Por que institutos de pesquisa utilizam a palavra ‘data’ no nome?
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Pasquale
Carlos Eduardo Éboli
Carol
- A origem latina da palavra 'data' e seu uso em institutos de pesquisadata como plural de datum·relação com o verbo dar·dados estatísticos e de pesquisa
- A canção 'Quanta' de Gilberto Gil e Milton Nascimento como aula de língua e físicaquanta do latim, plural de quantum·achado poético de Gilberto Gil·física quântica e valores discretos
- O significado e uso de 'data center' no contexto tecnológicocentro de processamento de dados·CPD como redução·influência do latim na língua inglesa
- A 'Missa Breve' de Edu Lobo e a musicalização de textos em latimdisco de 1973 com músicas tradicionais e missa·Edu Lobo compõe melodias para textos latinos·arranjos de Edu Lobo
- A tragédia de Tenório Júnior e a ditadura argentinapianista no disco de Edu Lobo·assassinato pela ditadura argentina·crítica às ditaduras militares
A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.
Oi, professor, boa tarde!
Boa tarde, Tati! Boa tarde, Fernando! Boa tarde, ouvintes!
Professor, hoje dúvida de Daniel Fonseca, ele é de Sete Lagoas, em Minas Gerais. Ele quer saber o motivo pelo qual vários institutos de pesquisa utilizam a palavra data no nome: Datafolha, Datatempo, Realtime, Big Data, etc. Qual é a relação da palavra com o trabalho feito pelos institutos?
Eu ouvi a abertura e morri de dar risada, que eu tava almoçando, quase que desce torto.
Quando a Tati disse data Tati, eu escrevo muito data Tati nos meus textos, viu, professor? Quando eu quero obviamente falar das minhas observações que não tem absolutamente nenhum fundo científico, nenhuma base estatística.
Muito bem. Pois bem, por que data nesses nomes todos que o Fernando já leu? Porque data é latim e é plural, plural de uma coisa que a gente vai aprender agora com Gilberto Gil. Podemos ir direto para ele? Gilberto Gil compôs uma canção cujo nome eu não vou dizer, porque senão já estrago tudo. E ele gravou essa canção com o Milton Nascimento, os dois juntos. O nome da canção é o nome do disco, 1995. Vamos ouvir, porque é uma aula, uma aula de tudo aqui, uma aula de língua, uma aula de física, uma aula de um monte de coisa. Mestre Gilberto, Gilberto, Gilberto Gil. Vamos ouvir.
Qualidade difícil de expressar, fragmento infinitésimo, quase que apenas mental, quanto um granulado no mel, quanto um ondulado no sal. Mel de urânio, sal do irádio, qualquer coisa quase ideal. Cante todos, cante Professor, vamos lá. Quântico dos Quânticos.
Professor, vamos lá. Quanta é o nome da música?
Quanta, como o próprio Gilberto Gil diz, eu acho que quando ele diz tá meio baixinho, não o nosso som, não, ele, ele fica meio baixinho, né? E não sei se dá para perceber direito, mas ele diz quanta do latim, plural de quantum. E é isso mesmo, assim como data é o plural de datum. E aí nós temos esse data do latim, que é o plural de datum. E que tem uma relação com o verbo dar, né? É um dado, né? É um dado. Por isso esses institutos todos se chamam data, né, que é o plural de datum.
Quer dizer, são dados, dados estatísticos, dados de tudo quanto é coisa, né? Por isso eles se chamam, eles têm os nomes que têm. Datatati, por exemplo, seria Seria a Tatiana Vasconcelos como fonte das pesquisas todas de dados. E existe o data center, não é? Que é uma coisa que tomou conta do mundo, é um nome mundial, né? Eu acho que é na verdade o centro de processamento de dados. Isso costuma ser reduzido a CPD, C de casa, P de pato, D de dado, não é?
