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Eleição pode ser resolvida no primeiro turno?

23 de setembro de 202613min
0:00 / 13:45
Maria Cristina Fernandes analisa pesquisas eleitorais feitas até o momento nesta reta final da campanha eleitoral e a possibilidade de que o pleito para presidente também se resolva no primeiro turno, junto com a definição do Legislativo.

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Participantes neste episódio2
M

Maria Cristina Fernandes

HostEspecialista
T

Tati

Co-hostApresentadora
Assuntos3
  • Análise das pesquisas eleitorais e a possibilidade de definição no primeiro turnoafunilamento da disputa presidencial·eleitorado independente e desalentado·desmobilização dos candidatos·esvaziamento das terceiras e quartas vias
  • Fatores que favorecem a definição da eleição no primeiro turnoausência de terceiro candidato viável·esvaziamento das vias alternativas·eleitores de direita migrando para Flávio Bolsonaro·fenômeno do antilulismo
  • Desafios e apostas da campanha de Lula para o primeiro turnoalta rejeição dos candidatos·apelo contra as bets para eleitorado evangélico·biografia pouco conhecida de Flávio Bolsonaro·letargia da militância do PT
Transcrição13 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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MCMaria Cristina Fernandes

Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.

?Voz C

Oi, Maria Cristina, boa tarde.

MCMaria Cristina Fernandes

Boa tarde, Tati e Fernando. Boa tarde, ouvintes.

?Voz C

Maria Cristina hoje vai se debruçar sobre a última pesquisa Quest, analisar qual é a possibilidade dessa eleição presidencial terminar no primeiro turno. Essa pesquisa Quest divulgada na segunda-feira mostra Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 33%, Cury com 6%. No segundo turno, eu tô falando aqui dos 3 primeiros, né? No segundo turno, Lula oscila um ponto para cima, vai a 41%, e Flávio se mantém nos 42% do último levantamento.

Como é que, baseada nesses números, Maria Cristina, a gente pode chegar a essa conclusão sobre essa possibilidade?

MCMaria Cristina Fernandes

Bem, Tati, não apenas a Quest, mas as pesquisas do mercado, que são respeitáveis, Todas apontam um afunilamento da disputa entre os dois principais candidatos, o presidente Lula e senador Flávio Bolsonaro. Isso porque o eleitor está dando, se dando conta agora de fato que tem eleição, que ele precisa escolher seus candidatos e sair desse estado de desalento. Que é o que é o resumo de muitos pesquisadores com quem eu tenho conversado, que acompanham quase que diariamente os chamados grupos das pesquisas qualitativas.

Para o nosso ouvinte ter uma ideia, são eleitores. Esses grupos têm sido formados majoritariamente por eleitores ditos independentes que votaram no PT numa eleição, no PL em outra. E que agora estão indefinidos, ainda estão indefinidos nesta reta final, estão tomando partido agora. É um eleitor muito desalentado, muito sem disposição para votar. E a gente viu isso um pouco refletido no último domingo. Eu sei que é dia de folga, mas a gente parece que em reta final de campanha a gente não se sente em folga nunca.

Eu fui ver a agenda dos candidatos. O senador Flávio Bolsonaro não tinha agenda. O presidente Lula ia embarcar para Nova York, Assembleia Geral da ONU, há 15 dias do primeiro turno. Há 15 dias do primeiro turno, eu digo, vai que ele faz pelo menos uma live, né, um vídeo, tô indo para lá. Zero. Domingo, há 15 dias do primeiro turno também, tiveram uma desmobilização, né? E não foi só aqui. Os relatos que eu tenho tido na disputa presidencial, campanhas do Brasil inteiro estão sem rua, principalmente no domingo, que é um dia, por enquanto, é o único dia de folga de fato que a maioria das pessoas tem.

Em que os candidatos têm tido dificuldade de mobilizar, de levar pessoas para rua e atrair a atenção delas para a eleição. Então, este eleitor desalentado, desatento, desmobilizado está se dando conta que 4 de outubro tá chegando, ele vai ter que se posicionar. Então, isso tá fazendo com que o cenário esteja se, de fato, se afunilando. E também porque as terceiras e quartas vias estão sendo paulatinamente esvaziadas. Augusto Sicuri, que tinha, que despontou, né, esse escritor psiquiatra que despontou aí para o terceiro, cada pesquisa tem trazido o Sicuri mais desidratado.

Então, o que Isso faria com que uma eleição, a eleição muito assemelhada entre os dois candidatos, pudesse vir a ser definida no primeiro turno. Porque o que é que empurra uma campanha para o segundo turno? O fato de um nome não conseguir a maioria dos votos mais um. Aqui em São Paulo, por exemplo, muito dificilmente você vai ter um segundo turno porque você não tem um terceiro candidato viável. Então, se a disputa entre dois, necessariamente um deles terá a maioria dos votos válidos.

?Voz C

Sim, certo, certo.

MCMaria Cristina Fernandes

Então, se as terceiras, quartas e quintas vias se esvaziam na disputa presidencial, a mesma coisa pode vir a acontecer. O que é que evitaria que algo do gênero acontecesse? Bem, ambos os candidatos estão aí disputando a primeira colocação, tem uma alta rejeição. Então isso, digamos assim, estabelece um pouco um teto para que este voto que tá, seja saindo das terceiras e quartas vias, seja que ainda está sabendo, sem saber para onde vai, e eles atraiam este voto.

