Incomunicação: as pessoas estão falando cada vez menos
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Mário Sérgio Cortella
- A redução do vocabulário e seus impactos na comunicação e raciocíniodesidratação da capacidade de comunicação·diminuição do arsenal vocabular·redução do modo de inteligência
- A incomunicação na era tecnológica e o isolamento socialobsessão tecnológica·isolamento em vez de silêncio·profusão tecnológica para comunicação
- A evolução da comunicação humana e a função dos emojissons guturais e palavras·desenhos e formas sintéticas·emojis como função de comunicação
- A linguagem telegráfica e a descompensação da comunicaçãoencurtar tempo e espaço·redução da comunicação·surdez seletiva perigosa
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Conversa de Primeira, No Meio do Caminho, com Mário Sérgio Cortella.
Muito bom dia, professor Mário Sérgio Cortella.
Bom dia, Milton. Bom dia, Carlos.
Bom dia, professor.
Professor Cortella, eu tenho acompanhado aí até com uma certa atenção sobre esse tema que a gente vai tratar com o senhor hoje, que é a redução do nosso vocabulário, a diminuição no número de palavras, nos diálogos, nas conversas. Várias pesquisas têm mostrado isso. Recentemente, New York Times trouxe uma reportagem mostrando, analisando 14 anos de gravações de mais de 2 mil pessoas com idade entre 10 e 94 anos. E o que os psicólogos mostraram?
As pessoas estão falando menos palavras em seu dia a dia. Que impacto isso gera?
Há uma desidratação da nossa capacidade de comunicação, de raciocínio, né, de possibilidade de contato. Você sabe, eu sei, a frase clássica: calar é ouro, falar é prata, diziam os antigos. Mas dependerá das circunstâncias. O que nós temos hoje não é apenas o maior tempo de incomunicação, É por conta até da obsessão tecnológica, pessoas que ficam em situação de isolamento e não de silêncio, porque o silêncio em vários momentos é óbvio, né?
Ele auxilia a atenção, o foco, a capacidade de repouso. Mas esse modo de incomunicação num tempo de uma profusão tecnológica para a comunicação nos leva assim a ter uma redução do nosso arsenal vocabular, uma diminuição imensa, né, daquilo que a gente dispõe para outros contatos, e isso produz sem dúvida, né, uma redução de fato do nosso modo de inteligência e ao mesmo tempo de presença mais saudável.
E cria um novo padrão, né? A gente vai falando cada vez menos e se acostumando com isso, professor.
Pois é, Cássia, você se lembra de leitura, claro, eu também, que as primeiras comunicações humanas que foram feitas, né, elas ficam com sons guturais, depois transformados em palavras, fonemas, depois na área de desenho, né, tudo aquilo que era da forma sintética. Hoje os emojis, eles cumprem um pouco essa função, que nem sempre é positiva. Eles economizam tempo e modo de trabalho, mas também reduzem, como eu dizia, demais. A linguagem telegráfica, o modo de comunicação pelo telégrafo, ele cumpre a sua função naquilo que é encurtar tempo e espaço, mas de fato nos traz, né, algo que é uma descompensação da nossa comunicação.
Ironia, né, Milton? Mais estrutura de comunicação a gente reduzindo isso. Essa surdez seletiva, ela é perigosa.
Muito obrigado, professor Mário Sérgio Cortelli.
Um bom dia, abraço, abraços.