CPD, Centro de Processamento de Dados, na forma inglesa data center, né? Os ingleses também usam o latim. Nós sabemos que embora a língua inglesa não seja neolatina, ela contém muitas e muitas e muitas, dizem algo em torno de 50, 55% de palavras de origem latina. Né? E eles usam muito as terminações, a terminologia, perdão, latina. Data center, centro de dados, né? Seria mais ou menos isso, tá? E aí eu aproveito a ocasião para a gente ouvir um pouco de latim.
Como é que tá o nosso tempo? Tá tranquilo? Podemos avançar? A gente vai ouvir em 1970. Bom, essa canção que a gente ouviu, disse que não ia dizer o nome. O nome da canção é Quanta, né? Coisa que o Gil e o Milton dizem logo de cara. Quanta, do latim plural de quantum. E mais para frente existe uma coisa aí no final da parte que nós ouvimos: cântico dos cânticos, quântico dos quânticos. Isso é um achado poético, né, do Gilberto Gil.
Esse quântico, né, da física quântica. Eu vou ler aqui o que diz o Wise, vou poupar você, querido Fernando, que diz respeito a um sistema físico cujas grandezas físicas observáveis assumem valores discretos, de tal modo que a passagem de um determinado valor para outro ocorre de maneira descontínua. Segundo as leis da mecânica quântica. Por isso a letra diz lá de qualquer coisa quase ideal, né, um fragmento infinitésimo, e por aí vai.
Altamente filosófica essa letra do monumental Gilberto Gil. Bom, então aproveitando a ocasião, em 1973 Edu Lobo gravou um disco chamado Edu Lobo. Depois, um belo dia, alguém deu de chamar esse disco de Missa Breve. Mas não é o nome do disco, né? E ele grava na época um bolachão, um LP, de um lado músicas tradicionais e de outro uma missa. Ele pega termos, textos em latim, né, usados em muitas celebrações religiosas, e compõe a melodia, porque o texto já tava pronto, que são textos musicados de diversas maneiras.
Ele compõe algumas maravilhas melódicas e eu quero que a gente Ouça agora a parte final de Glória, né, que está nesse disco de 1973. O arranjo que é dele, Edu Lobo, é uma maravilha. Vamos ouvir.
Miserere nobis, me ajuda, professor.
Me ajuda, professor. Tende piedade de nós. É mais ou menos isso, né? Miserere nobis, né? Tem piedade, tende piedade de nós. E ele diz ainda: Qui tollis, qui tollis peccata mundi. Vós que tirais, tu que tiras o pecado do mundo, vós que tirais, tende piedade de nós. Tu que tiras, tem piedade de nós. Vale a pena ouvir esse disco de Edu Lobo dos dois lados. É um disco definitivo feito em 93. Ele tinha voltado dos Estados Unidos, onde foi estudar regência, arranjo, e fez esse trabalho que é belíssimo, é lindíssimo, é um elogio à inteligência do Brasil, né?
Nesse disco está, por exemplo, ao piano, o Tenório Júnior, aquele que foi assassinado pela ditadura argentina, sabem do caso dele. Né? Saiu para comprar cigarro, não voltou mais em Buenos Aires. Uma tragédia, uma verdadeira tragédia típica dessas malditas ditaduras de milicos malditos. É isso. Então ouçam esse disco de 73, ele tá disponível na internet, é fácil de achar e é bonito para chuchu. Obrigado, Miserere Nobis. Aliás, há uma canção do disco Tropicália, da turma da Tropicália, uma canção genial que se chama Miserere Nobis, né?
Música de Gilberto Gil e José Carlos Capinam, que diz também isso, né? Miserere Nobis, ora ora pro nobis, e por aí vai, né? É isso. Muito bem. Data, plural de datum. Podia ser Tata, plural de Tatum, que tal?
Ah, ia ser bom, hein? Duro é falar, né? Mas enfim, tudo bem. Obrigada, professor, um beijinho e até amanhã.
Um super beijo para vocês e até amanhã.
Até.
Todos cáticos, pontículos, pontifôs, cânticos, cânticos.