De que maneira 'emparelhar' e 'conectar' se relacionam?
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Carlos Eduardo Éboli
Carol
Professor Pasquale
- A relação entre 'emparelhar' e 'conectar' dispositivos eletrônicosdúvida do ouvinte Thales Emanuel Dias·significado da palavra 'par'·origem de 'emparelhar' e 'parelha'
- A palavra 'par' e suas diversas aplicações na língua portuguesaideia de dupla e sintonia·exemplos de uso em dança·relação com a palavra 'pareja' em espanhol
- A expressão latina 'pari passu' e seu significado de passos iguaisuso no noticiário e na fala·grafia correta da expressão·acompanhamento no mesmo ritmo
- Análise da canção 'Sem Açúcar' de Chico Buarque e Maria Bethâniacontexto da composição em 1975·show com Maria Bethânia no Canecão·significado de 'dia par' na letra
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A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.
Oi, Professor Pasquale, boa tarde!
Oi, Tatiana! Oi, Fernando! Olá, ouvintes! Sou eu mesmo, às 15 horas e 14 minutos.
E muito obrigada por isso, viu, professor? A gente, Janaína tá aqui fazendo um Tetris hoje, você nem imagina, mas vai dar tudo certo. Obrigada pela gentileza.
Que é isso, é um prazer.
Tá ali, Emanuel Dias conta que tava num carro de aplicativo, aí viu o monitor do veículo, professor, assim escrito lá: emparelhar outro dispositivo. E aí pensou no professor Pasquale imediatamente. O que estávamos fazendo, diz ele, era tocar música no carro dele. E aí ele acha que a palavra conexão, no sentido de conectar o aparelho celular no carro, faria mais sentido do que emparelhar. Soa como aparelho. Ele achou curioso. E como você é bom na língua portuguesa, agora ele tava voltando da balada, o email dele é meio doido assim, então Terminando esse email dele, é muito engraçado, ele conta uma história mirabolante.
Mas e aí, eu emparelho, emparelho, emparelho, emparelho, emparelho, emparelho, eu conecto.
Não, tudo bem, isso mesmo, eu emparelho, estranho. Mas ele fala em conexão, né, que seria a ideia dele, né. E eu agora no almoço comentando com as pessoas, o pessoal me perguntou qual é o assunto hoje, né? E eu falei, é um rapaz que pergunta isso e aquilo. Ah, mas eu uso pariar.
Pariar, é verdade.
Então o negócio é o seguinte, nós temos em português a palavra par, que é uma palavra muito, muito maior do que a gente pensa, embora ela seja minúscula, né? Ela tem 3 letrinhas, par. Impar, ela forma uma família bem grande. Por exemplo, a palavra comparar. Quem é que vai pensar que essa palavra tenha a mesma raiz, né, comparar, de par, né, o par ou ímpar, né? E por aí vai. A palavra par dá ideia de coisa que está em dupla, não é?
São duas entidades, né, como diz o Wise aqui, que têm natureza igual, que têm a mesma natureza, que têm algo em comum, né? E por aí vai. E daí o fulano fala que você é meu par, na dança, né? Por que que você é meu par na dança? Porque logo eu falando isso, né? Eu que não sei dançar. Mas duas pessoas que dancem, né, sem que uma pise nos pés da outra, que seria o meu caso, elas formam um par porque estão ali na mesma, exercendo o mesmo papel.
São dois exercendo um papel semelhante, né? E por aí vai, quer dizer, a palavra par tá sempre ligada a essa ideia de duas pessoas, duas coisas que estão em sintonia. Por isso a gente vai dizer que pode parear os aparelhos e pode emparelhar, porque a palavra emparelhar vem de parelha, que vem de par, é a mesma coisa. Não é por acaso que em espanhol existe a palavra pareja. O que é o na pareja em espanhol? É um casal, né? É uma dupla, né?
O na pareja. E por aí vai. Eu vou até citar mais alguns exemplos, mas eu quero já passar para os auxílios, né? Porque eu tô doidinho aqui para tocar uma canção composta por Chico Buarque. Ontem teve Gilberto Gil, que é um chato. Antes de ontem, Caetano Veloso, que é outro chato. E hoje outro chato. Chico Buarque de Holanda. O Brasil é chato, tá vendo? Olha, atenção, atenção, contém ironia, contém ironia. 3 gênios brasileiros. Então Chico Buarque compôs uma obra-prima antológica.
Estamos no ano de 75, a música se chama Sem Açúcar, porque ele tinha composto antes Com Açúcar, Com Afeto, né? Vocês se lembram dessa música? Sim, e com Açúcar com Afeto, Fiz Seu Doce Predileto e tal. Depois ele compõe, alguns anos depois, Sem Açúcar. Ele faz um show com Maria Bethânia que ficou em cartaz durante muito tempo no Canecão, no Rio de Janeiro. Isso virou um disco, Chico Buarque e Maria Bethânia ao Vivo, 75. Essa canção quem canta é a Bethânia sozinha, Sem Açúcar. Prestem atenção na letra. Vamos lá.
Todo dia ele faz diferente, não sei se ele volta da rua, não sei se me traz um presente, não sei se ele fica na sua, talvez ele chegue sentido Quem sabe me cobre de beijos ou nem me desmancha o vestido ou nem me adivinha os desejos. Dia em partei, chocolate de a par, eu vivo depressa. Dia útil ele me bate, dia santo ele me alisa. Longe dele eu tremo de amor, na presença dele me calo. Eu de dia sou sua flor, eu de noite sou seu cavalo.
