Testemunhas de Jeová atualizam orientação sobre transfusão de sangue
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Luis Fernando Correia
- Testemunhas de Jeová atualizam orientação sobre transfusão de sanguemudança mais importante em décadas·proibição de sangue total mantida·liberação de componentes sanguíneos·decisão de consciência de cada fiel
- Impacto da nova orientação na relação médico-pacientemelhora na relação com cirurgiões·evita recusa de pacientes·decisão pessoal do paciente·diretiva antecipada para equipe médica
- Diferença entre transfusão de sangue total e componentessangue total em traumas graves·componentes para doenças crônicas·hemácias, plaquetas e plasma·auto-hemotransfusão programada
- Relevância da decisão para a comunidade brasileiraBrasil segunda maior comunidade·quase 1 milhão de membros ativos·censo IBGE de 1 milhão e 200 mil·impacto no sistema de saúde
Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Oferecimento: você luta pela sua saúde, a gente também. Alice, plano de saúde como deve ser. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. O senhor nos traz aí sobre essa questão de transfusão de sangue relacionada à religião. Às vezes aparece na mídia, né, geralmente em situações de crise, a relação das Testemunhas de Jeová com a transfusão de sangue.
Na última sexta-feira, dia 18, É, a Congregação Mundial das Testemunhas de Jeová anunciou a mudança mais importante em décadas na relação com o sangue. Então vamos entender, porque não é simplesmente liberou ou não, né? Não houve a liberação geral. Aconteceu o seguinte: foi liberado pela Congregação Mundial das Testemunhas de Jeová a utilização em caso de necessidade, segundo decisão de consciência de cada um dos fiéis, a utilização de componentes do sangue.
Vamos entender que raramente você faz transfusão de sangue total, como a gente chama, ou seja, o sangue todo. No sangue tem glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas, tem o líquido que é o plasma. Isso é o sangue total que a gente chama, e ele é muito utilizado em situações de trauma grave, onde ocorre uma perda maciça de sangue, acidentes, infelizmente os casos de violência que a gente assiste, mas não é o dia a dia. O dia a dia dos hospitais e dos pacientes, principalmente pacientes internados por doenças crônicas ou mesmo por cirurgias eletivas, é a utilização de componentes.
Você transfunde somente as hemácias, que transportam oxigênio, você pode transfundir plaquetas para pessoas com problemas de alteração de coagulação, e você pode transfundir plasma para pacientes que precisam disso. Então essa mudança é importante porque essa discussão, toda vez que a gente se deparava com um paciente, eu tô falando como médico, né, se deparava com paciente que se declarava terceiro mundo, a gente já ficava preocupado porque podia acontecer dessa necessidade.
E tava acontecendo uma coisa muito interessante, quer dizer, não é interessante, mas tava acontecendo uma coisa que tava gerando a dificuldade. Por exemplo, pacientes que precisavam fazer uma cirurgia eletiva e são fiéis dessa religião muitas vezes eram recusados pelos cirurgiões, porque o cirurgião não queria se ver na situação de ter que precisar pedir uma transfusão e não poder usar, né, ou criar um problema jurídico durante a internação.
Então isso melhora muito a relação, passa, continua sendo obviamente uma decisão pessoal, como aliás é para qualquer paciente. A não ser em caso de crianças, né, e em caso de risco de vida, que aí a decisão é do médico, né. Então o que continua vetado para as Testemunhas de Jeová é a transfusão de sangue total. Isso é interessante porque já em março desse ano já tinha saído uma decisão da Congregação Mundial, que a sede em Nova York, que permitiria que o fiel decidisse, por exemplo, fazer uma, o que a gente chama de auto-hemotransfusão programada.
Você tira um volume do seu, uma quantidade do seu sangue, isso é estocado, preparado nos hemocentros, e se você tiver uma cirurgia programada, você precisar, podendo, pode usar. Então é o seguinte, isso é uma, essa coisa de transfundir os componentes, isso não é novidade, isso é coisa desde os anos 70, né? Enfim, mas é muito importante. E no Brasil isso parece uma, não é curiosidade, porque o Brasil é a segunda maior comunidade de Testemunha de Jeová do mundo, só perde para os próprios Estados Unidos.
Então é importante, o relatório da própria organização aponta quase 1 milhão de membros ativos, 940 mil, e o censo do IBGE de 22 contou 1 milhão e 200 mil pessoas se declarando assim. Então impacta essa decisão aí, impacta a relação desse potencial, desse contingente todo com o sistema de saúde. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal tinha decidido em 2024 que adultos capazes poderiam recusar transfusão por motivo religioso, desde que a decisão fosse livre, informada e inequívoca, e o SUS deveria oferecer alternativas disponíveis.
Isso não muda, porque isso vale para qualquer paciente, não tem novidade nenhuma. O que muda é o conteúdo. Não dá mais para o médico presumir que toda Testemunha de Jeová recusaria tudo. Agora tem a possibilidade de perguntar item por item se pode transfundir um componente, se precisar. E o paciente pode assinar um documento com diretiva antecipada, ou seja, avisando, comunicando a equipe médica, equipe de saúde dessa situação.
Então acho que isso vale a pena a gente registrar isso, Milton, para deixar isso menos tumultuado na cabeça das pessoas. Muito obrigado e um bom dia. Bom dia para você, Milton, Cássia e todos os ouvintes. Até amanhã, doutor.
Alice
Plano de saúde