Ensino Médio no Brasil: ‘distante daquilo que é um direito’
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Mário Sérgio Cortella
- A alta taxa de abandono do ensino médio no Brasilum em cada cinco estudantes não conclui·taxa de conclusão de 79%·abaixo da média da OCDE·maior índice entre homens
- Os obstáculos que afastam os jovens da escola no Brasilmercado de trabalho·gravidez precoce·saída do circuito escolar·falta de políticas públicas
- A multifatorialidade da evasão escolar no ensino médioquestões ligadas à estrutura escolar·organização e atratividade da escola·professores sem estrutura·sociedade que não impulsiona a valorização
- A necessidade de políticas públicas para reter jovens na escolaeducação básica obrigatória até 17 anos·impacto da não conclusão·escolha de gestores públicos·nação mais preparada
Conversa de Primeira, No Meio do Caminho, com Mário Sérgio Cortella. Muito bom dia, professor Mário Sérgio Cortella.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.
Bom dia, professor.
Professor, dados divulgados ontem mostram que 1 em cada 5 estudantes aqui no Brasil que ingressam no ensino médio não conclui essa etapa do ensino médio e já está fora da escola 2 anos depois do prazo previsto. Taxa de conclusão 79%, fica abaixo da média de 85% daqueles países que são analisados pela OCDE. Situação ainda maior entre os homens. O abandono chega a 23%, o maior índice entre os países com esse recorte, né, quando você olha o público masculino.
O que que esses números revelam sobre os obstáculos que afastam esses jovens da escola e sobre o que pode ser feito, né, para mantê-los estudando?
20%, né, Milton, 1 a cada 5, né, dos jovens nessa faixa etária não conclui. É bastante, não tá tão distante de alguns países, mas está distante do que é necessário, está distante daquilo que é um direito muito, inclusive. Claro, há uma preocupação. A educação básica no Brasil, ela é obrigatória até os 17 anos. Até algumas décadas era apenas, né, no início. Muita gente fez o ensino médio com o nome de segundo grau, e outras pessoas mais antigas como eu, né, com o nome de colegial, científico, etc.
Pois bem, essa etapa ela é sempre estrangulante na educação, é porque ela é uma etapa em que o jovem ou vai para o mercado de trabalho, ou no caso de muitas mulheres há uma gravidez precoce, Ou ainda há um menino, né, que sai do circuito escolar e acaba não retornando. Portanto, é sim um mar difícil. É preciso políticas públicas que sejam capazes de reter, né, o jovem nessa condição. Isso é o impacto mais adiante, porque lembrando, né, Cássia, 20% de pessoas que não concluem essa etapa na educação básica é muito expressivo, né.
Muito expressivo, sem dúvida. E tem uma questão que são as razões que levam a esse abandono. Você tava trazendo algumas dessas questões para meninos e para meninas. Agora tem também algumas questões ligadas à estrutura escolar, e nunca é um fator só, né, professora? Então a solução também para um problema como esse acaba não sendo simples por esse mesmo motivo, porque são vários fatores envolvidos nessa evasão no ensino médio?
É o clássico tema multifatorial, quer dizer, coisas internas da escola, organização, menos atratividade, professoras e professores sem tanta estrutura, né, para fazer aquilo que é necessário. Isso pelo lado de dentro, né. Pelo lado de fora, uma sociedade que nem sempre impulsiona a valorização de quem conclui os estudos, a ideia de um crescimento, né, dentro da profissão e da capacidade de ganho que não necessariamente vem, né, pelo adensamento né, da estrutura escolar.
Então essa multifatorialidade ela traz dificuldade. Por isso é necessário que a gente seja capaz de escolher pessoas na gestão pública, na área do Legislativo e do Executivo, que apoiem, né, a busca de solução em relação a essa questão. Não é uma coisa só para quem está terminando o ensino médio, é também para qualquer brasileiro ou brasileira que queira uma nação mais preparada.
Muito obrigado, professor Mário Sérgio Cortella, e um bom dia.
Abraço, abraços.