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Os bastidores da recusa de Lula ao debate na TV Globo

30 de setembro de 202612min
0:00 / 12:12
O presidente Lula, candidato à reeleição, decidiu não participar do debate da TV Globo marcado para esta quinta-feira (1º). Segundo fontes da campanha ouvidas pela CBN, Lula deve conceder uma entrevista ao podcast Flow no mesmo horário. Maria Cristina Fernandes traz os bastidores da decisão do presidente.

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Participantes neste episódio2
M

Maria Cristina Fernandes

HostEspecialista
T

Tati

Co-hostApresentadora
Assuntos6
  • A decisão de Lula de não participar do debate da TV Globoargumentos de Lula para a recusa·receio de ser atacado·comparação com 2006 e Alckmin
  • Lula concederá entrevista a podcast no horário do debateinformação de entrevista a podcast de grande audiência·controlar a própria narrativa·ocupar o horário do debate
  • Precedentes históricos de candidatos que recusaram debatesFernando Henrique Cardoso em 1998·Lula em 2006 e o segundo turno·o direito do eleitor e a obrigação do candidato
  • O histórico de Lula em debates e suas dificuldadesdificuldade de se adaptar a regras fixas de tempo·irritação com Padre Kelman em 2022·o debate de 1989 contra Collor
  • A idade e o desempenho em debates: o caso Joe Bidendebate de Biden contra Trump em 2024·demonstração de pouca energia de Biden·desempenho desastroso e possibilidade de substituição
  • O episódio de Flávio Bolsonaro em debate no Rio de JaneiroFlávio Bolsonaro com pressão baixa em debate·Jandira Feghali o segurando·intoxicação alimentar e o resultado na eleição
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Afternoon glare totally ruined my watch party for the big game. That's when my buddy recommended Blinds.com.

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?Voz A

Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.

?Voz C

Maria Cristina, boa tarde.

MCMaria Cristina Fernandes

Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvintes.

?Voz A

Boa tarde.

?Voz C

Bom, presidente Lula, candidato à reeleição, confirmou, bateu o martelo, não vai ao debate entre os candidatos à presidência promovido pela TV Globo na noite de amanhã. E aqui eu poderia dizer, conforme adiantado pela nossa reportagem, né?

MCMaria Cristina Fernandes

Pois é. Tati, na segunda-feira eu conversei com algumas pessoas que passaram, se reuniram com ele ao longo do fim de semana, e lá me disseram, eu escrevi na coluna que saiu ontem no Valor, que o argumento dele, a maioria dos assessores queria que ele fosse, temia a cadeira vazia, que é o que vai acontecer, e ele sendo atacado. Mas ele disse o seguinte, olha, Eu já sei como é que vai ser. Vão fazer uma pergunta e eles vão passar meia hora batendo em mim.

Aí vão fazer mais outra pergunta, eles vão passar mais meia hora e eu vou passar mais meia hora só apanhando. E aí os adversários teriam uma coleção de cortes contra si, contra ele, Lula, e ele ia ficar com imagem de acuado, né? Foi isso que ele disse. E No relato que eu tive ali, ele disse, eu não vou. Mas ainda se tentou ali uma, se tentaram apelos de última hora e ele fincou o pé. E por que que o presidente fez isso? Foi argumentado inclusive que em 2006 o Lula disputava contra aquele que hoje é seu vice, Geraldo Alckmin.

Ele também era uma candidatura à reeleição e havia inclusive a perspectiva de terminar no primeiro turno daquela eleição. Só que ele não foi ao debate do primeiro turno. O Alckmin foi, quer dizer, confirmou que ia e atribui-se. E no final, no segundo turno, o Alckmin O desempenho do Alckmin naquele segundo turno foi a única vez na história que um adversário passa para o segundo turno e tem uma votação menor do que no primeiro.

?Voz C

Sim.

MCMaria Cristina Fernandes

O que significa isso? O que se concluiu depois é que ele ia de fato perder no primeiro turno e a ausência dos debates foi muito explorada como uma recusa do então presidente a dar explicações sobre o seu mandato. Mas o fato, ele ganhou aquela eleição no primeiro turno, no segundo turno, e seguiu para o seu segundo mandato. Mas nem assim o Lula arredou o pé. Ele sabe que ele perde indo e ele perde saltando ao debate, né? O eleitor tem direito de ver seus candidatos que estão aí na cartela de opções para presidência da República, ver este confronto de ideias e decidir a partir desse confronto de ideias, né?

É um direito do eleitor e uma obrigação dos candidatos prestar favor. Agora, prestar esses esclarecimentos. Agora, esta decisão do Lula não é, não é apenas a primeira vez, não é a primeira vez que ele deixa de outros, em outras campanhas de outros candidatos, isso também aconteceu, né? Em 1998, Fernando Henrique Cardoso, então candidato à reeleição, disse que só participaria de debates no segundo turno. Como a eleição terminou no primeiro, ficou Por isso mesmo.

O que é que tá pesando? Bem, a idade pesa. Vamos lembrar o antecedente do ex-presidente americano Joe Biden no debate que aconteceu em junho de 2024, nas eleições americanas, ele contra o atual presidente Donald Trump. Lembrando que as eleições americanas são em novembro, né? Então foi um debate super antecipado. Ele tava gripado, tava demonstrando pouca energia, não obedeceu às marcações de tempo, ficava fechando os olhos em busca de palavras, fazia pausas longas.

