Episódios de Comentaristas

COP 31 discutirá sobre papel da IA no consumo de recursos naturais

24 de setembro de 20264min
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Rosana Jatobá comenta sobre a COP 31, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas de 2026, que ocorrerá em novembro na Turquia. Com a inteligência artificial como tema principal, a agenda discutirá não apenas o seu papel como ferramenta no combate às mudanças climáticas, mas também como o seu uso aumenta o consumo de recursos naturais do planeta. Ouça para saber mais!

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
R

Rosana Jatobá

ComentaristaJornalista
Assuntos4
  • A COP31 e o papel da inteligência artificial na agenda climáticaIA como ferramenta contra mudanças climáticas·IA como consumidora de recursos naturais·risco da IA para a transição energética
  • O consumo de energia e recursos naturais pela inteligência artificialIA como bicho-papão de recursos·consumo de eletricidade, água e minérios·oferta de energia renovável insuficiente·recorrência a combustíveis fósseis
  • Propostas para alinhar a expansão da IA às metas climáticas na COP31compromisso voluntário dos países·cobrança às big techs por energia limpa·projetos piloto de energia limpa
  • O desafio dos países anfitriões da COP31 na transição energéticaTurquia e Austrália dividindo a liderança·alta dependência de carvão e gás·necessidade de dar o exemplo
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CACarlos Alberto Sardenberg

CBN Sustentabilidade com Rosana Jatobá.

RJRosana Jatobá

Rosana, oi, Sardenberg! Boa tarde para você, para cá, para os nossos ouvintes.

CACarlos Alberto Sardenberg

Boa tarde, Rosana.

CACarlos Alberto Sardenberg

Bom, nós temos novembro deste ano a ser realizada na Turquia a COP31, a Conferência Mundial do Clima 31, edição 31, e o tema é inteligência artificial.

RJRosana Jatobá

Rosana, essa é a novidade, viu, Sardenberg? Inteligência artificial no centro da agenda climática. E é um debate interessante porque revela o outro lado da moeda. Até pouco tempo, a inteligência artificial aparecia como uma ferramenta para a gente enfrentar as mudanças climáticas, né? Porque consegue prever eventos extremos, melhorar as redes elétricas, aumentar a eficiência energética. Inclusive, o que se discute nesse momento na Semana do Clima lá em Nova York é justamente a importância de os governos usarem a inteligência artificial para conseguir antecipar bastante os eventos extremos e assim conseguir salvar as vidas.

Só que esse debate, ele vai além na COP31. A inteligência artificial também começa a ser tratada como uma espécie de bicho-papão de recursos naturais, um consumidor gigantesco de eletricidade, de água e de minérios. E se esse bicho não for domado a tempo, ele vai dificultar a transição energética. Qual é o grande risco apontado pelos especialistas? Que a oferta de energia renovável que a gente tem hoje no mundo não dê conta, não cresça na mesma velocidade dos data centers.

A estimativa é que a inteligência artificial vai sugar anualmente o equivalente à energia de 500 milhões de residências. É muita coisa. E aí não vai ter outro jeito, os países vão ter que recorrer aos combustíveis fósseis, como carvão e gás, para alimentar os servidores. No curto prazo, isso pode encarecer o preço da eletricidade para as famílias e as empresas. Esse foi o alerta da ONU essa semana na Assembleia Geral. E no médio prazo, a gente vê que representa mais lenha na fogueira do aquecimento global.

Então a gente dá até para lembrar daquele filme, né, o Frankenstein. Você cria uma tecnologia para ajudar a resolver um grande problema, mas acaba criando um outro ainda maior. Nesse caso aqui, um passivo ambiental enorme provocado pelo avanço da inteligência artificial.

CACarlos Alberto Sardenberg

Ô Rosane, a presidência da COP31 já tem alguma ideia de como solucionar esse paradoxo garantir que a inteligência artificial não dificulte a transição energética?

RJRosana Jatobá

Olha, Cássia, a ideia da presidência da COP31 é lançar um compromisso voluntário para os países alinharem a expansão da inteligência artificial às suas metas climáticas. E o mais interessante, colocar boa parte dessa conta no colo das grandes empresas de tecnologia, uma cobrança direta às big techs para que elas se virem para abastecer os data centers com energia limpa. Inclusive, os negociadores vão apresentar projetos piloto para mostrar como isso vai funcionar na prática.

Agora, os anfitriões da conferência, eles precisam antes de tudo fazer o dever de casa, que Turquia e Austrália estão dividindo a liderança da COP31 esse ano. Na Turquia, quase 40% da eletricidade vem do carvão, e na Austrália, mais de 60% da eletricidade vem de carvão e gás. Então precisa dar o exemplo, senão a gente cai naquele velho ditado, né? Casa de ferreiro, espeto de pau. Vamos ver como é que eles vão se sair aí.

CACarlos Alberto Sardenberg

É, mas já teve COP em país petrolífero, né?

RJRosana Jatobá

É o que mais tem, na verdade, ultimamente, né, Sardenberg? Países consumidores e produtores de combustíveis fósseis.

CACarlos Alberto Sardenberg

Tá certo. Rosana Jatobá, obrigado, Rosana.

RJRosana Jatobá

Até, um beijo para vocês dois. Até domingo.

CACarlos Alberto Sardenberg

Até domingo.