Como evitar decisões erradas na liderança?
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- O impacto do momento do dia na qualidade das decisõesdisposição e descanso·pensamento rápido vs. lento·fadiga decisória
- A importância da experiência e dados para decisões de liderançarepertório de experiência·dados disponíveis·clareza sobre riscos
- Estratégias para evitar decisões equivocadas na liderançaeleger primeiras horas do dia·reduzir decisões triviais·evitar reuniões com muitas decisões·buscar períodos de recuperação
- Estudo com juízes israelenses sobre fadiga decisóriadecisões sobre liberdade condicional·impacto do intervalo para comer·índice de pareceres favoráveis
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CBN Comunicação e Liderança com Leny Quirilhos. Agora sim, Leny! Olá, Sardenberg, boa tarde, boa tarde, Cássia, boa tarde para todos. Boa tarde, Leny.
Questão dos ouvintes é o Renato de São Paulo. Tô vendo aqui a pergunta dele, mas achei bom, humilde, hein?
Cássia achou que é um líder humilde, né, Cássia?
Então ele disse que é líder de uma equipe e percebe que ele tá fazendo besteira, pois é, na expressão dele, tomando algumas decisões equivocadas. E aí, como evitar?
Gente, vejam, líderes de uma forma geral tomam decisões o tempo todo, né? Eles têm que fazer escolhas, eles têm que decidir coisas. De uma forma muito presente, muito constante. E quando a gente olha para isso, o que é legal a gente saber? Existem duas questões principais que lidam com essa história da decisão. A primeira é o repertório que a pessoa tem de experiência, que é algo que ajuda muito. Junto com a questão do repertório vem a história de você ter dados disponíveis, de você ter uma clareza em relação a eventuais riscos.
E tem um segundo ponto que hoje a ciência nos mostra de forma muito clara. E antes de eu contar, deixa eu só saber uma coisa. Vocês costumam tomar grandes decisões assim no dia a dia? Eventualmente sim. É assim, né? Bastante. Não é sempre que tem que tomar uma grande, mas até decisões do tipo agora no programa, quem fala antes, quem fala depois, são coisas que não é exato, que acabam atingindo bastante. E eu preciso contar uma coisa para vocês, gente.
Além dessa questão conhecida, do repertório dos dados, dados riscos, existe o impacto da hora do dia ou do momento do dia onde você está tomando a decisão. Vejam que interessante: quanto mais você se sente disposto e descansado, melhor você consegue entregar. Porque a decisão, ela pode partir de duas áreas do nosso cérebro. Uma parte do nosso cérebro que é mais primitiva, onde conta pensar rápido, pensar de maneira automática, movido por atalhos.
E tem uma outra parte que tem o pensamento mais lento, deliberado, que considera alternativas, pesa alternativas. É claro que do ponto de vista do sucesso da nossa decisão, da nossa boa escolha, essa segunda área do cérebro aqui, que por acaso é o neocórtex, é muito mais eficaz. Ela é muito melhor. A gente tende a tomar decisões mais acertadas, porém é uma área que gasta muita energia cognitiva, que ocupa muito tempo. E aí, pesquisando sobre isso, eu cheguei num conceito que me chamou muito atenção, que é a fadiga decisória.
É um termo que é proposto pelo Ricardo Ramos. Ricardo Ramos é autor de um livro que se chama Presença Sob Pressão. E ele ensina pra gente o seguinte: que dependendo do momento do dia onde você vai tomar a decisão, isso vai impactar por conta da diminuição da glicose no nosso cérebro, por conta da diminuição da motivação, de um déficit de atenção que a gente acaba adquirindo por conta do cansaço. E eu adorei um estudo que ele conta pra falar sobre isso, um estudo que foi feito com juízes em 2011 por pesquisadores israelenses, é Danziger e colaboradores.
Escutem só, eles analisaram decisões jurídicas para entender se elas dependiam apenas da lei e dos fatos, e eles concluíram que não. Então veja, eles acompanharam mil decisões sobre liberdade condicional para alguns presos que foram tomadas por 8 juízes experientes em Israel ao longo de 50 dias distribuídos por 10 meses. E olha só que dado impactante, gente: logo depois de um intervalo para comer, cerca de 65% dos pedidos foram analisados de forma positiva, com parecer favorável.
E à medida que isso ia se afastando daquele período de descanso, esse índice caía para quase 0%. Olha que interessante! Então, quando o juiz estava mais descansado, mais disposto, melhor alimentado, a tendência era por pareceres mais favoráveis. À medida que isso ia se afastando desse estado, a tendência era diminuir. Claro que quando a gente considera o Renato aí, o nosso líder, junto aos executivos, o que que acontece? Às vezes as pessoas preferem manter um padrão ao invés de mudar, tipo voo no piloto automático, né?
Adiam a decisão, aceitam uma opção regular no lugar de buscar a melhor opção, e por aí vai. Então qual é a proposta considerando isso? Primeiro, assim, eleger as primeiras horas do dia para fazer as melhores escolhas e as melhores decisões. Se se trata de algo relevante, faça isso enquanto você tá muito descansado. Reduza o número de decisões triviais. Aonde a gente vai almoçar hoje? Que comida eu vou pedir? Procura terceirizar isso, fazer com que seja resolvido de uma forma mais fácil.
Evitar reuniões que concentram muitas decisões, eventualmente até inverter a ordem dessas prioridades num dia normal de trabalho. Isso vai ajudar muito. E eu acrescento a ideia da gente buscar períodos de recuperação. Então, quando você sente que você tá no momento mais assoberbado, muitas coisas na cabeça, cansado, dá um tempinho de 5 minutos, se levante, vai tomar uma água, vai tomar um café, volta, para, e aí procura retomar a ideia para tomar aquela decisão da melhor forma. Gostei, vou adotar, tá vendo?
Leny, obrigado, Leny!
Obrigada, muito obrigada! Um ótimo restinho de semana aí para vocês, para todos, minha gente. Tchau!