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'Amar a si mesmo é reconciliação'

30 de setembro de 20263min
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Rossandro Klinjey faz uma reflexão sobre o ‘inimigo’ que mora dentro de nós. ‘Repare quantas guerras suas foram travadas contra você mesmo’. Ouça.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

HostPsicólogo
Assuntos4
  • A reconciliação com o escuro interior através do amorinimigo interno conhece todas as senhas·autoviolência fortalece o padrão·olhar de frente com honestidade·conhecer o porão em vez de trancá-lo
  • A provocação de Khalil Gibran sobre amar o inimigo internoamar a si mesmo como inimigo·o inimigo que mora dentro·guerra travada contra si mesmo
  • O conceito de inconsciente de Freud e o porão psíquiconão somos senhores na própria casa·desejos negados e feridas não elaboradas·lealdades invisíveis a dores antigas·morador oculto age e boicota
  • A voz interna que sabota e o crítico que fala com vocêvoz que sabota a conquista·padrão que escolhe a pessoa errada·procrastinação adia o importante·crítico interno com tom inaceitável
Transcrição2 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Refletir para Viver com Rosandro Klinger.

RKRossandro Klinjey

Khalil Gibran, o poeta libanês, escreveu uma provocação que parece blasfêmia e a lucidez. E Deus disse: ame o seu inimigo. E eu o obedeci e amei a mim mesmo. Demora um segundo para ficha cair, não é verdade? Quando cai, incomoda, porque a frase aponta para um inimigo que quase ninguém tem coragem de encarar: o que mora dentro. A gente passa a vida mapeando o inimigo externo, que vai do colega que atrapalha aos traumas de infância, passando pelo sistema que oprime, Alguns existem de verdade, claro, mas repara quantas guerras suas foram travadas contra você mesmo.

A voz que sabota na véspera da conquista é sua, como também é seu o padrão que escolhe sempre a pessoa errada, a procrastinação que adia justamente o que mais importa, o crítico interno que fala com você num tom que você jamais aceitaria de um estranho. Foi Freud quem deu mapa a esse território. Talvez a maior contribuição dele: o conceito de inconsciente, a descoberta de que não somos senhores na própria casa, que existe um porão psíquico onde moram desejos negados, feridas não elaboradas, lealdades invisíveis a dores antigas, e que esse morador oculto age, ele escolhe, boicota e repete tudo isso enquanto a consciência jura que está no comando.

O inimigo interno tem uma vantagem tática sobre qualquer inimigo externo. Ele conhece todas as suas senhas, sabe exatamente onde dói, o que você teme, qual mentira você aceita ouvir, e trabalha de dentro sem levantar suspeita. Por isso Gibran fala em amar. O inimigo interno não se vence na porrada. Autoviolência só fortalece o padrão. Ele se vence pelo caminho mais difícil, Olhar para ele de frente, com honestidade e compaixão.

Conhecer o porão em vez de trancá-lo. Amar a si mesmo no sentido de Gibran não é fazer selfie com legenda bonita, é reconciliação com o próprio escuro. E essa guerra, quem vence é quem para de lutar contra si.

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