Episódios de Comentaristas

'The Economist' vê impasse político como obstáculo ao potencial do Brasil

26 de setembro de 20269min
0:00 / 9:14
O cientista político Uriã Fancelli analisa um artigo publicado pela revista britânica The Economist, que faz uma avaliação crítica do cenário eleitoral brasileiro. O comentarista também fala sobre a preocupação dos países europeus com uma possível escalada das ações russas.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio2
P

Petra

HostJornalista
U

Uriã Fancelli

ComentaristaAnalista de política internacional
Assuntos4
  • A avaliação crítica da revista The Economist sobre o cenário eleitoral brasileiroinvestidores estrangeiros acompanham eleições·potenciais brasileiros reconhecidos·impasse político como maior desafio·críticas à política econômica do governo Lula·críticas ao plano de Flávio Bolsonaro
  • A análise da The Economist sobre as soluções para o Brasil e as falhas apontadasRenan Santos e o tesouraço no Estado·crítica à solução da revista·necessidade de perspectiva doméstica·acertos no diagnóstico da revista
  • A escalada russa contra a Europa e a lógica de guerrarelatório sobre escalada russa·Europa opera na lógica de paz·campanhas coordenadas de sabotagem·recrutamento de jovens endividados
  • As táticas russas de negação e o impacto eleitoral na Europadificuldade de desmantelar ataques·disseminação de dúvida no continente·não acionamento do 5º artigo da OTAN·ataques contra países do sul da Europa
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

— Anúncios inseridos dinamicamente —

?Voz C

Hoje, com o nosso tempo mais reduzido, Uriam tá aqui com a gente para pelo menos trazer um pitaco aqui do que tá acontecendo pelo mundo. Uriam, boa tarde.

UFUriã Fancelli

Boa tarde, Petra. Boa tarde a todos. É um prazer estar aqui com vocês.

?Voz C

Uriam, hoje a gente destaca, é claro, do que tá sendo falado pelo mundo a respeito do que acontece no cenário da política no Brasil, né? E houve um olhar muito duro da revista Economist essa semana para eleição brasileira e para as opções que o país está colocando diante de si. Queria que você falasse um pouco a respeito disso, que sai na Economist, mas também repercute em outros órgãos de imprensa internacionais.

UFUriã Fancelli

Uriã, é isso, né, Petra? É importante a gente olhar para isso, até porque é para esse tipo de veículo internacional, The Economist, Financial Times, que aqueles investidores estrangeiros olham, né, que eles consideram antes de investirem seus dinheiros, de saberem o que que eles vão fazer. E tá todo mundo acompanhando de fato as eleições aqui no Brasil. E teve um artigo esse que você citou da The Economist que foi realmente bastante duro.

Não é que eles esculacham o Brasil, tá, a gente não pode olhar dessa maneira. Ele tenta olhar de uma maneira talvez um pouco mais distanciada, reconhecendo todos os potenciais brasileiros. Então ele fala, por exemplo, da riqueza, que o Brasil tem 60% de toda a Amazônia no seu território, olha para o fato de que o Brasil é também uma potência energética e que tem como principal fonte de energia a energia hidrelétrica. Então tudo isso são vantagens brasileiras.

Por outro lado, ele já começa a olhar para o nosso impasse político, para usar essa palavra, né, como talvez o maior desafio, a questão econômica. Porque de um lado você tem um governo que gasta demais. Então ele critica bastante a política econômica do governo Lula, dizendo que esse gasto no longo prazo vai se tornar insustentável, porque você pode eventualmente até ter que aumentar o juro se você não fizer nenhum corte, né, se o governo resolver não fazer nenhum corte.

Critica o plano também do próprio Flávio Bolsonaro, dizendo que a principal bandeira dele é a liberdade do próprio pai, e que nenhum dos dois projetos, tanto do Lula quanto do Flávio, ofereceriam no longo prazo aquilo tudo que é necessário para que o Brasil ele possa exercer aquilo que é retratado no texto como seu potencial máximo, né? E entre todas as candidaturas, mas reconhecendo também as falhas, o texto traz um olhar para a maneira como o Renan Santos, do Partido Missão, ele fala sobre promover aquilo que seria um tesouraço no Estado, cortando gastos principalmente.

Agora, para eu trazer também aqui um senso crítico, uma análise crítica pessoal em relação a tudo isso, eu vejo que apesar de sinalizar assim uma disposição importante que deveria de fato ser considerada em diminuir o tamanho do Estado, em priorizar realmente os recursos naqueles lugares onde realmente são necessários, não dá para vender uma candidatura de alguém que se coloca como antissistema, que usou toda a sabatina no Jornal Nacional praticamente para defender a ideia de que o Brasil deveria produzir uma bomba atômica, ou que aceita replicar aquele modelo de segurança de El Salvador como uma solução, ignorando também toda a questão de direitos humanos, de liberdades individuais.

