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Terceira fase da Operação Carbono Oculto: 'É uma operação blindada de qualquer manifestação política'

24 de setembro de 202619min
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Considerada a maior operação do país contra o crime organizado, a Operação Carbono Oculto ganhou um novo desdobramento, na terceira fase chamada Operação Crédito Oculto. Maria Cristina Fernandes contextualiza o histórico da operação desde a sua primeira fase e explica a relação das investigações com o financiamento do filme 'Dark Horse', sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ouça e entenda.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Eduardo Éboli

HostJornalista
C

Carol

Co-hostApresentadora
M

Maria Cristina Fernandes

ComentaristaEspecialista
Assuntos6
  • A Operação Carbono Oculto e suas fases contra o crime organizadoprimeira fase: crime financeiro em atividades formais·segunda fase: fintechs e lavagem de dinheiro·terceira fase: Crédito Oculto e estruturas financeiras·operação blindada de manipulação política
  • Estruturas de lavagem de dinheiro e ocultação de ativosaportes de capital de alto risco·lançamento de títulos lastreados em ativos duvidosos·benefício mútuo entre mercado legal e crime organizado·Banco Master e a Reag
  • Conexão entre o Banco Master, Flávio Bolsonaro e o crime organizadodinheiro pedido por Flávio Bolsonaro ao Daniel Caro·operação feita por operador da Entre Investimentos·envolvimento de Beto Louco e Primo·Flávio Bolsonaro ajuda o crime organizado
  • O papel do 'Mineiro' e a suspeita de lavagem de dinheiroAntônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entri·delação sobre envio de dinheiro para fundo nos EUA·ganhos na loteria como justificativa·suspeita de lavagem de dinheiro para o filme
  • A declaração do ministro da Fazenda sobre a movimentação ilegal de R$11 bilhõesrecurso que dá liquidez vem da mesma entidade·dificuldade em identificar a origem do dinheiro·caixa único do crime organizado·ministro se dispõe a comprar ativo sem lastro
  • A viagem de Flávio Bolsonaro em jatinho e a ligação com o Banco Masterjatinho do ex-dono do Banco Master·Flávio Bolsonaro confirmou a viagem·avião sempre foi do Daniel Vorkar·envolvimento com Master e crime organizado
Transcrição23 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CECarlos Eduardo Éboli

Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.

CCarol

Oi, Maria Cristina, boa tarde.

MCMaria Cristina Fernandes

Boa tarde, Tati, Fernando. Boa tarde, ouvintes.

CCarol

Bom, terceira fase da Operação Carbono Oculto mirando um ex-diretor do Banco Genial e um executivo ligado ao Banco Master. Essa fase da operação foi batizada de Crédito Oculto, cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas físicas, 19 empresas em 7 estados. E a ideia é tentar esclarecer o uso de estruturas financeiras na aquisição de uma distribuidora conhecida como Terrana, que é uma das maiores do país, distribuidora de combustíveis.

Maria Cristina, como é que a gente pode contextualizar a operação de hoje com o que a gente já vem acompanhando de investigação envolvendo Banco Master, autoridades, conexões pouco republicanas.

MCMaria Cristina Fernandes

Bem, Tati, talvez para isso a gente precise voltar um pouco atrás e entender as outras fases dessa operação. Essa Carbono Oculto, na verdade, ela começou, foi iniciada há pouco mais de um ano, em agosto do ano passado. A primeira fase visou a mostrar como O crime financeiro operava por meio de atividades da economia formal, tais como postos de gasolina, hotéis, pensões, e por meio dessas atividades do mercado legal, o postos de combustíveis e distribuidoras.

O crime organizado lavava dinheiro. Foi quando mostrou a rede de postos de gasolina que o crime organizado tem no país e o prejuízo que isso trazia à Receita e à Fazenda paulista. Uma operação que desde o seu início é uma operação conduzida pela Polícia Federal, pela Polícia Civil de São Paulo, pela Receita Federal, pelo GAECO, né, que é o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo.

Então é uma operação que é blindada de qualquer manipulação política porque envolve instituições de dois governos de orientações políticas e integrantes, inclusive na disputa presidencial, de grupos que são adversários. Mas o fato é que esta primeira etapa teve este foco. A segunda etapa mostrou como essas operações, elas operavam por meio de fintechs, que são instituições bancárias surgidas com este novo mercado para aumentar a bancarização, para diminuir a concentração do mercado financeiro.

Mercado financeiro brasileiro é muito sólido, mas é conhecido por ser um mercado de grandes e poucos bancos. Essas fintechs foram, só que essas fintechs, elas foram, quando elas foram liberadas, elas foram liberadas em excesso. O que essa segunda operação mostrou é que essa liberalização em excesso facilitou a que o crime organizado se valesse dos fundos operados por essas fintechs para lavar dinheiro. Foi quando apareceu a famosa Reag, que é uma parceira do Banco Master.

