Milei visita França para reuniões que apresentarão a Argentina a investidores europeus
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Ariel Palacios
- A visita de Javier Milei à França para atrair investidores europeusanúncio não convencional da viagem·vídeo de inteligência artificial com Milei na Torre Eiffel·reuniões para apresentar a Argentina a investidores·discurso na OCDE e encontros sobre energia e mineração·recepção por Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu
- A ópera 'Flauta Mágica' de Mozart e suas múltiplas interpretaçõesúltima obra lírica de Mozart apresentada em vida·enredo como conto de fadas e comédia romântica·história de amadurecimento do protagonista·disputa entre matriarcado e patriarcado·elementos dos ritos maçônicos e iluminismo
- A situação econômica delicada da Argentina e a falta de investimentosqueda do PIB e aumento da pobreza·risco-país elevado·redução da previsão de crescimento pelo JP Morgan·elogios à política fiscal, mas sem investimentos concretos
- A reforma constitucional mexicana sobre a dupla nacionalidade para presidentescautela histórica do México com a vizinhança dos EUA·exigência de nacionalidade exclusivamente mexicana·renúncia à cidadania estrangeira antes da candidatura·restrição durante o mandato e impossibilidade de proteção diplomática
- Protesto da Repórteres Sem Fronteiras contra o assédio de Milei à imprensacaminhão com telas exibindo frases de Milei em Paris·postagens hostis à imprensa na Rede X·insultos de Milei a jornalistas
CBN Pelo Mundo com Ariel Palacios.
Oi, Ariel, boa tarde.
Oi, boa tarde a todos. Como está, Tatiana, Fernando, ouvintes? Tudo bem?
Tudo bem, ajeitando aqui a gravata. Deixa eu ver, pera aí. Tá elegante, Ariel, como sempre, como sempre. Se você quiser ver todo o garbo e a elegância do Ariel Palácio, você cola lá na nossa tela no cbn.globo.com. Não, ei, meu Deus, eu errei o site da própria emissora! Olha que beleza! Vai lá no youtube.com/cbn para ver o Ariel, porque ele tá elegante hoje. Ariel, toda essa elegância para evocar Freud é para explicar o Milei?
Pois é, Milei, aproveitando, né, Milei está na França, chegou a Paris, e ele anunciou a sua chegada à capital francesa de uma forma não convencional. Horas antes de embarcar rumo à França, publicou nas redes sociais um vídeo feito com inteligência artificial no qual ele aparece escalando a Torre Eiffel ali com as mãos mesmo, os pés, né, e como se fosse o Homem-Aranha, mas basicamente, né. E na Torre Eiffel uma bandeira que não é francesa, é a bandeira argentina.
Então haja ego nacionalista. E aí na sequência um leão também sobe a escada velozmente, a escada, a Torre Eiffel velozmente, não pela escada, não por elevador, sobe por fora da Torre Eiffel também, chega ao topo e recebe ali um afago do presidente argentino. E essa cena termina com a inscrição Argentina Week Paris. Ou seja, o cenário verdadeiro vai ser bem menos delirante do que esse, porque Milei vai estar na capital francesa para 3 dias de reuniões destinadas a apresentar o país a investidores europeus.
É a versão parisiense do encontro feito em março em Nova York, que foi a Semana da Argentina em Nova York naquela ocasião, e vai reunir em Paris ministros, governadores, empresários argentinos e executivos das grandes companhias internacionais. Na quinta-feira, ou seja, amanhã, Milei vai discursar na sede da OCDE e terá encontros dedicados à área de energia, de mineração, agroindústria, infraestrutura e tecnologia. E Milei também será recebido por Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu.
Bom, o governo argentino espera que Paris produza aquilo que faltou e muito na Argentina Week de Nova York: anúncios concretos de investimentos, coisa que não aconteceram lá. Os empresários, de forma geral, fazem elogios sobre a política fiscal de Milei, mas na hora H ninguém bota um centavo no país porque a situação é muito complexa e a incerteza predomina. Bom, a comitiva inclui uma dezena de governadores para tentar mostrar aos investidores que existe alguma espécie de consenso político, mais especificamente sobre a necessidade de atrair capital estrangeiro.
A coisa é que Milei está no momento muito delicado. O PIB caiu 2,9% em julho em relação a junho. A pobreza, que havia recuado voltou a subir e atingiu 32,3% no primeiro semestre, e o risco-país voltou a superar a faixa dos 600 pontos. E o banco JP Morgan, que é um dos emblemas de Wall Street, não é uma organização marxista, né, reduziu sua previsão de crescimento da Argentina neste ano de 2,7% para 1,5%. E de quebra, a chegada de Milei a França foi embalada com protesto da organização Repórteres Sem Fronteiras, a RSF, contra esse protesto contra o que a organização, a ONG, classifica como, abre aspas, assédio sistemático do presidente argentino à imprensa, fecha aspas.
Um caminhão com telas percorreu pontos de Paris, como Champs-Élysées, o Louvre, o Trocadéro, exibindo frases de Milei contra jornalistas, porque a RSF junto com várias outras entidades aqui na Argentina, também contabilizou uma saraivada de publicações hostis à imprensa. Na Rede X, em 47 dias, Milei fez 1.674 postagens. Parece que o cara tem tempo de sobra com publicação com insultos à imprensa. O presidente argentino costuma chamar os jornalistas de lixo, mentirosos, mercenários corruptos, Além de insultos escatológicos, que aí sim Freud faria um banquete com isso, tá?
