Episódios de Comentaristas

Guerra às Drogas’ retorna sob novo nome e reacende debate sobre soberania

24 de setembro de 20265min
0:00 / 5:45
Maierovitch critica o ‘Escudo das Américas’ de Trump e compara a iniciativa à estratégia antidrogas adotada pelos Estados Unidos na América Latina nas últimas décadas.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio1
W

Walter Fanganiello Mairovici

Comentarista
Assuntos5
  • A repaginada 'Guerra às Drogas' de Trump como 'Escudo das Américas'comparação com a War on Drugs de Nixon·adesão de 15 países latino-americanos·combate ao narcoterrorismo
  • A geoestratégia por trás da 'Guerra às Drogas' e o 'Escudo das Américas'reprimir drogas ofertadas pelo crime organizado·Trump considera cartéis e máfias terroristas·combater expansão da esquerda comunista·apropriação de territórios e terras raras
  • A hipocrisia dos EUA na guerra às drogas e a legalização da cannabisfacções criminosas brasileiras como terroristas·faturamento dos EUA com legalização da cannabis·Brasil não aderiu ao 'Escudo das Américas'
  • Implantação de bases militares e violação da soberania dos estadosbases militares estratégicas em Iquitos, Curaçao e Aruba·pretexto de combater o tráfico fora dos EUA·mecanismos de controle e espionagem
  • A atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro na onda do 'Escudo das Américas'campanha em nome da segurança pública·nova pretensão de Bush em terras raras·exportação de insumos químicos
Transcrição16 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

— Anúncios inseridos dinamicamente —

?Voz C

Conversa de Primeira, Justiça e Cidadania, com Walter Fanganiello Mairovici. Muito bom dia, Walter Fanganiello Mairovici.

?Voz 1

Bom dia, Milton. Bom dia, ouvintes, e boa jornada, Cássia.

?Voz E

Muito obrigada, Mairovic.

?Voz 1

Bom dia, ô Milton. Presidente Trump está pronto, prontíssimo para exibir um filme que o mundo todo já assistiu. Nós já vimos muitas vezes. O nome do filme é chamado Escudo das Américas. Na verdade, Milton, o Trump apresenta uma repaginada War on Drugs. Guerra às Drogas, que nasceu lá atrás, bem lá atrás, no governo Nixon. O Escudo das Drogas, que já tem adesão de 15 países latino-americanos, diz que irá combater o narcoterrorismo.

Atenção, a velha geoestratégia da War on Drugs. Guerra às Drogas dizia reprimir as drogas ofertadas pelo crime organizado, Ou seja, pelos cartéis colombianos da época. Numa junção, Trump considera cartéis e máfias como organizações terroristas, ofertantes de drogas. Tudo igualzinho a antes. Como todos vocês estão carecas de saber, o Reagan, que adotou isso, usou a guerra às drogas para combater a expansão da esquerda comunista na América Latina.

O Trump quer fazer o mesmo: derrubar o pensamento de esquerda, pensamento movimento progressista e se apropriar de territórios, atenção, e de terras raras. Terras raras, não vamos esquecer. Com a Guerra às Drogas foram implantadas bases militares estratégicas em Iquitos, Curaçao e Aruba, tudo a pretexto, atenção, a pretexto de se combater o tráfico de drogas fora dos Estados Unidos. No Escudo das Américas serão bases militares.

A semelhança das duas, das duas que o Trump irá implantar na Groenlândia, como anunciou. Com esse pretexto, a guerra às drogas violava a soberania dos estados e mantinha mecanismos de controle e espionagem.

?Voz E

E nesse contexto, voltamos àquela decisão dos Estados Unidos de considerar facções criminosas brasileiras organizações terroristas.

?Voz 1

Sim, Cássia, sim. Veja, Cássia, o Trump e os 15 países americanos assim consideram. Agora vamos ver, o Zé da boca do fumo de Madureira, ele virou terrorista, Cássia? Mas tem um detalhe, o Zé da boca de fumo de Madureira e o João da boca de fumo de Oswaldo Cruz e Cascadura, eles nem sabem que com a retirada da maconha da guerra às drogas. Os Estados Unidos, e com a legalização da cannabis em alguns estados, eles faturaram, atenção, 139 milhões de dólares só em 2025.

Num pano rápido, Milton e Cássia, o Brasil não entrou nessa. Mas Flávio Bolsonaro já está nessa onda, já está em campanha com isso, em nome da segurança pública, que não tem nada a ver, junto com o irmão Eduardo o Bananinha, que poderá ser ministro das Relações Exteriores. Eles estão na onda da nova pretensão de Bush em cima de terras raras. É isso.

?Voz C

Apenas com tempo aqui para a gente fechar essa nossa conversa: essa preocupação externa do Trump está em sintonia com a atuação do governo dele internamente no combate às drogas e à violência?

?Voz 1

Sim, eles pretendem fazer isso.

?Voz C

Tá bom. E aí vamos aguardar qual é a atuação. Agora, o que nós temos, e isso você tem sempre chamado atenção da gente, Walter Fanganiello Mairovic, o que nós temos é que internamente continua-se, por exemplo, produzindo e se vendendo armas.

?Voz 1

Sim, e também, também se exportando químicos, insumos químicos. E sem insumos químicos não se tem o cloridrato de cocaína. O pó da cocaína.

?Voz C

Muito obrigado, Walter Fanganello Mairovic. Um bom dia para você, até mais.

?Voz 1

Bom dia, tchau, tchau, Cássio.