Lá na Reag estão muitos fundos que operam com o mercado legal e com, foi o que esta operação mostrou, mostrou o mercado do crime organizado. O que é que esta terceira fase está mostrando? Uma coisa bastante importante, tendo em vista o momento em que nós nos encontramos. Conversei com a superintendente da Receita Federal aqui em São Paulo, a Márcia Mengue, e ela me explicou o seguinte: O que esta Operação Carbono Oculto tem mostrado, e esta terceira fase avançou nesse sentido, é que estruturas usadas para lavagem de dinheiro e a ocultação de ativos têm se valido de aportes de capital cujo risco só o crime organizado se dispõe a viabilizar.

O que que ela quer dizer com isso? Que toda essa operação que foi explicitada nessa terceira fase de hoje, ela se vale, para ela se viabilizar, ela envolve o lançamento de títulos lastreados em ativos que só o crime organizado consegue confiar e comprar esses, esses papéis, porque está lastreado em ativos duvidosos. Com isso, quem faz a operação se beneficia, porque ali diz que há um ativo que vale R$5 milhões, quando na verdade vale R$5.

E o crime organizado também, ao comprar esta cota do fundo, lava o seu dinheiro. Então são operações que se beneficiam mutuamente, as operações do mercado legal, mas que agem ilicitamente, e o crime organizado, certo? Ao envolver o Banco Master, porque aí entre os atores desta operação desvendada hoje está o personagem que enviou o dinheiro pedido pelo candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro. O dinheiro que o Flávio Bolsonaro pediu ao Daniel Caro, ex-banqueiro do Master, e foi enviado pelos Estados Unidos Ele, esta operação foi feita por um operador do mercado de uma empresa chamada Entre Investimentos, que é um dos parceiros na montagem desta estrutura.

É uma estrutura montada pela Entre, pela Genial, pelo Banco Genial, e por dois personagens que viraram figurinha carimbada desde a primeira fase da operação. Que são o Beto Louco e o Primo. Os nomes deles não são esses, mas a gente pega já aqui. Mas é uma dupla que opera no mercado de combustíveis há muitos anos e que esses três, essas três pilastras ajudaram, se juntaram para montar essa estrutura.

CCarol

Temos os nomes. O Beto Louco é o empresário Roberto Augusto Leme da Silva. E o primo, Fê, pera aí, vamos achar o primo. Tem uma outra figura que é importante também, que é o mineiro, não? O primo é o Mohamed Hossein Mourad.

MCMaria Cristina Fernandes

Sim, e tem o Beto Louco.

CCarol

E tem o mineiro que era o empresário, que é o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entri.

MCMaria Cristina Fernandes

É o Antônio Carlos Freixo Júnior, que inclusive fechou delação com a Procuradoria-Geral da República, justamente para uma delação em que ele mostra como ele enviou esse dinheiro para o fundo nos Estados Unidos, que é um fundo vinculado ao deputado, ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Este é conhecido como Mineiro, que é o dono da Entre Investimentos.

CCarol

Inclusive, parte dessas remessas foi feita, coincide, né, a época em que Eduardo Bolsonaro fica nos Estados Unidos e não volta mais, né. A segunda e a terceira parcela coincidem com a permanência, a decisão dele de permanecer lá nesse mesmo momento em que essas remessas estavam sendo mandadas para esse fundo administrado lá.

MCMaria Cristina Fernandes

Exatamente. Então se juntaram para esta operação este ex-executivo do Banco Genial, Humberto Tupinambá, o Antônio Carlos Freixo Júnior, que é o mineiro dono da Entre Investimentos, e a dupla do Beto Louco e do Primo, que esta dupla de de que opera neste mercado de combustíveis, que lava o dinheiro do crime organizado. Então, ao pedir dinheiro, o que esta terceira fase mostra é que ao pedir dinheiro para o Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro ajuda o crime organizado.

E aliás, a gente pode dizer que ajuda duplamente, Tati Fernando, porque ao defender a designação de terrorista para o PCC, o Flávio Bolsonaro apoia a transferência do seu combate, transferência dessas organizações que hoje conduzem essas investigações da operação de hoje, que são, eu vou repetir aqui, Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo, Polícia Civil. Transfere dessas instituições para as Forças Armadas.

As Forças Armadas que combatem o terrorismo, né? Então, esta arquitetura financeira que tá descrita nesta operação, arquitetura que mescla o crime organizado com atividades ilícitas da economia formal, agradece este carimbo de terrorista. Então é isso que tá em curso. A operação foi iniciada hoje. Essas operações, esses mandados de busca e apreensão recolheram material nessas 13 pessoas físicas, 19 pessoas jurídicas nesses 7 estados. E agora prosseguirão as investigações para as próximas fases.

CCarol

Lembrando que o mineiro é apontado como operador do ex-banqueiro Daniel Vorkar, era descrito como pioneiro nas Bahamas e talvez seja o nosso novo João Alves, né, Maria Cristina? Porque acusado de usar a empresa para lavar dinheiro para máfia dos combustíveis, ele disse que ganhou muitas vezes na loteria. Ganhou 570 vezes na loteria entre 1º de janeiro de 2020 e 30 de junho de 2025. Totalizando mais de R$176 milhões em premiações.

