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El Niño muito forte e o retorno do DENV-3: o que muda na temporada de dengue

24 de setembro de 20268min
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Um artigo publicado no Journal of Infectious Diseases, da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, traz um alerta que merece atenção antes do verão. Os autores, pesquisadores da Fiocruz Mato Grosso do Sul e da Universidade Yale, mostram que estamos diante de uma combinação pouco comum: um El Niño classificado como muito forte, com mais de 90% de probabilidade de se confirmar segundo a agência americana de meteorologia, chegando exatamente sobre uma população brasileira que tem pouquíssima defesa contra um sorotipo específico da dengue, o DENV-3. Dr. Luis Fernando Correia analisa esse cenário.

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Participantes neste episódio1
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
Assuntos5
  • A combinação de El Niño forte e o retorno do DENV-3 no BrasilEl Niño como fator climático forte para dengue·estudo da Nature Communications sobre El Niño e dengue·recorde de casos de dengue em 2024 no Brasil·pesquisadores da Fiocruz e Yale alertam
  • O retorno do sorotipo 3 do vírus da dengue e a falta de imunidadeDENV-3 praticamente desapareceu entre 2010 e 2022·brasileiros sem defesa contra o DENV-3·nova linhagem do DENV-3 circulando no Caribe e Brasil·primeira morte por dengue na Flórida
  • O risco de colapso do serviço de saúde e a importância da vacinaserviços de saúde devem estar preparados·colapso parcial do serviço de saúde com muitos casos·dificuldade de atendimento e reavaliação·vacina da Takeda reduz risco de hospitalização
  • A escassez da vacina contra a dengue e a necessidade de planejamento governamentalnão há vacina para todos no Brasil e no mundo·governo prioriza grupos devido à escassez·competição global por vacinas contra a dengue·candidatos devem apresentar planos para a crise
  • A preparação para a temporada de dengue e o papel da sociedadeOPAS e Ministério da Saúde alertam para DENV-3·temporada de dengue em março, abril e maio·cuidado individual e comunitário contra o mosquito·Aedes aegypti transmite chikungunya e zika
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Oferecimento: você luta pela sua saúde, a gente também. Alice, plano de saúde como deve ser.

?Voz B

Oi, Doutor Luiz Fernando, boa tarde.

LFLuis Fernando Correia

Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes.

?Voz B

Não sei se medidas estão sendo tomadas, mas avisos já foram dados e não é de hoje, né, de que esse El Niño nesse segundo semestre vai chegar, chegando, provocando vários episódios de eventos extremos, ou muito calor, ou muito, dependendo da região do país, claro, ou muito calor, ou muita seca, ou muita chuva, mas sempre muito, né, numa intensidade grande. E aí a gente se pergunta sobre as doenças que podem aparecer depois desses eventos, ou aquelas que costumam aparecer nessa época do ano e podem ser impactadas pela intensidade desse fenômeno, que acho que é o caso da dengue, né, doutor?

LFLuis Fernando Correia

Com certeza. A gente já sabe que o El Niño é um dos fatores climáticos mais fortes, um dos drivers mais fortes com relação à dengue, né? Um estudo foi publicado na Nature Communications, calculou que o Niño, quando acontece o El Niño, você tem uma, pode ter uma variação até de 63% no número de casos de dengue de um ano para o outro. Isso foi analisado em 57 países diferentes. Cada evento forte do El Niño produziu mais casos que o anterior.

Por exemplo, no Brasil, vamos lembrar, 23 e 24 É 2023, 2024, foram quase 9 milhões de casos a mais do que o esperado. Então, no Brasil, 2024 foi o pior ano, com 6 milhões de casos prováveis e quase 6 mil mortes confirmadas. E agora saiu esse trabalho publicado na revista Journal of Infectious Diseases da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, em que os autores são pesquisadores da Fiocruz do Mato Grosso do Sul, E pesquisadores da Universidade Yale que mostra o seguinte: associação desse efeito é um ninho muito forte, que já é um, vamos dizer assim, uma ameaça para que se aumente no mesmo caso de dengue, com um problema imunológico.

Qual é o problema imunológico? É o retorno do sorotipo 3 do vírus da dengue. Vamos lembrar que são 4 tipos, né? Entre 2010 e 2022, o sorotipo 3 praticamente desapareceu do Brasil. Ele respondeu por menos de 1% dos casos. Isso significa que os brasileiros que nasceram entre 2010 e 2022 provavelmente não tiveram contato com esse vírus, então não tem nenhuma defesa contra ele. E desde 2022, a gente vem acompanhando uma nova linhagem do Dengue 3, que vem da região do Caribe voltando a circular no Brasil, circulando no Suriname e até mesmo na Flórida, onde essa semana foi confirmada a primeira morte por dengue na Flórida, na região do Golfo do México, para irritar o nosso presidente de lá.