Ele se atrapalhou quando ele falou do programa público lá de saúde. E aí o Trump, que sempre é muito beligerante, né, nesse dia ele tava sarcástico, mas ele ficou sob controle, deixou o Biden se enrolar nas próprias pernas. E foi um desempenho tão desastroso que houve ainda tempo, e como que foi muito cedo, houve tempo de substituí-lo pelo vice, Kamala Harris, que acabou perdendo. O Lula hoje ele tem um ano a menos do que o Biden tinha naquela disputa, né? 80 anos, Biden tinha 81.

Agora, o Lula é um contador de histórias e ele também tem dificuldade, já demonstrou isso em 22, ele tem dificuldade de se adaptar a regras muito fixas de tempo. E em 22, por exemplo, ele ficou irritado com Padre Kelman, né, aquele candidato escada do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Bolsonaro o chamou de presidiário e ele ficou hesitante em responder. Então não foi um bom desempenho aqui. Agora, ele, o Lula, tem comportamentos, digamos assim, alternados em debates ao longo de sua carreira.

Eu não sei se você e o Fernando acompanharam, porque vocês são novinhos, mas eu assisti o debate de 89, que eu já era jornalista, e ele carimbou o Paulo Maluf, quando ele disse: olha, quando Maluf fala em competência, é importante que o telespectador saiba porque ele é competente. É porque ele compete, compete, compete e nunca ganha. Ficou na história essa frase. Mas foi naquele debate também, o último debate que a Globo fez, no que era o último grande ato de segundo turno, continua sendo, é que ele se deixou desequilibrar.

Por quê? 2 dias antes, uma Ibope tinha trazido Lula e o então candidato Fernando Collor em empate técnico. E aí o Collor exibiu no seu horário eleitoral a mãe da filha mais velha de Lula e o acusou de tê-lo, tê-la pressionado para que abortasse. Bem, Ele assumiu a paternidade da Lúria, ele pagava a pensão e os avós da filha Lúria apoiavam o Lula. Então era uma mentira deslavada, mas ele ficou tão abalado emocionalmente, ele não quis.

A campanha insistiu e ele se recusou a falar mal da mãe da sua própria filha e não quis também. A Lúria queria gravar um depoimento E ele também não deixou que isso acontecesse, só permitiu que ela ficasse ao lado dele. E ele gravou sobre um tema sem atacar a mãe dela. A gente sabe disso porque o Paulo de Tassi, que era o marqueteiro da época, fez um livro, tá tudo lá, Lula Lá e Outras Histórias. Então ele já tava abalado emocionalmente por essa história.

E naquele dia do debate, ele fez uma viagem às 5 da manhã para Brasília, só voltou à noite. E não teve preparação nenhuma. Ele praticamente voltou, tomou banho, entrou no estúdio, não se preparou, não teve essa coisa: vão falar isso, você vai responder isso. Nada. E aí ele ficou meio sem ação. Quando o Collor disse— olha bem, o Collor é filho da elite usineira de Alagoas— disse que o Lula tinha um aparelho 3 em 1, um antigo toca-fitas, toca-disco, rádio.

Como ele mesmo, filho de usineiro, não possuía. E o Lula não conseguiu responder a isso. Ele tava ali sob a tensão de que o Collor trouxesse novamente essa história no debate. Então tem o acúmulo dessas histórias, sabe? Mas não é só a idade que pesa, que pesa sobre um candidato, porque eu vou trazer aqui a lembrança do ouvinte, porque essa talvez a maior parte Lembre, ainda que nem todo ouvinte nosso mora no Rio de Janeiro, mas há 10 anos atrás o principal adversário do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, tinha 35 anos de idade e disputava a Prefeitura do Rio.

E aí no segundo bloco ele pediu para o apresentador repetir uma pergunta porque disse que tava com a pressão baixa, não tinha ouvido direito. Mas aí ele não conseguiu, ele fechou os olhos, ele fez que ia caindo. A deputada federal Xandira Feghali, que era adversária dele à época, do PCdoB, segurou e agarrou pelo braço. E aí chamaram intervalo, ele acabou sendo levado para o hospital, disseram que ele teve uma intoxicação alimentar.

E o pai, Jair Bolsonaro, foi para cima dela, né, que comunista não põe a mão no meu filho, né. Jandira tinha segurado o filho dele para ele não cair ali no ar. E eis que o Flávio Bolsonaro ficou em quarto lugar naquela disputa.

?Voz A

Boas memórias, hein, Maria Cristina?

?Voz C

Recordar é viver, né? Maria Cristina, agora, além de decidir não participar do debate, Lula fechou entrevista. Ele deve falar nessa, nesse mesmo horário, não?

MCMaria Cristina Fernandes

Pois é, Tati, a informação que a gente tinha era que ele daria uma entrevista para um podcast de grande audiência. Esta informação eu procurei confirmar e ainda não a tenho, mas essa era a expectativa que se tinha, é que ele fizesse essa, desse essa entrevista para não ficar fora e de alguma maneira ocupar ali O horário com que ele quiser, né?

?Voz C

Porque aí de alguma maneira ele controla a narrativa dele também, né?

MCMaria Cristina Fernandes

Exatamente.

?Voz C

Muito bem. Maria Cristina Fernandes conosco diariamente em Tudo é Política. Obrigada, Maria Cristina. Um beijo para você.

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