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Em ‘Histórias de fantasmas’, Siri Hustvedt compartilha memórias sobre sua relação com Paul Auster

24 de setembro de 20267min
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José Godoy comenta sobre “Histórias de fantasmas”, livro de memórias da escritora Siri Hustvedt que conta sobre as mais de quatro décadas que viveu ao lado de seu marido, Paul Auster. A obra é um relato sensível e comovente sobre o luto após a morte de seu companheiro. Ouça!

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Participantes neste episódio1
J

José Godoy

HostJornalista
Assuntos4
  • O livro 'Histórias de Fantasmas' de Siri Hustvedt sobre o luto e a perdamemórias da relação com Paul Auster·reflexão filosófica sobre a perda·luto como amputação de um membro·dificuldade de reconectar com a cronologia
  • A convivência intensa e a temporalidade marcada pela presença do outrocasal de escritores vivendo e trabalhando juntos·moldando o cotidiano pela existência em dupla·perda do parceiro e a sensação de estar perdida no tempo
  • A revelação de um Paul Auster íntimo e sua luta até o fimconvivência intensa com o homem·manias e hábitos do escritor·escreveu um último livro, Ballgartner·cartas para o neto incorporadas no livro
  • A beleza do livro sobre a finitude e as relações importanteslivro triste sobre a perda de alguém próximo·doloroso para leitores de Paul Auster·nossa relação com a morte·relações mais importantes construídas ao longo do tempo
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
JGJosé Godoy

Clube do Livro CBN com José Godói.

?Voz B

Pois é, boa tarde.

JGJosé Godoy

Oi, Tati, boa tarde, boa tarde, Fernando, boa tarde aos ouvintes.

?Voz B

Estamos aqui meio tenso, com olho ali no plenário sendo esvaziado na Assembleia Geral da ONU. Primeiro-ministro de Israel chamando de covardes morais As pessoas, que não foram poucas, de várias delegações no mundo deixando o plenário à medida que ele começou a falar. Enfim, tenso. Vamos falar de coisa boa, vamos falar de literatura, porque a literatura também nos ajuda e ajuda muito a entender o mundo. Não sei se é o caso do que você nos traz hoje aqui, Zé, que é— pera aí que eu vou chegar lá, vou encontrar para a gente falar com um pouco mais de propriedade.

Achei, Histórias de Fantasmas. Memórias da escritora Siri Hustvedt sobre a relação dela com Paul Auster. Paul Auster, um dos escritores, acho que eu posso dizer, mais aclamados do mundo, né?

JGJosé Godoy

Ah, sem dúvida. Bom, a história também se passa em Nova York, né, onde está acontecendo o encontro da ONU, do outro lado do rio, né, no Brooklyn. Esse é um livro, acho que conversa muito com um livro que fez muito sucesso há alguns anos, O Ano do Pensamento Mágico, da Jhumpa Lahiri. Que é um livro, acho que foi um dos grandes livros assim que abriu esse caminho de refletir sobre o luto, né, o luto das pessoas próximas. No caso dela, a doença da filha e a morte súbita do marido, né, um escritor também.

E a Cília acho que faz um pouco isso, é uma espécie de inventário da relação dela com o Paul Auster. Eles ficaram juntos por mais de 4 décadas. O Auster morre em 2024, né, recentemente. E ela, o que ela faz aqui é refletir, são as memórias dela de tudo que aconteceu, da relação deles, da convivência, do aparecimento da doença, do pós, né, dos primeiros momentos após a perda do marido, como ela se sente. Mas também tem muito de uma reflexão filosófica sobre a perda, sobre o luto.

Ela usa imagens que eu acho muito, muito poderosas assim. Ela Ela fala muito resgatando ali uma ideia do Merleau-Ponty, né, o filósofo francês, a ideia do luto como amputação de um membro, né, aquele membro como uma presença que você ainda sente no seu corpo, mas que na verdade não tá mais lá, né. E também tem uma questão que eu acho que ela é muito feliz de abordar, que é o quanto que essas convivências muito intensas que a gente tem, né, no caso dela, né, esse casal de escritores, né, vivendo no mesmo lugar, trabalhando no mesmo lugar, quanto a temporalidade do nosso dia é marcada pela presença do outro, né?

A gente vai moldando muito o nosso cotidiano pela existência em dupla, no caso deles, ou em família, né? Os horários que a gente vai organizando a nossa vida. E quando ela perde esse parceiro, é como se ela tivesse meio perdida no tempo, assim. Ela tem uma dificuldade realmente física, psicológica, de se reconectar com a cronologia, né, com tudo que tá acontecendo ao redor dela, em que dia que ela tá, é manhã, é tarde, como isso vai invadindo ali a vida de quem permanece após uma perda tão intensa.

Acho que ela revela um Paul Auster muito íntimo, né, de alguém que realmente conviveu com ele de uma forma muito intensa, um homem que na verdade lutou muito até o fim, assim, isso fica muito claro no livro. Foi capaz de escrever um último livro, um livro lindo, né, chamado Ballgartner, e que também já tinha um projeto novo de livro que ele escreve praticamente até o final, que ela incorpora nesse livro dela, que eram cartas primeiramente para o neto que tinha acabado de nascer e para filha e para o genro.

E ela incorpora essas cartas para o neto. Então é um livro que de certo modo traz o Paul Auster com uma memória da ex-companheira, mas também um Paul Auster como escritor dentro do livro, por meio dessas cartas que ela recupera e inclui no volume. É um livro muito bonito, Tati Fernanda. Sim, acho que é um livro, obviamente, é um livro triste, se acompanha muito de perto a perda de alguém próximo. Acho que para muitos dos leitores, os tantos leitores que o Auster tinha no Brasil, é um livro doloroso, né, de alguém que foi tão querido, de uma pessoa que acaba A gente se aproxima muito desses nossos autores favoritos, né?

E mas eu acho que ele tem uma beleza enorme sobre nossa própria finitude, a nossa relação com a morte e sobre as relações mais importantes que a gente constrói ao longo do tempo.

?Voz B

E talvez também, Zé, seja um jeito diferente de conhecer o escritor que tanta gente admira, né? Pelo olhar, por um outro olhar a respeito dele, né?

JGJosé Godoy

Ah, totalmente, né? A gente tá convivendo com o homem mesmo, as pequenas manias, né, os hábitos, o jeito de lidar com o mundo, né, as rotinas. É uma outra abordagem do escritor, com certeza tem isso muito mesmo. E é bonito, eu gostei muito. Acho que para quem gostava do Auster, para quem leu O Ano do Pensamento Mágico e sobreviveu, porque é um livro duríssimo também, mas é um livro muito forte, muito bonito também. Acho que que talvez vai se interessar também.

?Voz B

Muito legal, muito bom. Aquele resumo para facilitar a vida do nosso ouvinte, por favor, Zé.

JGJosé Godoy

Ó, mostrar aqui, pessoal do YouTube, o livro tá bonito também, edição, a foto dos dois bem jovens, os dois muito bonitos, né, é um casal muito lindo assim. Ó, Histórias de Fantasma, o nome do livro, Memórias, livro da Siri Hostvedt, que é a ex-esposa e também escritora, né, esposa do Paul Auster, sai pela Companhia das Letras, tradução é da escritora Ana Guadalupe.

?Voz B

Muito bom, Zé aí no nosso Clube do Livro. Toda quinta-feira tem dica boa, uma análise boa a respeito do livro que você pode gostar. Fica a dica. Obrigada, Zé. Um beijo, até a semana que vem.

JGJosé Godoy

Tchau, até a próxima.

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