Enfim, eu não sei quantos anos tem o mineiro, mas enfim, recordar, porque, porque que ele precisa dizer que ganhou na loteria?

MCMaria Cristina Fernandes

É porque justamente são essas operações nas quais ele está associado, são operações de tão alto risco O papel que eles emitem é lastreado num ativo tão fajuto que só o crime organizado se dispõe a bancar. Você tá entendendo? Ninguém do mercado que queira ganhar dinheiro efetivamente entra nessa, porque é um ativo podre.

CCarol

Sim, o próprio ministro da Fazenda se pronunciou também, né, Maria Cristina?

MCMaria Cristina Fernandes

Exatamente. O Dario Durigan, eu diria que foi ele, foi quem chegou mais perto de colocar o giz no gato. Porque ele explicou, ele deu entrevista hoje em Brasília, explicou essa movimentação ilegal de R$11 bilhões e R$600 milhões que foi apurada pela Receita Federal. Ele disse, eu vou abrir aspas: o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso. Aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa, se tem dinheiro do PCC, de usina do crime organizado, de distribuidora de crime, de combustível do crime organizado, no mesmo fundo, né?

Porque é o mesmo caixa. É um trabalho de investigação investigar o que saiu desse fundo. É mais do que é o crime organizado que permite esta operação.

CCarol

Sim.

MCMaria Cristina Fernandes

E o ministro, só ele, só ele se dispõe a comprar um ativo sem lastro, cujo lastro o mineiro tá dizendo que quem deu foram esses bilhetes premiados na loteria.

CCarol

Imagina. E esse é mais uma suspeita, é mais um ingrediente que torna a suspeita do filme ser uma lavagem de dinheiro, né? Ela, ele diz, o ministro, a Entre Investimentos foi usada para intermediar repasses ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu dinheiro do crime organizado, justamente porque dentro do mesmo bolso tinha tudo isso, recebia tanto dinheiro do Master, do crime organizado, e tudo do mesmo bolso. Então aí acho que vem esse trabalho de tentar separar o que é uma coisa, que é outra, né, Maria Cristina? Apesar de ser muito dinheiro sujo, aparentemente, né?

MCMaria Cristina Fernandes

Exatamente. Então essa, agora estamos na reta final, mas é uma, digamos, é uma etapa muito importante a ser esclarecida pelo PL.

CECarlos Eduardo Éboli

Só uma última questão. Hoje nós tivemos a informação de que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, viajou no jatinho do ex-dono do Banco Master. Agora tivemos essa informação de que esse dinheiro para financiar o Dark Horse vem dessa lavanderia que a gente falou. Isso tá colando no candidato, Fernando?

MCMaria Cristina Fernandes

O que as pesquisas têm mostrado, inclusive as qualitativas, né, que são aquelas que ouvem os eleitores, mostra que o seguinte: quando entra o Banco Master na história eleitor de alguma maneira disse, esse negócio é uma coisa grande demais, tá todo mundo lá, né? O que esse avião de hoje mostrou, que o Flávio Bolsonaro viajou, não foi nesta aeronave que é com o Willer Tomás, que é um operador lá daquela fraude do INSS. E é uma investigação que foi publicada pela Revista Piauí.

Então, e o Flávio confirmou a viagem nas redes sociais e disse, ainda bem que na época o avião era de Wheeler. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião do Alexandre de Moraes. E o que ele tá dizendo é porque Alexandre de Moraes viajou neste mesmo avião. Mas o fato é que o avião sempre foi do Daniel Vorkar. Então o William Tomás disse que é dono de uma cota do jatinho, que não conhece Vorkar, jamais esteve com ele. Ele disse isso em nota e nunca celebrou com ele qualquer negócio.

Então é uma, é um avião do Porcaro, que tem cotistas. O Willer Tomás, que está investigado aí na fraude do INSS, tem uma das cotas e é amigo do Flávio Bolsonaro e levou ele nessa viagem. Então é algo também que ele tem que ser explicado. Então o que eu tava, eu comecei explicando o que as Pesquisas mostram que quando associa o Flávio ao Master, aí, mas aí é um negócio que pega todo mundo, Brasília inteira tá nesse negócio, nessa confusão desse banco.

É o que o eleitor diz. Agora, quando o que ainda não se fez foi mostrar, e eu acho que esta, o que esta etapa da operação mostra, que este envolvimento com Master Na verdade, se quando se puxa o fio, este envolvimento do Flávio Bolsonaro com o Master, quando se puxa o fio, o que se encontra na verdade é uma colaboração a um esquema do crime organizado.

CCarol

Maria Cristina Fernandes conosco diariamente em Tudo É Política. Obrigada, Maria Cristina, um beijo para você e até amanhã.

MCMaria Cristina Fernandes

Beijo, Tati, Fernando, até amanhã. Boa tarde aos ouvintes.

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