A OPAS, eu não resisti, desculpe, gente. A OPAS já alertou, já fez um alerta regional. Ministério da Saúde colocou também o Dengue 3 como principal preocupação para temporada do ano que vem. E a gente precisa lembrar o seguinte, Tatiane Fernandes, quando a gente fala em temporada de dengue, a galera pensa na época que chove. Chove mais no verão, né? Ali janeiro, às vezes até começa a chover antes, dezembro, janeiro, fevereiro.

Mas a temporada de dengue, ela tem a janela dela, é março, abril e maio. Então a gente tem esse tempo aí para se preparar. Quer dizer, quando eu falo a gente, lógico que cada um de nós tem o seu papel. Cada morador vai cuidar da sua casa, cada um. As comunidades devem trabalhar em conjunto, que é o ideal. Vamos lembrar que mosquito da dengue, que é o Aedes aegypti, também transmite chikungunya e zika, o que atrapalha o diagnóstico.

Muitas vezes não se consegue fazer o diagnóstico corretamente nos hospitais, nas emergências. Então é o seguinte, gente, além das pessoas e das comunidades, os serviços de saúde vão ter que estar preparados para isso. Se a gente tiver de novo uma temporada de dengue com muitos milhões de casos, a gente pode ter um colapso parcial do serviço de saúde. A gente vai ter muita gente na emergência, vai ter muita fila, vai ter dificuldade de atendimento.

Aí a pessoa não volta na hora certa para ser reavaliada. Essa pode, um percentual, lembrando que um percentual das pessoas infectadas por dengue pode evoluir para dengue grave. E tem que, e essa evolução, a prevenção qual é? Retornar em 72 horas para ser reavaliado, porque a dengue grave aparece na hora que os sintomas melhoram, diminuem de intensidade. Então, gente, é uma preparação conjunta. A sociedade civil do seu lado, organizando as comunidades, cuidando da sua casa.

Mas também precisamos saber exatamente o que que os nossos serviços de saúde estão pensando. E a vacina? A vacina, ela existe. A vacina da Takeda tá disponível no Brasil. Ela reduz o risco de hospitalização de forma grave da doença. Mas primeiro, não tem vacina para todo mundo. Essa é a realidade, a matemática. Não tem. O governo escolheu grupos prioritários por isso, porque não tem vacina para todo mundo. E vamos lembrar, quando eu falo para todo mundo, não é só todo mundo brasileiro, não, é para todo o mundo, o globo terrestre, né?

Dengue é uma doença global. Então nós competimos por vacinas com o mundo inteiro. Todo mundo quer comprar vacina. E se imagina Se esse negócio nos Estados Unidos sai do controle, os Estados Unidos entrando no jogo de comprar vacina contra dengue, aí a coisa vai ficar complicada, como ficou na COVID, né? Então a gente tem que saber o seguinte: nós estamos agora discutindo eleições, todos os candidatos aí falando suas plataformas.

E, cara, quem assumir o governo estadual já vai de cara encarar uma crise de dengue. Se não tiver pensando nisso, se a programação de saúde não tá na se não tiver com isso na ponta, já vai tropeçar, vai tropeçar na largada, né? Ou seja, vai começar o governo novo ou governo continuando, dependendo aí de quem tá fazendo a campanha, né? Se não tiver preparação feita, já vai tropeçar na saída. Então eu queria muito que os candidatos pensassem mais e falassem mais sobre isso, qual é a preparação que estão pensando em fazer, se é que estão pensando em fazer, porque vão ter que encarar não só os problemas, as consequências da crise climática, né, que tá vendo aí, desabamento, deslizamentos, mortes, inundações, mas também a crise da saúde.

Como é que vai estar? Já tem estoque de diagnóstico? Tem estoque de teste? Tem estoque de soro? Tem previsão de onde é que vai montar um hospital de campanha se precisar? É a melhor opção? Não sei, depende de cada lugar. Né? Mas já tem isso? Você tem o seu plano de contingência, como a gente fala, pronto? E se não tiver, meu amigo, a gente infelizmente vamos sofrer no início do ano que vem.

?Voz B

Lamentavelmente. Vamos acompanhando. Doutor Luiz Fernando Corrêa conosco às terças e quintas no nosso Saúde em Foco. Obrigada, doutor. Até a semana que vem.

LFLuis Fernando Correia

Até a semana que vem. Bom fim de semana para todo mundo.

Anunciantes1

Alice

Plano de saúde
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