Eu fico imaginando o investidor francês preocupado, claro, com investimento, chegar e ver um vídeo como esse. Tem um vídeo aí? Bom, boa sorte, Mineiro. Agora passamos para o México. Ariel Palacios, o Senado mexicano aprovou uma reforma que impedirá que os presidentes do país tenham dupla nacionalidade.
Por quê? Pois é, o México sempre teve uma cautela especial por ser vizinho dos Estados Unidos. Até o ditador Porfírio Díaz, no início do século 20, dizia: coitado do México, tão perto, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos. Sempre houve um temor que algum, como recordem, o México perdeu metade do seu território original para os Estados Unidos no século 19, e sempre houve um temor que algum filho de americano nascido no México poderia puxar a sardinha para os Estados Unidos.
Então sempre uma questão de blindar a questão da nacionalidade mexicana quando alguém fosse presidente. Então o que aconteceu agora é que o Senado mexicano aprovou uma nova reforma constitucional que vai exigir nacionalidade exclusivamente mexicana para quem quiser ser presidente da República, governador de um estado ou chefe do governo da Cidade do México, Distrito Federal. Bom, a mudança foi aprovada por 86 votos contra 42 e agora precisa do aval da maioria das assembleias legislativas dos 32 estados mexicanos para entrar em vigor.
Pela nova regra, Tatiane Fernandes, os candidatos terão que ser mexicanos de nascimento, não poderão possuir qualquer outra nacionalidade. Quem tiver dupla cidadania deverá renunciar à estrangeira antes de registrar a candidatura e terá que comprovar que o vínculo jurídico com aquele outro país deixou de existir. Essa restrição continuará durante o mandato de um presidente, não é? Eles não poderão ter adquirido outra nacionalidade, ou seja, não poderão tampouco recorrer à proteção diplomática de outro estado no caso que tiverem algum problema na justiça e desejarem dar no pé do país.
Não vão poder fazer isso tampouco. Bom, essas regras valem a partir das eleições de 2028, não atingem quem já estiver no cargo. O fato é que em 97 já havia havido uma reforma da Constituição para reconhecer a dupla nacionalidade e estabelecer que o mexicano de nascimento não poderia perder essa nacionalidade. Isso entrou em vigência em 98 e era especialmente dedicada a milhões de mexicanos que haviam migrado Eles haviam tido que sair por questões econômicas do México e principalmente tinham migrado para os Estados Unidos, onde boa parte havia conseguido a nacionalidade americana. Então isso tudo agora está sendo rediscutido outra vez.
Tatiane Fernando, efeméride.
Ariel, uma efeméride que tem a ver com a música. Depois, num dia como este, mais de 1791 estreava em Viena a ópera Flauta Mágica, Die Zauberflöte, de Wolfgang Amadeus Mozart. Foi a última obra lírica de Mozart apresentada em vida, porque ele faleceu uns 2 meses, 2, 3 meses depois. É uma coisa bastante interessante. Em matéria de enredo, A Flauta Mágica é uma bagunça. Parece um roteiro que foi escrito por 2, 3, 4 roteiristas. São 5 histórias diferentes que tentam acontecer ao mesmo tempo.
Para começar, é um conto de fadas: animais dançantes, dragão, um homem-pássaro, uma mulher-pássaro, a rainha mauvada, sacerdotes misteriosos e o príncipe Sinéquanom apaixonado pela princesa também. Sinéquanom é uma comédia romântica sobre casais. Tadmino fica com Pamina, Papageno fica com Papagena. Em matéria de criatividade de nomes não foi lá uma grande coisa, mas foram muito criativos no resto, não é? Terceiro, é uma história de amadurecimento.
Tadmino começa como um rapaz que desmaia diante do perigo e nem flechas possui ali na algiva. Literalmente, ele tava ali com arco, mas a algiva tava vazia. Mas termina como herói capaz de enfrentar a morte. Quarto ponto: a flauta mágica pode ser lida como uma disputa entre matriarcado e patriarcado. A Rainha da Noite, uma poderosa mulher do velho mundo, enfurecida contra uma ordem masculina que lhe retirou o poder. Sua filha, Pamina, ao contrário, aceita é aceita nessa sociedade graças à coragem, à pureza, reconciliando os dois mundos, né?
O que deixa a mãe muito mais furiosa. E aí tem uma quinta história que é destinada aos iniciados, porque é uma obra que reproduz elementos dos ritos maçônicos. É a trajetória de um personagem que é uma passagem de trevas, de medo, superstição, enfrentando ignorância para chegar à luz, à coragem, sabedoria, né? É uma espécie de iluminismo do século 18, mas em formato de ópera. Em As Bodas de Fígaro, em Don Giovanni, Così fan tutte, as outras óperas de Mozart, havia livretos espetaculares do libretista, o italiano Lorenzo da Ponte.
Em A Flauta Mágica, ele pegou um libreto desajeitado, cheio de situações impossíveis, referências maçônicas obscuras, e produziu, conseguiu, apesar de toda essa bagunça com a música dele, fazer uma obra sublime.
Vamos ouvir, são 3 trechos, vamos lá.
São 3 trechos, vamos primeiro com a área da arminha da noite, que essa aí todo mundo conhece. Vamos correr, Ariel, no ritmo da música. Agora o segundo, agora a segunda área final grandiosa. Os raios do sol afastam a noite. É uma bela frase.
Agora vamos lá, terceiro e último.
E agora o encerramento assim a todo vapor mozartiano.
Ariel Palacios, obrigado mais uma vez. E até a próxima!
Obrigado a todos! Música ideal para o rush hour, não é? A toda, toda!
Tchau, Ariel!
Tchau, tchau!