Mas o fato é que o movimento continua, os candidatos estão aí dando as suas últimas tratadas. Quem seria o mais favorecido para uma eleição, digamos assim, afunilada para definir no primeiro turno? Vamos considerar aqui primeiro as chances de Flávio Bolsonaro. Os nanicos que estão, que a gente quase pode chamar assim, porque quem tem mais tem 6%, que é o Augusto Cury, eles estão mais no espectro à direita da disputa do que à esquerda.

Na verdade, na esquerda você tem candidatos que são hiper nanicos, né? E então este eleitor que vai de um candidato à direita, mais dificilmente migrará para votar no Lula, certo? Muito embora ele tenha optado por estes outros nomes por não querer votar no Flávio, mas entre um e outro tende a votar no candidato que esteja no seu espectro político. E o outro fenômeno O antilulismo de chegada, que é algo que tem sido observado, que na reta final das disputas em que o Lula participa há um apelo da direita contra o Lula, um apelo pelo aumento da rejeição ao Lula, que tende a unir adversários dos mais diversos matizes.

E finalmente, a rejeição— desculpa, a abstenção, que costuma ser maior no eleitor do PT, porque um eleitor de mais baixa renda, que tem mais dificuldade de deslocamento, que muitas vezes não tem com quem deixar filhos ou idosos em casa, que tem que trabalhar no domingo. Então isso atinge mais o eleitorado do PT do que o eleitorado do Flávio. Por que o Lula pode vir a ser favorecido por esse movimento de primeiro turno? Bem, a campanha está apostando em algumas Aí eu não diria nem que é balas de prata, né?

Tem algumas apostas importantes aí, provavelmente uma delas a gente pode ver inclusive hoje à noite nesse encontro com os artistas, que anúncio, o Lula pode anunciar medidas contra as bets e isso pegar uma eleitorada, principalmente eleitorado evangélico, uma eleitorada, esse eleitorado aí que tá acossado por uma renda cada vez mais comprometida com dívidas de jogos, né?

?Voz C

Teve reunião hoje.

MCMaria Cristina Fernandes

Exatamente. Porque como tem um evento hoje com os artistas no Rio, e os artistas pediram ao Lula porque o público dos shows, o consumo da cultura de uma maneira geral está sendo afetado.

?Voz C

Imagina, as pessoas não têm dinheiro para comprar comida, vão ter dinheiro para ir a show, né, Maria Cristina? Endividados com o caso de Alura.

MCMaria Cristina Fernandes

Exatamente. Exatamente. Então tem essas, essas apostas, mas eu não estou falando nem delas. Eu tô falando algumas coisas que, por conta do tamanho que esse noticiário do Master ocupou, acabaram ficando aí, digamos assim, escanteadas. Por exemplo, a biografia dos dois candidatos, né? O Flávio Bolsonaro ainda é um candidato pouco conhecido, impressionante, tem muito a ser mostrado, né? Que talvez a fulgente o eleitor dele. Há mais semelhanças com o pai e há mais semelhanças com esses personagens que têm afugentado o eleitor da milícia e do crime organizado do que se pensa.

Mas isso depende da capacidade, da competência do PT de mostrar. E finalmente, se a campanha acordar, porque inclusive o presidente tem dado alguns sinais, tá, Fernando, de que os relatos que eu tenho é que em reuniões internas, quando ele é muito cobrado, presidente, o senhor tem que falar mais do que vai fazer e não tanto do que fez, né? E ele diz o seguinte, olha, eu Eu acho que eu fui o presidente que mais fiz pela inclusão social nesse país, pelo povo desse país.

O povo não quiser votar em mim, paciência. Ele disse mais ou menos isso na última, no último evento de campanha que ele fez antes da viagem, que foi em Florianópolis. Eu assisti o discurso inteiro. Ele disse o seguinte: olha, de Deodoro da Fonseca, primeiro presidente republicano até hoje, Vejam qual foi o presidente que teve, fez mais política, algum momento da história que teve mais política de inclusão social. E o que que ele quer dizer com isso, né?

Que ele já, ele tá fazendo o que fez, acredita que ele de fato tem esse perfil, e que se o PT acha que pode perder. Ele já fez o que ele acha que foi suficiente para colocá-lo na história. Agora, o PT vai perder o poder, o PT vai perder possibilidade de ter um governo de continuidade para fazer as políticas públicas que acredita serem importantes para o partido, os empregos, os cargos. Então, se o PT tá achando que vai perder mais do que inclusive o Lula, que trata de trabalhar, porque tem muitos escritórios, muitos comitês fechados por falta de material.

Sem material, as pessoas não têm como ir para rua distribuir panfleto, distribuir. Então tem uma certa letargia aí na militância. Então se esta militância e esta campanha e este partido acordarem e se derem conta de que perdem mais do que o Lula numa eventual derrota, Isso aí pode vir a fazer alguma diferença. Então são esses pratos da balança que aí estão, tá, Fernando?

?Voz C

Maria Cristina Fernandes conosco diariamente em Tudo É Política. Obrigada, Maria Cristina, até amanhã.