Portanto, na minha própria análise, eu traria que a revista ela acerta no diagnóstico, talvez ela deixa a desejar um pouco na solução, e acertaria talvez um pouco mais se fizesse uma pinçada ali, né, um pouquinho de cada um, aquilo que cada um desses candidatos tem de melhor, porque queira ou não, seja da direita e da esquerda, Todos têm em algum aspecto algo bom que poderia ser ressaltado. Então talvez na questão de solução a revista ainda precise de uma perspectiva um pouco mais doméstica, que talvez a gente aqui de dentro consegue ter melhor do que alguém chegando de fora.

?Voz C

Isso causa também bastante crítica aqui em relação a esse olhar da revista.

UFUriã Fancelli

É isso, é isso.

?Voz C

Hoje o nosso quadro mais curto, a gente repercute portanto essa questão, mas eu volto com você em breve porque uma semana bastante intensa eleição aí na reta final. Claro que isso transborda para o nosso noticiário internacional e também o que acontece, o bicho tá pegando também na Europa. Você quer um minutinho só analisar para gente? Porque foi destaque essa semana também a questão de uma sociedade europeia se preparando para guerra, vários países voltados para isso, questão aí de uma instabilidade ainda maior em relação à Rússia. Rapidinho, você consegue comentar com a gente o que que saiu aí pelo mundo?

UFUriã Fancelli

Consigo. E inclusive a gente tem que falar mais sobre isso ao longo das últimas das próximas análises, porque saiu nessa semana o relatório mais completo já publicado sobre essa escalada russa contra a Europa. E ele muda o jeito de como a Europa deveria olhar para tudo isso daqui para frente, porque a Rússia já opera contra a Europa numa lógica de guerra, enquanto a Europa ela continua funcionando na lógica de paz. E aí existem diversos episódios soltos: drone, incêndio, sabotagem em ferrovia.

Todos começam a se encaixar como campanhas coordenadas. Teve um caso de um drone achado no aeroporto de Leipzig com explosivos, na Alemanha. Sabotagem de trilho na fronteira com a Polônia. Ataque de trem a 2 km da Polônia que aconteceu na Ucrânia, provavelmente tava tendo como alvo autoridades ocidentais que estavam cruzando a fronteira naquele momento. E tudo isso, Petri, olha que coisa, é organizado principalmente por pessoas que são recrutadas pela internet.

São jovens endividados, são pequenos criminosos, em alguns casos até mesmo refugiados, que são pagos uma quantia muito pequena, inclusive para poderem negar com maior facilidade tudo isso. Então o desafio é você, a inteligência europeia, conseguir desmantelar algo que é bastante diferente daquilo que era até então, aquela, aquelas, aquela espionagem tradicional russa, né? Hoje é quase como se eles fizessem anúncios, é quase como se você fizesse um pedido por aplicativo.

Então dessa maneira fica muito mais fácil para a Rússia conseguir negar. E é a partir dessa negação que ela tem ajudado a disseminar dúvida no continente europeu, porque a dúvida, se por um lado ela acaba não acionando diretamente o 5º artigo da carta da OTAN, que é aquele que diz que um ataque contra um tem que ser identificado como ataque contra todos, o que não, não gera uma resposta automática dessa mesma aliança. E por outro lado também, isso tem um aspecto bastante político, bastante eleitoral.

Saiu ontem um relatório da CIA dos Estados Unidos dizendo que a Rússia estaria preparando ataques também contra países do sul da Europa, no Mediterrâneo, onde ainda não era considerado. Então Itália, França, Espanha. E isso para mandar uma mensagem eleitoral, porque no ano que vem esses 3 países vão às urnas e isso minaria o apoio à Ucrânia, porque aqueles partidos que são mais críticos a isso podem perder um pouco de força, porque a população não vai querer ser arrastada para nenhum tipo de conflito mais direto.

?Voz C

É isso, Uriã, querido. A gente fica de olho. Situação tensa no Brasil, situação tensa pelo mundo, na Europa. A gente vai trazendo pra gente, pra você ouvinte do Revista CBN, todo esse panorama. Esse é o nosso quadro de política internacional. Curian Fancelli em trânsito, mas ainda assim trazendo pra gente aqui o que é destaque na política internacional. Beijo pra você, Uriah, até semana que vem.

— Anúncios inseridos dinamicamente —