Professor, tem um par, par, dia par.
Dia par, né? Qual é o contrário de dia par? É dia ímpar, não par, né? Ímpar, não par, né? O dia par tem a ver com essa ideia do que é formado por 2, né? No caso, dia par é múltiplo de 2, né? É 2, 4, 6, 8 e tal. E eu vou passar agora para um outro auxílio monumental, uma composição de Léo Masliá, gravada por Milton Nascimento no disco Nascimento, de 1997, que conta com o piano maravilhoso do uruguaio Hugo Fattoruso, gênio da música da América do Sul.
Guardanapos de papel. Prestem atenção na letra, há uma passagem que nos diz respeito. Vamos lá.
Na minha cidade tem poetas, poetas que chegam sem tambores nem trombetas, trombetas, e sempre aparecem quando menos Guardados, guardados, guardados entre livros e sapatos, em baús empoeirados. Saem de recônditos lugares nos ares, nos ares onde vivem seus pares, seus pares, seus pares, e convivem com fantasmas multicores, de cores, de cores, que te pintam as olheiras e te pedem que não chores. Suas ilusões são repartidas seus pares, professor?
É, quando eu crescer eu vou querer saber cantar como Mônica Salmazo e Milton Nascimento, né? Tá bom assim? Vocês querem mais ou não?
Eu acho necessário.
É, meu Deus do céu, que coisa de doido! Então diz a letra aqui: saem, minha terra, minha cidade tem poetas, né? Bonito demais, que chegam sem nem trombetas, saem de recônditos lugares nos ares, nos ares onde vivem com seus pares, seus pares, e convivem com fantasmas. Quem são seus pares? Quem são os nossos pares, querido Fernando, querida Tatiana? Quem são? São as pessoas iguais a nós, né, que formam par com a gente. Parceiro, minha turma, é parça, minha turma. Então esse é outro sentido que a gente tem. Desculpa, vocês estão falando?
Não, não, a gente tá aqui. Eu não tenho parça. Eu falei, eu também não.
Deus me livre.
Parça é coisa de bozento. Não, não e não, né? Deus me livre. Então tá aqui o Wise. Hoje eu poupei o Fernando indivíduo igual ao outro em condição social, profissional, etc., convidou os seus pares de diretoria para um jantar. Então, os pares são as pessoas que têm o mesmo, o mesmo interesse, o mesmo foco, estão na mesma posição, na mesma situação, são iguais, e por aí vai, como nessa letra magnífica do nosso Léo Masliá, né, que o Milton Nascimento canta tão lindamente.
Esse disco é tão bonito, disco Nascimento. Agora, existe uma expressão, Tati e Fernando, que a gente ouve às vezes no noticiário, ouve na fala de alguém, a expressão pari passu. Já ouviram, né? Sim, acompanha, fulano acompanha pari passu, tarará tarará, né? Como essa expressão talvez seja mais dita do que escrita, muita gente acaba achando que é par e passo, né? Fulano acompanha par e passo. Não, é uma expressão latina conservada na sua forma original, são duas palavras.
A primeira palavra é pari, P-A-R-I, e a segunda é passu, P-A-S-S-U. Pari passu. Fulano acompanha pari passu, ou seja, em passos iguais, né? Pari passu. Tá andando lá o negócio, eu tô acompanhando pari passu porque eu tô no mesmo passo, né? Num passo igual, num passo semelhante. Por isso a expressão é expressão latina conservada na sua forma original: pari, P-A-R-I, passu, P-A-S-S-U. Isso já foi escrito em outros tempos com hífen, mas não é mais, não se escreve com hífen, são duas palavras.
Então é isso, meu querido ouvinte lá de Poços de Caldas, Thales. Que mexe com educação, porque ele tem lá um— eu não lembro mais como é que eu achei a indicação de que ele trabalha com educação. E ele sempre põe nas mensagens dele: educação transforma pessoas. Aliás, ele disse, Fernando, leia o final do email dele, que eu tenho, eu tenho, sou envergonhado. Leia para mim, por favor.
Quando ele disse: amo, amo vocês, sou aquela pessoa que aqui na mesa do bar mostra para todos que o podcast A Nossa Língua de Todo Dia da CBN responde às minhas perguntas. Fico muito feliz.
Aliás, professor, vou aproveitar essa, essa deixa para te contar que o senhor tem um ouvinte de 10 anos chamado Caio Pesse que ouve A Nossa Língua de Todo Dia na volta da escola quando a avó Vai buscá-lo.
E Ave Maria, que lindinho! Caio, que é nome de um dos meus filhos, é Pesci. Será que é com P-E esta CCI, que é como sobrenome do Toquinho?
Aí já não sei, professor.
Aí isso eu já me complico um pouco.
Mas enfim, ele é um toquinho, como diz aqui o Daniel. O menino Caio tem 10 anos, ouve a CBN no carro com a avó e adora a nossa língua de todo dia. Pronto, recado dado.
Um beijinho para vovó e um beijinho para o Caio. Muito obrigado, muito obrigado. É isso.
Beijo, professor. Muito obrigada e até segunda. Bom fim de semana.
Até segunda. Bom fim de semana para todos nós. Beijo, um grande beijo para vocês, meus amores.
Beijo.
Feridas, feridas, mas resistem com palavras confundidas, fundidas, fundidas ao seu triste passo lento pelas ruas e avenidas.
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