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Busca por lucidez

29 de setembro de 20266min
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Com o avanço da tecnologia e a abundância de informação, uma tendência que vem se fortalecendo é a busca por clareza. Mas o que exatamente é isso? Martha Gabriel explica que essa tendência de comportamento é chamada de higiene congitiva. 'Ela surge em resposta a sobrecarga de infoormação'. Comentarista dá dicas práticas de como se manter lúcido para o futuro. Ouça.

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Participantes neste episódio1
M

Martha Gabriel

Comentaristafuturista e especialista em inovação e tecnologia
Assuntos4
  • A busca por clareza e higiene cognitiva em meio à sobrecarga de informaçãoresposta à sobrecarga de informação·proteger a qualidade da atenção·selecionar o que se consome·limitar interrupções e telas
  • Dicas práticas para manter a lucidez e a higiene cognitivapraticar pensamento crítico·reduzir interrupções·praticar monotarefa·criar períodos de silêncio informacional·verificar fontes de informação·exercitar a memória
  • A importância da autonomia cognitiva na era da inteligência artificialproteger a autonomia cognitiva·evitar terceirizar memória e análise·preservar o julgamento
  • O risco de confundir descompressão com a entrega do pensamento à IAconfundir busca por descompressão·entregar o pensamento à inteligência artificial·prejudicar o pensamento
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Futuramente com Marta Gabriel. Muito bom dia para você, Marta Gabriel.

MGMartha Gabriel

Bom dia, Milton, Cássia, ouvintes queridos. Bom dia, Marta.

?Voz A

Marta, Com o avanço da tecnologia, abundância de informação, há uma tendência que vem se fortalecendo, que é a busca por simplicidade ou por clareza, no caso. O que que é exatamente esta clareza que se busca?

MGMartha Gabriel

É isso mesmo, Milton. Essa tendência de comportamento é chamada de higiene cognitiva e ela surge em resposta à sobrecarga de informação, estímulos digitais, notificações, desinformação e conteúdo gerado por IA. Bem o nosso contexto, né? Então, assim como a higiene física protege o corpo, a higiene cognitiva ela busca proteger a qualidade da atenção, do pensamento e das nossas decisões. Então na prática envolve hábitos como selecionar melhor o que a gente consome, verificar fontes de informação, limitar interrupções, excesso de telas, criar períodos sem estímulos digitais, evitar delegar todo o nosso raciocínio para IA.

Essa então é um dos motivos que faz a higiene cognitiva virar tendência e preservar momentos reflexão profunda, né, realmente parar para pensar, basicamente, né. Então, apesar do conceito de higiene cognitiva já existir antes, tem raízes lá atrás, né, higiene mental, né, todo mundo já ouviu falar de higiene mental. Agora, com a IA generativa, ela ganha força como tendência e uma dimensão adicional, porque além de filtrar informação, que a gente tem vivido esse processo já desde o início da era digital, a gente passa a precisar também de proteger nossa autonomia cognitiva, né, evitar conveniência, automação da IA, façam com que a gente terceirize sistematicamente a memória, análise, criatividade, julgamento.

Então, basicamente, higiene cognitiva, essa tendência, né, é um cuidado que entra na nossa mente, 2, do que ocupa a nossa mente e do que influencia, né, 3, o que influencia a nossa mente, para a gente conseguir preservar atenção, pensamento crítico, autonomia em um mundo de abundância informacional e IA. Ô, Marta, você poderia trazer algumas dicas práticas para a gente de como a gente pode se manter então lúcido para o futuro?

Lógico, Cássia. Então, a dica principal, lógico, né, é praticar conscientemente hábitos que treinem e favoreçam a lucidez, como por exemplo desenvolver e fortalecer e praticar constantemente pensamento crítico. Mas isso é um processo longo, ao longo da vida inteira a gente faz isso, né? Então, no dia a dia, algumas regras que a gente pode, né, aplicar para ajudar na higiene cognitiva é reduzir interrupções, né, criar espaços onde a gente não esteja o tempo todo conectado ou sendo interrompido, praticar monotarefa.

O multitask, né, ou multitarefa, é péssimo para o nosso cérebro, para nossa percepção de mundo, etc., né? É criar períodos de silêncio informacional, sentar o tempo todo constantemente vendo notícias, feeds, etc. Antes de acreditar em qualquer coisa, não é só antes de compartilhar, antes de acreditar perguntar: isso é verdadeiro? Exercitar memória ao invés de sempre consultar. Não sei quem tem esse hábito aí, às vezes é difícil, né?

Mas tenta lembrar, tenta você mesmo, né, praticar aquilo que— onde tá essa informação? É selecionar conscientemente a dieta informacional. O que que eu devo consumir? O que não? Sabe aquela frase: diga-me com quem andas que eu te direi quem és? Pois é, diga-me o seu feed que eu te direi quem és, né? Então praticar essa dieta, escolher o que o que consumir, proteger o sono. Sono é super importante para a gente pensar com lucidez, treinar atenção deliberadamente como meditação, mindfulness, criar espaço para pensar sem tecnologia, refletir por conta própria.

Então são práticas que ajudam nisso, né? Então quanto mais a tecnologia passa a pensar com a gente e pela gente, né, mais importante se torna desenvolver essas práticas para preservar a atenção. Pensamento crítico, autonomia intelectual e capacidade de julgamento.

?Voz A

O risco que se tem nesse processo é confundir essa busca por uma descompressão com a simples entrega do pensamento à inteligência artificial e acreditar que com isso eu estou relaxando. E de verdade, eu estou aí entregando esse pensamento a uma máquina, ou seja lá o que for que esteja diante de mim, né? Um cuidado que tem que ter.

MGMartha Gabriel

Muito bem colocado, Milton. É isso mesmo. Às vezes as pessoas acham que elas estão aliviando e elas estão prejudicando o pensamento. É isso mesmo.

?Voz A

Muito obrigado, Marta. Até mais.

MGMartha Gabriel

Bom dia. Bom dia.

?Voz A

Até mais. Aproveito para deixar o convite aqui, porque o novo episódio do Futuramente já está em podcast e fala dos dispositivos vestíveis, relógios, anéis, óculos, capazes de monitorar cada vez mais informações do nosso corpo. Convidado Carlos Pedrotti, gerente médico do Centro de Telemedicina do Einstein Hospital Israelita.

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