelo consumo de álcool segue uma lógica cumulativa de anos.

Primeiro acontece a esteatose, que é o acúmulo de gordura no sangue, no fígado, que é totalmente reversível se a pessoa para de beber. Se esse consumo excessivo continua, isso pode evoluir para uma hepatite alcoólica, ou seja, uma inflamação. Mesmo que não seja uma inflamação enorme que dê sintomas, mas o fígado vai estar inflamado. Ele ainda tem, mas ele tem chance de regredir. Agora, se essa inflamação se mantém, isso vira uma fibrose, ou seja, uma cicatriz.

E essa cicatriz se transforma no que a gente conhece como cirrose hepática. E aí não tem jeito, né? Aquela região que foi, que virou uma cicatriz, não funciona mais, é um dano permanente. Já temos hoje em dia no mundo, Milton, a maior causa de transplante hepático é a cirrose hepática. E a cirrose hepática alcoólica e também a não alcoólica, ligada diretamente à obesidade, são causas muito importantes de transplante de fígado, que não tem solução.

Se essa cirrose ocupar um espaço muito grande dentro do fígado, a função que sobra não é capaz de sustentar o corpo. A única solução seria o transplante. Então nós estamos falando de um consumo de referência, Milton, de 80 gramas de álcool por dia, ou seja, 6 a 8 doses. Isso, isso em termos estatísticos médios leva uma cirrose em torno de 10 anos nos homens e em cerca de 5 anos nas mulheres. As mulheres têm um metabolismo mais vulnerável ao álcool, até por questões de tamanho e tudo mais.

Então aqui que é o ponto central dessa história, né? Né? O exame dos triglicérides do Leonardo normalizando não quer dizer que o filho dele tá livre do efeito cumulativo. São duas coisas diferentes. É importante para o público entender. Uma é rápida e reversível, que é subir e descer o nível do triglicérides, e a outra é uma lenta, uma coisa mais lenta, que a partir de um certo ponto pode se tornar irreversível. Então, retornar ao consumo moderado resolveu o problema pontual do triglicerídeo, mas o efeito cumulativo continua acontecendo.

Não, a gente não sabe, ninguém divulgou o estado do filho do Leonardo, não foi divulgado. O que veio a público foi a questão do triglicerídeo, e é sobre isso que a gente pode falar com segurança. Mas vamos usar o caso dele para reforçar a ideia simples, né, Milton? Normalizar o exame não significa zerar o risco de tudo, né? Principalmente se o hábito logo depois é retomado, né?

?Voz A

Muito obrigado, Doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia. Também parabéns aí por esse aniversário.

LFLuis Fernando Correia

Parabéns para todos nós, parabéns para a equipe que apoia a gente sempre, todo dia também, Milton. É muito importante. E os ouvintes, claro que sem eles a gente não tava aqui, né?

?Voz A

Sem dúvida.

Anunciantes1

Alice

Plano de saúde
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