O que é mais importante na jornada da vida, a chegada ou o percurso?
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- A importância dos relacionamentos para a felicidade e longevidadeestudo de Harvard sobre felicidade·relacionamentos como fator principal·independência da condição social·vínculos superam genética e colesterol
- O papel da solidão na saúde e bem-estar das pessoassolidão comparada a fumar cigarro·aumento do nível de colesterol·estado de vigilância constante·inflamação constante no corpo
- A necessidade de boas companhias para a felicidadeimpossível ser feliz sozinho·impossível ser feliz mal acompanhado·antes só do que mal acompanhado·aprender a conhecer boas pessoas
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Saúde Integral com Rossandro Klinger.
Oi, Rossandro, boa tarde, cara.
Depois de uma notícia dessa tem que vir um quadro Saúde Integral, né?
Pelo amor de Deus, tinha que ter todo dia negócio de saúde mental aqui na CBN.
Caramba, minha Nossa Senhora, tem hora que dá um sentimento assim de tem algumas, tem alguma luz no fim do túnel.
Porque parece que É, você é a nossa lanterna.
Tamo aqui para isso, vamos fazer nosso esforço.
Hoje a gente vai falar sobre uma jornada. E aí, o que que é mais, o que que é mais legal, a chegada ou o percurso?
Então, o que é que vocês acham?
O percurso.
Pesquisa percurso. Fernando também. Então, eu fiz, eu não fiz o planejamento que o professor Pasquale fez de fazer a pausa dramática, mas eu fiz comigo mesmo a pausa matemática, foi eu que fiz, porque segundo os estudos não é nenhum nem outro, mas é com quem você está no percurso. Então é as pessoas que contam. E quando a gente vê esse estudo que a gente já ouviu citar várias vezes, mas eu queria dar uns detalhes desse estudo, o estudo de Harvard sobre felicidade.
Porque veja, a ciência faz várias pesquisas, tá, Tinandes? Assim, pega 2, 3, 4, 5, 10 anos, faz uma fotografia de um grupo, depois publica um monte de artigo, livros e tal. A pesquisa de Harvard dura desde 1938. Ou seja, até hoje ela continua, já vai em 3 gerações. E não é uma fotografia, é um filme. E pegou desde alunos de Harvard, porque são aí a elite intelectual e financeira americana, né, e pessoas de bairros pobres de Boston daquela época, de 38 para cá.
Porque era justamente o objetivo, era mostrar que a condição social poderia dar alguma coisa diferente. E o resultado foi chocante. Independeu do grupo que a pessoa fazia parte, o que realmente tornou a pessoa, tornou essas pessoas mais felizes e com a vida mais longeva, era os relacionamentos. Isso é uma esperança, porque não depende da tua conta bancária. E ninguém aqui tá dizendo que ter dinheiro na conta bancária, claro que não nesses valores que a gente viu, que a gente não sabe nem como é que se pensa nisso, mas uma coisa humana, trabalho honesto, né?
Não que isso não seja bom, que não ajude, mas é sobretudo com quem você vive. Então muitas vezes a gente já viu aí pessoas que em nome do sucesso perde muita gente no caminho. E de certa forma, deixar claro aí, sucesso aqui eu não tô falando de uma pessoa que virou celebridade, tá? O sucesso numa visão mais ampla para nossa vida comum do ser humano. O grande sucesso da vida não é sobre onde eu quero chegar, em que caminho eu vou percorrer, mas de quem eu não quero abandonar no caminho, ou de quem eu não quero ser abandonado no percurso.
Porque nós somos gregários por natureza, nós precisamos viver essa experiência. Então assim, interessante, porque nesse estudo se eliminou a desculpa mais óbvia Né, já que independia de onde vinha as pessoas, a felicidade não confere o CEP de ninguém, nem muito menos a conta bancária. Isso é uma esperança para todo mundo, porque de fato eu lembro quando eu tive com minha esposa no Malawi, no campo de refugiados de Zaleka, que acolhe refugiados de guerras no sul da África, especialmente da guerra da República Democrática do Congo.
E você via pessoas sorrindo naquela condição, e o que as fazia sorrir era a família. Era os filhos, eram as pessoas que estavam perto delas. Então a gente também visita pessoas que têm casas incríveis planejadas de milhões e são infelizes porque estão lá basicamente rachando o condomínio, mas não vivendo como família. Então no fundo, no fundo, a gente percebe isso. O que é central nessa pesquisa, o Robert Weidinger é o quarto diretor do estudo, né, porque faz tempo, ele resume numa frase que bons relacionamentos nos mantêm mais felizes e mais saudáveis, ponto, não tem outra coisa.
E a surpresa surpresa. Os pesquisadores esperavam que o colesterol, a genética, os hábitos dominassem mais a previsão de saúde. E os vínculos ganham de todos eles. Ninguém desenha uma pesquisa esperando que o amor batesse o laboratório. Isso chega a ser quase poético, né?
Porque isso dá uma esperança de que a gente pode, mesmo ouvindo essas notícias, e vocês que têm que dar elas porque faz parte do ofício, Fernando vai chegar em casa, vai encontrar o filho, a esposa, você vai encontrar o sobrinho, a família, vocês vão sair como a gente já saiu uma vez, tomar um café, e um pouco da vida.
E isso é um alento pra gente, porque no fundo, no fundo, o percurso não é ignorado, mas com quem você está no percurso é muito importante. Por isso que os vínculos que você faz até os 50 prevê mais a sua saúde aos 80 do que todo o seu drama de colesterol da vida. Não que não cuidar do colesterol seja importante, que fique claro, por favor, para não pegar esse trecho e me cancelarem no mundo dos cancelamentos, né?
Mas 30 anos depois A solidão, ela é um—
a solidão tem um peso maior na vida da pessoa, inclusive comparado a você fumar uma carteira de cigarro por dia. Então, na verdade, a companhia de pessoas diminui o nível de colesterol, enquanto que a solidão aumenta e deixa você no estado de vigilância constante. Então é como se você só vivesse numa inflamação constante, entende? E quando você tá acompanhado, você divide isso.
Sim, a gente só não pode cair na armadilha de ignorar o contexto que joga contra essa felicidade e nem glamourizar a escassez, né, Rossandro? Isso é importante.
Não, e nem achar que é qualquer tipo de companhia, porque tem gente que tá perto, termina, é pior do que a solidão. Então não dá para a gente imaginar isso. Agora, como diz o poetinha, e fazendo aqui reverência ao nosso querido professor Pasquale, que faz esses auxílios luxuosos, que eu nem imagino de onde ele tira essas músicas, né?
Mas assim, como diz o poetinha, É impossível ser feliz sozinho.
Agora também é impossível ser feliz mal acompanhado. Isso aí também é um fato muito importante.
Aí vale o antes só do que mal acompanhado, não é mesmo?
Nesses casos é. Até porque é uma solidão assim, tipo, seletiva. Depois a gente procura uma boa companhia. Até porque é convivendo com as pessoas que não presta que a gente aprende a conhecer as boas pessoas.
É isso aí. Aqui a gente é muito contente de ter a sua companhia toda semana. Rosandro Klinger, em Saúde Integral. Obrigada por hoje, um beijão, até a semana que vem. Beijo, tchau, Rosandro.
Um beijo, que a gente Já voltou.
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